Arquivo da categoria: Lendo aleatoriamente

Livros, leitura, autores, editoras.

A Rainha Vermelha – Philippa Gregory

A Rainha Vermelha

Margaret Beaufort é prima do Rei da Inglaterra – Henrique IV. Aos nove anos, ela tem uma visão de Joana D’Arc que a convence de que Deus tem um plano para ela. Mesmo quando é forçada a se casar com um homem com o dobro de sua idade, Edmund Tudor, ela não deixa de ser devota. Seu marido morre antes de ver seu primeiro filho, Henrique, nascer. É o começo da Guerra das Rosas, e Henrique Tudor é o terceiro na linha de sucessão, depois do Rei e seu filho.

Como a história nos conta, o fim dessa disputa se dá com Henrique, herdeiro Lancaster, se casando com Elizabeth, a herdeira York. Neste livro, a Rainha Vermelha, Margaret da família Lancaster, conta essa história. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Feanari

Conquistador – Conn Iggulden

Conquistador

Este livro continua a história dos cãs dos mongóis após Gengis. Como disse na resenha do quarto livro, na questão da sucessão, se o cã deixou instruções, a nação as verá realizadas. Infelizmente, o cã morreu e não disse quem ele queria que o seguisse. Intrigas, promessa e jogos políticos coloca um dos netos de Gengis no poder como supremo cã. Mas sem o apoio de todos os primos, os príncipes da nação, será que isso dura?

A questão da sucessão é o tema central do livro, a narrativa é baseada nas reações das personagens. As conquistas territoriais também são exploradas, e dessa vez, os territórios sung e árabes são os alvos principais: Kublai é enviado ao primeiro, e seu irmão Hulegu, ao segundo. Conn Iggulden escreve de maneira que faz com que décadas transcorram em meras páginas, especialmente se ele acha que nesse tempo não ocorreu nada digno de nota. E a única indicação de que passou algum tempo é uma fala ou outra de uma personagem.

Isso torna a narrativa bastante fluida (inclusive, já vi pessoas preferindo o Conn ao Bernard Cornwell justamente por isso), mas eu sinto que perde um pouco da parte histórica do romance histórico. Não muda que eu ADOREI a leitura, mas é um ponto a ser comentado. Continuar lendo

3 Comentários

Arquivado em Grupo Editorial Record, Lendo aleatoriamente, Resenhas da Feanari

Organização de leituras

Quando eu fiz a resenha de O Nome do Vento, do Patrick Rothfuss, na sessão de comentários começou uma discussão sobre quando que eu leria a continuação do livro, O Temor do Sábio. Eu e a Núbia descobrimos que fazemos uma fila de leituras, e ela sugeriu que eu fizesse um post explicando como que eu me organizo. Fica aqui o desafio para ela fazer o mesmo!

Ok, primeiramente, eu tenho uma lista na minha agenda. Ela não reflete, necessariamente, a ordem exata em que as coisas vão ser lidas – se eu não estiver afim, eu pulo pro próximo. Ler ainda pode ser divertido, gente! Nessa mesma lista tenho anotado o número de páginas que o livro tem e quantos dias demora para ler esse livro considerando a minha meta. Como eu estou fazendo mestrado, minha meta atual é muito modesta, mas é algo que é fazível. E é uma meta, é o mínimo que eu quero ler num dia, eu não me mordo se não conseguir cumprir, e também não paro de ler se estiver com um tempinho livre e estiver curtindo o livro, eu vou antecipar a leitura do dia seguinte.

WP_20150817_22_52_49_Pro
Essa é a lista! Nas caixinhas antes do nome do livro, eu coloco uma marquinha se li o livro (primeira) e se resenhei (segunda). Ou seja, li e resenhei O Nome do Vento, mas só li Conquistador. Os números à direita são o número de dias e o número de páginas.

Aí, no domingo, eu sento com minha agenda para programar a semana seguinte. Minha agenda é toda colorida: coisas de mestrado são grifadas em roxo, listas de coisas para fazer são grifadas em amarelo, etc. Eu organizo a leitura da semana escrevendo o nome do livro e a página final de leitura daquele dia em marrom (já explico o motivo pra isso). Eu também deixo um dia vazio entre o ultimo dia de leitura e o começo da próxima para escrever a resenha, que eu deixo anotada em um post-it de bichinho lendo (foto abaixo). Parece doido falando, mas com a foto fica mais fácil. Continuar lendo

10 Comentários

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Nerdices aleatórias

Mosquitolândia (David Arnold)

mosquitolandia

“Tenho um trilhão de motivos, mas continuo sem fazer ideia de como eles vieram parar na minha cabeça.

