Arquivo da categoria: Editoras Parceiras

A Travessia de Caleb (Geraldine Brooks)

Caleb Cheeshahteaumauk da tribo wôpanâak da ilha Noepe (atual Martha’s Vineyard, Massachusetts), foi o primeiro indígena a se formar na Universidade de Harvard em 1665. Os registros desse marco histórico e os detalhes de seu acesso à universidade e sua vida de estudante são escassos, mas bastaram algumas informações fragmentadas para inspirarem Geraldine Brooks a recontar a saga de Caleb.

“Suponho que precise narrar a minha vida, o meu papel na travessia de Caleb de seu mundo para o meu, e o que fluiu a partir daí.”

Para narrar esta história, Brooks nos dá Bethia, que nos conta em uma narrativa por vezes errante entre os eventos passados e presentes, todo seu relacionamento com o jovem wampanoag e todos os acontecimentos decorrentes de sua “intromissão” no mundo do garoto. Neta do fundador da comunidade inglesa da ilha Noepe (Great Harbor) e filha do pastor local, Bethia sempre teve um espírito independente e um pendor para os estudos, que naquela época eram restritos aos homens. Costume que não a impediu de aprender às escondidas e não somente os estudos clássicos que seu irmão tinha, mas também a língua dos nativos que o pai estudava para assim ter sucesso na conversão dos indígenas. Ao lhe proibirem o estudo formal, Bethia passou a utilizar a ilha como sua fonte de aprendizado e em suas andanças solitárias deparou-se com o garoto Cheeshahteaumauk. Começa então uma relação de amizade entre a garota e o jovem wampanoag. É assim que Bethia torna-se Olhos de Tormenta e Cheeshahteaumauk, Caleb. Brooks coloca a amizade como força motriz para todos os acontecimentos vindouros, pois se com ela Bethia passa a conhecer mais sobre os wampanoags e admirar sua cultura é através dela que ela modifica o mundo de Caleb e lhe dá vislumbres do que o conhecimento fornecido pelos forasteiros poderia lhe oferecer. Continuar lendo

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Fetiche (Carina Luft)

Carina Luft, natural de Montenegro – RS e egressa da oficina literária de Charles Kiefer, escolheu a podofilia (fetiche por pés) como ponto de partida para se enveredar pelo mundo do romance policial. A novela, publicada em 2010 pela editora Dublinense, tem como cenário a pequena cidade ficcional de Adenauer no interior do Rio Grande do Sul, que está abalada por uma série de crimes. Jovens aspirantes à modelo começam a aparecer mortas e seus pés, arrancados dos corpos são levados como troféus. Cabe ao já calejado delegado Weber e ao jovem investigador Nestor a tarefa de descobrir e prender esse assassino psicopata.

Diferentemente do formato ao qual estamos acostumados em se tratando de literatura policial, em Fetiche, Carina escolheu entregar os assassinos (pelo menos parcialmente) logo de cara. Retira do leitor a atividade de tentar descobrir o assassino antes da conclusão da história, para investir no ato investigativo em si. Na rotina da DP em juntar as provas, retirar algum sentido delas, entender a mente do assassino e assim o capturarem. Continuar lendo

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Réquiem para um assassino – Paulo Levy

Um homem é encontrado morto no pântano de uma pequena e pacata cidade: Palmyra. Como o corpo foi encontrado em um ponto turístico, o delegado da polícia, Joaquim Dornelas logo se vê pressionado para descobrir quem foi assassinado e mais importante: quem é o culpado. Quando as pistas levam o caso às portas da elite política da região, o delegado tem que pisar em ovos para não culpar a pessoa errada e ser a próxima vítima.

Paralelamente à investigação, acompanhamos a jornada pessoal de Dornelas, recentemente divorciado e sentindo falta dos filhos e da mulher. Ver o lado humano da protagonista, os conflitos internos, os caminhos que o raciocínio dele percorrem para resolver os problemas à mão. Tudo isso é mostrado na narrativa de uma maneira tão real que parece que você é vizinho do protagonista e está vivendo com ele todas as suas angústias. Continuar lendo

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O Noivo da Minha Melhor Amiga (Emily Giffin)

Rachel estava acostumada a estar na sombra da melhor amiga, Darcy. Até mesmo a festa surpresa planejada por Darcy para seu aniversário de 30 anos de alguma maneira se transformou em uma maneira de comparar as duas.

Darcy sempre foi bastante narcisista e egoísta, mas apesar disso, passa a impressão de ser bastante insegura. Por isso mesmo sempre se esforçou bastante para ser melhor do que Rachel e Annelise, suas melhores amigas.

Na faculdade, Rachel conhece um rapaz interessantíssimo, chamado Dexter, e logo se vê caidinha por ele. No entanto, a moça é bastante tímida e falta-lhe coragem para fazer algo a respeito da paixonite. Quando Rachel apresenta Darcy a Dexter, acredita que os dois se deram bem e os deixa a sós. Eventualmente, os dois começam a namorar e ficam noivos, então Rachel fica bastante surpresa quando Dex a beija no fim da festa de aniversário.

