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Apaixonada por Palavras (Paula Pimenta)

apaixonada por palavras

“É rara a ocasião em que não estou com um livro por perto, e mais raro ainda é o momento que não estou com um bloco e uma caneta. Sempre anotando, pensando por escrito. Porque, se o amor à primeira vista aconteceu com as palavras lidas, o mesmo, e ainda mais forte, aconteceu com as manuscritas.”

(trecho da Introdução de Apaixonada por Palavras)

Pensar por escrito, está aí um hábito que tenho desde que me entendo por gente e depois da classe de alfabetização e cadernos de caligrafia. Pena que minhas aventuras pelo mundo das palavras se restringem às minhas leituras e as anotações que faço delas, talvez se não tivesse largado o hábito de escrever crônicas lá no ensino médio, conseguisse escrever uma crônica para falar das belas crônicas escritas por Paula. O jeito é me contentar com meus arremedos de resenhas.

Em Apaixonada por Palavras podemos acompanhar a Paula de dez anos atrás que já dava mostras da habilidade de “brincar” com as palavras e através delas falar de sonhos, amores, saudades, amizade e outros assuntos do seu (mas que também foram e ainda são do nosso) cotidiano. São nove anos de histórias, nove anos de fotografias em palavras, em sua maioria textos sobre amor e relacionamentos, mas também há espaços para textos mais sérios e tristes e também para textos sobre períodos marcantes de sua vida como a história da publicação de Fazendo Meu Filme. Depois de acompanhar o roteiro da vida da Fani, começar a acompanhar a vida fora de série da Priscila e ler Apaixonada por Palavras, cheguei a conclusão de que a identificação com as obras da Paula é inerente. Identificamo-nos com seus personagens tão habilmente construídos em seus romances, e também com a autora de carne e osso por trás deles que nos é revelada em seu livro de crônicas.

trecho apaixonada

Dos textos escolhidos para essa coletânea, tenho os meus preferidos: Casa, escrito em agosto de 2005, que fala sobre o período em que ela morou em Londres e a saudade constante companheira dessa época; O Filme da Minha Vida (setembro de 2005) e Bem Guardado (janeiro de 2008), ambas que falam sobre as lembranças, algumas que ficam só na memória, nossos filmes particulares, outras que voltam sempre que nos deparamos com as provas físicas de que aconteceram. Ri, chorei e tive momentos de fofurice lendo Apaixonada por Palavras. E, ah, amei o texto escolhido para encerrar o livro (Ani-versário). Crônica repleta de Paula e de suas esperanças de escritora. Aproveito a oportunidade para desejar que venham muitos anos e que em todos eles a Paula guarde muitos versos, ou melhor, compartilhe-os com seus leitores. Se você como eu também é apaixonada por crônicas, vale a pena conhecer os textos da Paula e correr o risco de se apaixonar por eles, se ainda não leu nada do gênero eis uma oportunidade para começar. Fiquei muito contente em saber que há planos para uma segunda coletânea.

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Anna e o Beijo Francês (Stephanie Perkins)

A Mari já leu e resenhou Anna e o Beijo Francês, para saber o que ela achou, clique aqui.

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“E, então, minha mãe faz algo que, apesar de toda papelada, passagens aéreas e apresentações, eu não esperava. Algo que teria acontecido de qualquer forma daqui a um ano, assim que eu partisse para a universidade…

Minha mãe vai embora. Eu estou sozinha!”

Anna Oliphant é uma jovem americana de Atlanta que acaba de ser matriculada na SOAP, School of America in Paris, para cursar seu último ano do ensino médio. Isso mesmo, em Paris! Só que a garota não está muito contente com a decisão paterna de mandá-la para o outro lado do Atlântico, longe da sua família (em especial de seu irmãozinho Sean), de sua inseparável amiga Bridgette e de Toph o garoto por quem está interessada. Mas, em seu primeiro ataque de pânico após ser deixada sozinha em Paris, Anna conhece Meredith que acaba por entrosar Anna em seu grupo de amigos na SOAP: Josh, Rashimi e Étienne St. Clair, o americano-francês com sotaque britânico por quem Anna (apesar de resistir, afinal o garoto tem namorada) acaba sentindo algo mais. A partir de então passamos a acompanhar a adaptação da garota na nova escola, sua relação com os novos amigos e o relacionamento complicado com St. Clair. Um relacionamento que às vezes parece ao ponto de deslanchar, mas que ao mesmo tempo tem tantos impedimentos que parece destinado a não acontecer. Em meio a desencontros, mal entendidos, brigas e discussões, Anna aprende a repensar suas relações e agir de forma diferente com as pessoas que fazem parte de sua vida.