Então talvez este relato seja isso mesmo, Isa: minha Lista de Motivos. Vou explicar os porquês por trás dos meus o quês, e você poderá ver por conta própria como tenho muitos motivos. (…) por ora, saiba disto: meus motivos podem ser complicados, mas minha Missão é bem simples.

Chegar a Cleveland, encontrar minha mãe. ” (Página 14)

“Mim Malone não está nada bem”. É assim que David Arnold nos apresenta sua protagonista. Mary Iris Malone, ou como ela prefere, Mim, foi pega de surpresa pela separação dos pais. A separação também acarretou em sua mudança de Ashland em Ohio, para Jackson no Mississippi para morar com o pai e a madrasta. E é somente por um acaso que ela descobre que a mãe está doente e em tratamento em Cleveland, Ohio. Distante 1524 quilômetros do lugar que Mim “carinhosamente” apelidou de Mosquitolândia. Determinada a ir em busca da sua mãe e daquele que ela considera ser seu verdadeiro lugar, Mim foge de casa e embarca em um ônibus em direção ao seu estado natal. Com uma narrativa que bem poderia ser um diário de bordo, entremeado com cartas de Mim destinadas a alguém chamado Isabel, partimos com Mim nessa viagem. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Editora Intrínseca, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

Como Eu era antes de Você (Jojo Moyes)

como eu era antes de você

Descobrir que um livro começou a ser adaptado para o cinema, mesmo que ele possa não agradar aos mais puristas, pode ser um bom negócio. Comigo funciona como um incentivo a mais para finalmente parar de postergar, ou vencer a apatia inicial, e finalmente lê-lo. Faço parte do grupo de pessoas que só vê o filme depois de ter lido o livro, mesmo que o filme já tenha sido lançado há tempos (a lista de livros para ler antes de ver o filme já atingiu um tamanho razoável). Ficar sabendo sobre a produção do livro Como eu era antes de você da Jojo Moyes, foi o gatilho que faltava para finalmente me aventurar pelas obras da autora. E até agora ainda estou me perguntando por que foi que eu demorei tanto.  E não foi por falta de recomendações. O fato é que me encantei pela narrativa da Jojo e pelos personagens carismáticos que ela criou. E agora, já estou na ansiedade da espera para ver essa história nas telonas, tem tudo para continuar nos emocionando.

Como eu era antes de você traz a história de Lou e Will. Ela, uma mulher de 26 anos sem muitas ambições, contente (ou pelo menos pensa estar) com sua vida previsível e que de repente vê seus planos ruindo ao perder seu emprego e tendo de se reinventar. Ele, uma pessoa que vivia a mil por hora, acostumado a aproveitar suas chances ao máximo, que tinha o mundo por limites (e talvez nem isso) e que de repente se viu confinado em uma cadeira de rodas, tetraplégico, amargurado, mal-humorado e determinado a encontrar uma forma de acabar com seu sofrimento. Continuar lendo

5 Comentários

Arquivado em Editora Intrínseca, Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

Fragmentados (Neal Shusterman)

Fragmentados

Fragmentados é daqueles livros que você começa a ler sem maiores pretensões: “ah, mais uma distopia, deve ser legal…”, mas, de repente se vê imerso em uma história repleta de reflexões políticas, sociais e éticas e tudo isso em uma história com um ritmo frenético, personagens interessantes e uma trama que te fisga desde o início.

Na Terra futura imaginada por Shusterman, houve uma Segunda Guerra Civil conhecida como “Guerra de Heartland”. Foi um conflito longo e sangrento entre os grupos “Pró-Vida” e “Pró-Escolha” – é, se você logo lembrou das discussões recentes sobre aborto e a ingerência da bancada religiosa na vida de toda a sociedade, você não está muito longe do cerne utilizado por Shusterman para criar a sua história. A diferença, é que no mundo imaginado por Shusterman, a “Lei da Vida” foi criada para satisfazer ambos os grupos e assim acabar com a guerra. E é aqui que Shusterman escancara o quão longe podemos ir em prol dos próprios interesses, ainda que as perspectivas não sejam nenhum um pouco razoáveis. Isso porque, a Lei da Vida declara que a vida humana é intocável desde o momento da concepção até que a criança complete 13 anos. Dos 13 aos 18 anos, os adolescentes podem ser “abortados” retroativamente, basta um dos pais ou o responsável por ela assim o determinar. A única condição é que a vida desses jovens “tecnicamente” (por pura e simples determinação da lei) não tenha fim. Assim, eles são encaminhados para campos de colheita, onde serão fragmentados e então, “viverão” aos pedaços nas vidas de outras pessoas. Nenhum pedaço é desperdiçado e a prática é extremamente comum e aceita pela sociedade. Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Editora Novo Conceito, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