E assim começa uma complexa história de relacionamentos: o complicado rolo entre Dex e Rachel, a amizade entre Rachel e Darcy, o noivado de Darcy e Dex, Rachel e sua consciência, Rachel e os amigos que acabam descobrindo todo o rolo. Nunca vivi uma situação parecida, mas acho que a autora conseguiu descrever bem as emoções e sentimentos dos envolvidos. Neste livro, tudo é narrado do ponto de vista de Rachel, e é interessante ver como ela disputa consigo mesma, o tempo todo, a situação em que se meteu: estou apaixonada pelo noivo da minha melhor amiga, e agora?!?!

A conclusão do livro é bastante óbvia, embora tenha elementos meio inesperados. Quem já leu Questões do Coração , da mesma autora, vai reconhecer os protagonistas, já que Tessa Russo é irmã do Dex, e o cita várias vezes no decorrer de seu drama.

A leitura foi bem agradável, e relativamente rápida. Li num momento em que eu queria um pouco de açúcar nas minhas veias, e me proveu de açúcar com uma pequena dose de realidade. Já tinha lido Questões do Coração, mas ainda assim me surpreendi com a autora: esta é a terceira protagonista dela (QdC tem duas) e ela é totalmente diferente das outras. A Novo Conceito lançou recentemente uma história sob o ponto de vista de Darcy, chamada Presentes da Vida, e não me surpreenderia se a autora fez com que a narrativa de Darcy seja diferente da das outras protagonistas – e só isso já é o suficiente para eu querer ler esta história!

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Cultura Submarino Saraiva

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Joana, a Louca (Linda Carlino)

“Sorriu, apreciando todo aquele jogo, aquele mundo de sonhos em que era simultaneamente jogadora e espectadora.”

Gosto muito de romances históricos que retratam a história dos reis ingleses, em especial aqueles que retratam a dinastia Tudor. Lendo livros e vendo séries que retratam essa época da história, sempre vi nos espanhóis meros coadjuvantes. Seja Catarina e seu malfadado casamento com Henrique VIII, ou o imperador Carlos V e todas as dores de cabeça que decerto ele causou para o rei inglês. Assim, quando a Editora Europa anunciou a publicação do livro Joana, a Louca logo me interessei em lê-lo, primeiro porque era histórico e segundo porque queria aprofundar-me mais na história daqueles que muitas vezes ficavam apenas como figurantes. Linda Carlino em seu livro, tira dos bastidores Joana, talvez não conhecida por muitos, e mostra que a história espanhola também pode render excelentes narrativas.

Joana foi a terceira filha dos reis espanhóis Isabel de Castela e Fernando de Aragão. A história retratada por Carlino aconteceu entre os anos de 1496 e 1555. Joana então com 17 anos viu-se lançada em um casamento com Felipe, arquiduque e herdeiro dos Habsburgo, da Áustria. Nunca cogitou reinar e sonhava com um casamento real (e não no sentido burocrático da palavra). Viu-se ao longo da vida sujeitada a ambos, um casamento que era antes de qualquer coisa uma aliança política com os poderosos Habsburgo e que não lhe trouxe alegrias e um trono de um reino no qual nunca reinou de fato. Durante toda a vida teve seus direitos usurpados e a sanidade mental posta em prova e é todo esse sofrimento, baseado nos conhecimentos históricos, mas também com a liberdade concedida aos romances, que Carlino retrata no primeiro livro de uma trilogia dedicada à história dos Habsburgo. A obra é dividida em duas partes: na primeira são narradas as desventuras de Joana durante seu casamento com Felipe, as traições, o isolamento de seus compatriotas e o cárcere privado. Na segunda parte, os anos de viuvez, marcados por mais traições, desta vez do pai e do próprio filho, o imperador Carlos. Continuar lendo

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Promoção da Editora Mor

A Editora Mor divulgou no Twitter a primeira promoção, feita em parceria com um autor. Existem duas “categorias” para concorrer aos prêmios:

  • Blogueiro parceiro (tipo nós do Blablabla)
  • Usuários do site

Os usuários do site da Editora podem concorrer a um exemplar do livro e a créditos para serem usados para comprar livros da Editora. Para ler todas as regras e participar, clique aqui.

Nós estamos concorrendo aos livros, não fiquem para trás!!

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Anna e o Beijo Francês – Stephanie Perkins

 

anna e o beijo francês

Anna é uma adolescente da Atlanta que trabalha no cinema e está apaixonada por Toph, seu colega de trabalho. Ela e sua melhor amiga, Bridgette, são inseparáveis. Anna sonha em ser uma crítica de filmes famosa, e já começou a dar sua opinião através de um blog. Eis que, do nada, seu pai decide que ela vai passar o último ano do colegial num internato em Paris.