Ah gente, é um romance juvenil e por mais que a história pareça bobinha é impossível largar o livro depois que você começa a ler. A premissa pode até ser simples, mas Stephanie soube dar profundidade aos seus personagens e criar uma história divertida de se acompanhar.  É Anna que nos conta sua história e em alguns momentos a autora utilizou a técnica do fluxo de consciência com a personagem. O que contribuiu para rechear a história com comentários bastante pertinentes e com divagações hilárias na maioria das vezes. Com Anna também descobrimos Paris, mas mais do que um route tour pela cidade luz, a garota nos descortina os cinemas parisienses, que se tornam praticamente sua segunda casa e fazem esse ano longe de casa nem parecer mais tão ruim assim. E, como boa aficionada por cinema, Anna nos brinda ao longo da narrativa com seus comentários sobre diversas obras: roteiros, diretores, atrizes, todos passam por seu crivo e pelo blog que ela mantém. Continuar lendo

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First Light (Rebecca Stead)

First light

No Ártico, a casa de um importante filantropo teve que ser demolida por causa do derretimento da camada de gelo na qual foi construída. Isso é o que basta para que ele conceda fundos para uma universidade americana estudar os efeitos do aquecimento global nessa imensidão branca.  É assim que o garoto Peter se vê deixando Nova York junto com a mãe para acompanhar o seu pai, o glaciólogo Dr. Gregory Solemn à Groelândia.

Na Groelândia, ou para ser mais específica, no subsolo há Gracehope. O submundo do gelo idealizado por Grace. Uma comunidade sob o gelo fundada por antigos colonos ingleses, que encontraram ali um local seguro para desenvolver as “estranhas habilidades” que possuem. Nesse mundo secreto vive Thea, uma garota que sonha em ver a luz do sol e que quer levar adiante o sonho que sua mãe tinha quando era viva. Empreender uma jornada até o mundo exterior para conseguir conquistar novas partes do subsolo e assim aumentar os domínios de Gracehope para que a comunidade possa voltar a crescer.

Esses dois garotos, aparentemente tão diferentes, tem mais em comum do que podem supor e no momento que os mundos de ambos se cruzam, segredos do passado são revelados e novas possibilidades de fazer história surgem. Para desvendar essa história, Rebecca nos convida à desbravar essa imensidão branca e a penetrar nas profundezas do gelo para descobrir um mundo diferente, com habitantes cativantes e um modo de vida bastante peculiar. Um mundo que querendo ou não, terá que se preparar para as modificações que as mudanças no mundo estão provocando no gelo que o protege. Eis aqui mais um dos fatos que contribuiu para me fazer cair de amores pela obra: a ciência. Tanto o destaque para as pesquisas climáticas do pai de Peter, quanto às pesquisas feitas pela mãe do garoto, que é bióloga molecular! Aliás, é muito interessante o fato de a autora ter dado destaque à pesquisa da mãe de Peter com DNA mitocondrial. Para quem não sabe o DNA mitocondrial é herdado a partir da linhagem materna, assim um indivíduo, sua mãe e todos seus parentes maternos compartilham essa herança genética. É simplesmente impossível não traçar paralelos com a sociedade matriarcal de Gracehope, na qual todos sabem de qual ventre nasceram, mas não fazem ideia de quem foi o responsável por fornecer os outros 50% do material genético para sua formação. Continuar lendo

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O Reino do Dragão de Ouro (Isabel Allende)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos do segundo livro da trilogia As Aventuras da Águia e do Jaguar e pode haver spoilers (evitados ao máximo) sobre fatos do livro anterior. Para saber o que eu achei do primeiro livro, confira os links no final desta resenha.

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Depois da viagem a floresta amazônica acompanhando a avó Kate Cold e após todas as aventuras passadas com sua amiga brasileira Nádia Santos junto ao povo da neblina, Alex Cold descobriu que herdou o espírito aventureiro da avó e mal pode esperar para que a avó seja enviada para algum outro recanto milenar da Terra. Suas aventuras com Nádia, além de terem impedido uma perigosa quadrilha de exterminarem uma das últimas tribos indígenas intocadas, também possibilitaram que uma fundação fosse criada para proteger os índios da Amazônia e em especial o povo da neblina. Ao que parece, as coisas por lá, se não estão devidamente protegidas, pelo menos não estão largadas a própria sorte e aos interesses cobiçosos dos nahab. E uma nova aventura se descortina para Kate e os garotos, dessa vez, saímos do mundo espiritual dos xamãs e adentramos no dos budistas tibetanos.

A revista internacional na qual Kate é colaboradora a enviou para um misterioso e protegido reino situado entre os picos da cordilheira do Himalaia. Mas, não é só a revista que está interessada no pequeno país, infelizmente olhos cobiçosos estão voltados para o país nesse mesmo momento. Tudo por causa de uma antiga lenda, uma lenda que fala sobre uma estátua de um dragão feita de ouro e pedras preciosas que tem propriedades mágicas. Propriedades que um homem está interessado em usar para controlar o mercado financeiro mundial. De repente, um reino que há muito anos está em paz, vê-se alvo de tragédias provocadas por um homem que não se contenta em ser apenas o segundo homem mais rico do mundo. Mas, é claro que os garotos acabam se envolvendo e junto com outros moradores do lugar irão lutar para impedir que esse país seja destruído e que a paz volte a reinar. Continuar lendo

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Starters (Lissa Price)

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Callie Woodland perdeu os pais durante o evento catastrófico Guerra dos Esporos assolou seu país, os Estados Unidos. Apenas os Starters e Enders sobreviveram. Todas as pessoas entre 20 e 60 anos morreram.