Astronauta – Magnetar (Danilo Beyruth)

Astronauta-Magnetar

“No mar, me dediquei a desfrutar desse exercício de descobrir a proximidade por meio da distância. E, de quando em quando, só por prazer, de o inverter. Aos leitores desse solitário Astronauta, em que Danilo Beyruth reinterpreta o clássico de Mauricio de Sousa, desejo que desfrutem do mesmo prazer.” (Amyr Klink – navegador e escritor)

Astronauta – Magnetar marca o lançamento do selo Graphic MSP e por se tratar de um personagem de menos visibilidade entre tantos outros criados pelo Mauricio, não parece ser uma escolha óbvia para marcar o début de um selo que tem por objetivo apresentar releituras dos personagens do Mauricio. Quando criança, lembro que as histórias do Astronauta não figuravam entre as minhas favoritas. Ainda assim, nunca deixava de ler as histórias daquele cara que passava tanto tempo sozinho no espaço e que muito esporadicamente voltava a Terra para visitar seus pais e a garota por quem era (é) apaixonado, Ritinha. Mas, as histórias do Astronauta sempre tiveram um tom mais adulto, mais melancólico e filosófico, que você só passa a curtir quando mais velho. E todas essas características combinaram muito bem com o enfoque dado por Danilo Beyruth em sua releitura do personagem. O enfoque é na solidão enfrentada pelo personagem, sua escolha de carreira e o que ela representou para as outras partes de sua vida, e o espaço, seus fenômenos físicos e seus mistérios.

Apesar da história se passar quase que totalmente no espaço, Beyruth não deixa de resgatar a infância do Astronauta, seu relacionamento com o avô, com os pais e com a Ritinha e interliga-os muito bem em sua trama. Aqui, o Astronauta está em uma missão para coletar mais informações sobre um curioso corpo celestial, o Magnetar. O tema Magnetar foi sugerido por Eduardo Cypriano do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciência Atmosférica da USP, durante a consultoria que ele prestou a Beyruth. E no geral, os conhecimentos astrofísicos foram respeitados, mas, algumas licenças poéticas tiveram que ser feitas em prol da fluidez da história. Essas incongruências perante as leis da física, a gente releva que é para melhor aproveitar a história, e o melhor é que elas nos são justificadas pelo próprio Beyruth em nota no final da hq contendo um glossário bastante elucidativo dos temas trabalhados. Mas, voltando a trama. Durante sua missão, o Astronauta enfrenta problemas que acabam deixando-o à deriva no espaço e colocando sua vida em risco. Continuar lendo

8 Comentários

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

The Name of the Wind – Patrick Rothfuss

The Name of The Wind

Kvothe está vivendo uma vida simples como dono de uma estalagem. No entanto, a sua vida pacata está para ser perturbada com a chegada de Chronicler, um colecionador de histórias. Ele enxerga através da farsa de “estalajadeiro” e convence Kvothe a contar a sua historia, que já virou boato em todos os cantos do mundo.

É assim que começamos a ouvir a versão verdadeira da lenda que ele virou. A história é dividida entre os três livros, e cada um representa um dia em que Kvothe a conta ao Chronicler. Como bom narrador, ele começa a narrativa com sua infância, para dar um bom pano de fundo sobre a personagem. Em alguns momentos, achei que ele se estendeu demais na narrativa – e que nada aconteça de fato, mas não acho que eu teria conseguido tirar alguma parte.

O autor conta bem os momentos que tiram Kvothe de onde está em um dado momento, e não senti que as coisas lhe vinham fácil demais, mas me irritou bastante o tanto que ele é convencido. Kvothe é bastante inteligente e aprende rápido, e por isso, ele acha que é melhor que todos ao seu redor (tudo bem que em alguns momentos ele é, mas um pouco de humildade não faz mal a ninguém). Continuar lendo