O livro começa com os pais de Anna ajudando-a a desarrumar as malas em seu novo quarto na School of America in Paris (SOAP). Assim que os pais se vão, Anna começa a chorar e é socorrida por Meredith, sua vizinha de quarto. Após conversarem por algum tempo e tomar chocolate quente, Anna se sente um pouco melhor e volta para o quarto para dormir. É quando conhece Étienne St. Clair, amigo de Meredith, fofíssimo, lindíssimo e dono de um sotaque britânico irresistível para Anna. Continuar lendo

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Quer ver seu poema em um livro?

Você escreveu um poema de que se orgulha e gostaria que outras pessoas pudessem lê-lo? A Editora Mor (parceira do blog) está selecionando poemas para montar uma coletânia que contará com 25 obras. Mande um e-mail para a Editora com o seu poema e quem sabe ele não é um dos escolhidos!

Para participar:

Enviar poema para: contato@editoramor.com.br

Assunto do e-mail: Seleção Coletânea

Não se esqueça de incluir seu nome completo no e-mail!

Data limite: 21 de janeiro

Observação: não haverá custos para os autores participantes!

Assim que o site inaugurar, a coletânea estará disponível para aquisição na Loja Virtual.

Participe!

Editora Mor: www.editoramor.com.br
Blog: www.editoramor.blogspot.com

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O Fundador (Aydano Roriz)

“Difícil era manter em segredo a origem daqueles artigos. E da boca de um marinheiro para outro, de uma taverna para outra, de um porto a outro, a notícia foi se espalhando. Espalhando-se e atraindo para o Brasil contrabandistas portugueses e espanhóis, navios corsários e os chamados entrelopos – mercadores aventureiros franceses que não tinham escrúpulo em afrontar o monopólio português assegurado pelo Papa”.

O pequeno trecho acima nos situa sobre o período que a obra retrata. Logo após o descobrimento das terras brasileiras, Portugal tratou de dividi-las em capitanias e “ceder” às terras à colonos que deveriam mantê-las, exportar matéria prima para o reino e protegê-las dos invasores. Quase meio século depois, o Brasil ainda era considerado uma terra selvagem, que pouco rendia ao reino a não ser pelo Pau-brasil (que inclusive era alvo de contrabandistas) e que só tornou a despertar o interesse da Coroa porque a França e a Espanha também estavam de olho nestas terras. Foi para evitar a perda das terras brasileiras que Antônio de Ataíde, conde de castanheira, convenceu o rei D. João III a conceder o cargo de governador geral do Brasil à Tomé de Souza. Um governador geral que teve a tarefa de construir uma cidade e garantir de vez a posse daquelas terras longínquas à Portugal. Continuar lendo

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O Cavaleiro da Ilha do Corvo – Joaquim Fernandes

No mês passado, a Editora Bússola entrou em contato com o blog divulgando o lançamento do primeiro livro do seu catálogo: O Cavaleiro da Ilha do Corvo, do lusitano Joaquim Fernandes. Eu li o release (clique aqui para ler também!) e, apaixonada por romances históricos como sou, perguntei se a editora poderia me encaminhar um exemplar. Para a minha sorte, recebi o livro alguns dias depois. Que leitura!

A narrativa começa de forma bastante despretensiosa, com o autor afirmando que o livro é de ficção, apesar de “…nela se incorporam e entretecem acontecimentos, fatos e personagens reais…”. Somos logo introduzidos ao Cavaleiro da Ilha do Corvo, que nada mais é do que uma estátua antiga com a qual os portugueses que chegaram à ilha no século XV se depararam. Com traços característicos do norte da África, a estátua representa cavaleiro que aponta a América.

O autor passa então a narrar a descoberta da estátua, como ela foi descrita ao rei de Portugal e como este ordenou que a estátua fosse levada a ele. Conta também da placa que foi descoberta próxima à estátua, com caracteres antigos que nem mesmo o mais letrado presente conseguia desvendar.

Eis que entra a personagem principal: professor de uma renomada universidade americana, esportista, fiel usuário de casacos de tweed. Michael Serpa poderia ser Robert Langdon, o herói dos livros de Dan Brown, mas este americano tem um pé na terrinha*, e seu sobrenome lusitano é apenas mais um dos elementos que o diferenciam do personagem de Brown.

*Terrinha é um termo que portugueses e descendentes usam para se referir a Portugal, uma espécie de apelido carinhoso. (Pronuncie devidamente usando o sotaque: Trinha) 

Ao se deparar com a existência de um amuleto árabe com caracteres antiquíssimos encontrado nos Açores, mais uma possível prova de que os espanhóis e portugueses não foram os primeiros a explorar os mares e oceanos do mundo e descobrir a América, Michael decide estudar as “lendas” de navegações pré-Colombo mais a fundo. Isso leva o professor a uma conferência da Universidade dos Açores, na qual conhece Lúcia Lacroix, historiadora portuguesa que enxerga em Michael alguém que tem a mesma paixão pelos mistérios das ilhas. Continuar lendo

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