6 Comentários

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Feanari

Eu te Darei o Sol (Jandy Nelson)

eu-te-darei-o-sol

“Ao contrário de quase qualquer outra pessoa no planeta, desde as nossas primeiras células estávamos juntos, viemos para este mundo juntos. Por isso é que quase ninguém nota que Jude fala por nós dois, por isso é que conseguimos tocar piano somente a quatro mãos, nunca sozinhos, por isso é que nunca brincamos de joquempô, porque nunca, em treze anos, escolhemos coisas diferente. É sempre assim: duas pedras, dois papéis, duas tesouras. Quando não nos desenho assim, eu nos desenho como pessoas pela metade. ” (Página 26)

Noah e Jude são gêmeos e apesar de sempre terem se visto como uma única entidade, conforme cresciam começaram a se tornar competitivos. Competiam pela afeição dos pais, pelos amigos e amores e por uma vaga na melhor escola de artes da Califórnia. Conforme o traço competitivo vai se acentuando, Noah e Jude vão colecionando mal-entendidos que frequentemente os fazem machucar um ao outro e a si próprios no processo.

Nelson escolheu contar a história desses dois irmãos de maneira pouco ortodoxa. A narrativa é feita do ponto de vista de Jude e Noah, mas não é nem um pouco linear. Noah nos conta seu ponto de vista dessa história a partir dos seus treze anos. Jude nos entrega seu lado a partir dos dezesseis.

Com Noah descobrimos o garoto com dificuldade em fazer amigos, que teme em assumir seus verdadeiros sentimentos, que constantemente é alvo de bullying, que não tem uma relação amorosa com o pai e que desde que se entende por gente vive às voltas com pranchetas, papéis, lápis e tintas, e que mesmo na ausência de tais ferramentas é capaz de fazer pinturas mentais das situações vividas por ele. E esses “quadros mentais” pontuam toda a sua narrativa, que não estranhamente foi intitulada por Nelson de O Museu Invisível. Não é muito difícil ter empatia quase que instantânea por Noah e torcer o nariz para algumas atitudes da Jude de treze anos. Mas, aos 16, encontramos uma garota que almeja desesperadamente fazer as pazes com o seu passado e consertar o relacionamento com o irmão. Jude não é mais a garota popular, guarda uma mágoa do passado que a fez se isolar do mundo, tem um pendor para a hipocondria e segue piamente a “bíblia” herdada da avó, um aglomerado aleatório de superstições, simpatias e máximas com as quais elas nos brinda ao longo de toda sua narrativa. Jude é A História da Sorte. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Editora Novo Conceito, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

Sr. Daniels (Brittainy C. Cherry)

sr-daniels

“Ela sorriu quando citei Shakespeare, mas ainda havia tristeza na curva de seus lábios. Ela sofria de algum tipo de dor, e eu vi que aquilo a consumia – da mesma forma que minha tristeza estava acabando comigo. E nada nem ninguém poderia impedir que isso acontecesse.

Uma parte de mim não queria que aquilo acabasse. Uma parte de mim achava que eu merecia o sofrimento. Mas juro que não conseguia acreditar que aquela menina merecesse estar tão triste. No fundo eu esperava que algum dia alguém pudesse fazê-la sorrir sem aquelas curvas de tristezas nos lábios. ” (Página 49)

Ashlyn acaba de perder a irmã gêmea para a leucemia. Além da imensa perda com a qual precisa lidar, ela também tem que aprender a conviver com o pai, já que sua mãe determinou que ela deveria partir para Edgewood no Wisconsin para morar com ele. O detalhe é que o relacionamento com o pai é praticamente inexistente e se restringia à telefonemas de aniversário e cartões de natal. E então, Ashlyn parte de trem para Edgewood levando consigo uma caixa repleta de cartas deixadas pela irmã.

O primeiro encontro de Ashlyn com Daniel foi no trem indo para Wisconsin. É na estação de trem que eles têm seu primeiro contato e Daniel lhe convida para ir vê-lo tocar com sua banda no bar do Joe. E aí, basta um encontro, a descoberta de uma admiração mútua por Shakespeare e a partilha da dor provocada por perdas irreparáveis, para que atração seja imediata. O que Ashlyn não esperava, era encontrar Daniel na escola onde ela irá cursar o último ano do ensino médio e onde seu pai é vice-diretor, muito menos no papel de Sr. Daniels, seu professor de inglês! E sem conseguirem resistir um ao outro, eles embarcam em um relacionamento secreto. É preciso cuidado para ninguém descobrir e sangue frio para passar por algumas situações. E como se não bastasse isso, Daniel também precisa lidar com situações problemáticas do seu passado. Continuar lendo

2 Comentários

Arquivado em Editoras Parceiras, Grupo Editorial Record, Resenhas da Núbia