“Foi uma guerra, gente. Ninguém venceu. Nem nós, nem os países do Anel do Pacifico. Em menos de um ano, a face da América mudara para algumas gotas de Starters como eu em meio a um oceano de Enders de cabelos prateados – ricos, bem alimentados e despreocupados.”

Ela e seu irmão mais novo (Tyler) vivem junto com o amigo Michael, nas ruas, lutando contra rebeldes e fazendo de tudo para permanecerem à margem do sistema dominado pelos Enders. Sistema esse que condena os Starters órfãos a instituições de trabalho forçado e sem nenhuma dignidade, sistema que impede que Starters menores de idade possam viver normalmente em sociedade e que possam trabalhar, sistema que faz vistas grossas aos negócios escusos da Prime Destinations, porque o trabalho que ali é feito é de interesse dos Enders endinheirados e enjoados da boa vida que levam, melhor dizendo, do corpo que os impede de realizar tudo que seu dinheiro pode comprar. A Prime Destinations, fica em Beverly Hills e está sob comando do Velho, que ninguém sabe quem é e ninguém nunca o viu sem seus disfarces. A empresa contrata jovens Starters para alugarem seus corpos aos Enders que desejam experimentar a juventude novamente. Em troca, além do dinheiro, os jovens ganham uma repaginada completa na aparência, pele, cabelos, um ossinho maior aqui, tudo pode ser modificado em busca da perfeição procurada pelos locatários.

A vida nas ruas já não é fácil e para Callie isso ainda é agravado pela doença de Tyler que só parece piorar com a vida errante que estão condenados a levar. É assim que a garota acaba alugando seu corpo, sem imaginar que essa transação colocaria sua vida em risco. Em seu último “aluguel corporal” algo parece estar dando profundamente errado. Porque Callie retornou ao seu corpo passado apenas uma semana do contrato de um mês? Que voz é essa que consegue se comunicar diretamente com ela em sua cabeça? E quais são os interesses dela que parecem envolver um importante senador e os negócios da Prime? Se passando por inquilina, Callie percebe os negócios escusos da Prime e entra na batalha para que a empresa não consiga se infiltrar no governo e tornar a vida dos Starters mais difícil do que já é. Continuar lendo

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Maze Runner – A Cura Mortal (James Dashner)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos do último livro da trilogia Maze Runner e pode haver spoilers (evitados ao máximo) sobre fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final desta resenha.

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No primeiro livro da trilogia Maze Runner nos deparamos com um experimento maluco que parecia ter por único objetivo apenas eliminar os fracos e desvalidos (e muitas vezes com requintes de crueldade), mas o que parecia ser apenas um típico terror psicológico ganhou ares de distopia e o experimento mostrou-se como sendo parte de algo maior para encontrar-se a cura para a temível doença que está devastando a Terra.  A segunda fase do experimento que prometia a Cura para o Fulgor foi completada, mas os objetivos do CRUEL estão longe de serem alcançados.

“Poderíamos ter detido a disseminação da doença, em vez de canalizar recursos para curá-la. Mas o CRUEL sugou todo o nosso dinheiro e as melhores pessoas que tínhamos disponíveis. E não é só: deram-nos falsas esperanças; ninguém tomou as precauções devidas. Pensaram     que, no fim, uma cura mágica os salvaria. Mas, se esperarmos um segundo a mais, não haverá ninguém para ser salvo.”

Como salientado no trecho acima, a busca por uma cura, acabou se tornando um objetivo utópico e ufanista, os cientista perderam-se em seus desejos e a instituição que surgiu para combater a doença e garantir a persistência da vida humana, acabou contribuindo para acelerar a contaminação de todos. A história pode até ter ares de Apocalipse, afinal as tempestades solares foram eventos que não puderam ser evitados e que desolaram grandes porções de terra. Mas, o terror impingido pelo Fulgor é obra humana. O vírus não chegou a terra com as tempestades solares, ele já existia aqui e foi libertado pela irresponsabilidade e o egocentrismo de alguns de acharem-se no direito de comandar e modificar eventos que influenciariam a vida de todos. A Terra está cada vez mais destruída e a salvação cada vez mais longe e é com esse sentimento de derrota que somos confrontados durante toda a narrativa do último volume da trilogia. Assim como os Clareanos fomos enganados pelo CRUEL e levados a achar que todo sofrimento teria fim e que a cura poderia ser alcançada, mas as vítimas do Fulgor são cada vez mais numerosas e o martírio de lidar com ela tão mais próximo e doloroso, que correr de alguns Verdugos parece ser em alguns momentos uma batalha muito menos estafante. Continuar lendo

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Maze Runner – Prova de Fogo (James Dashner)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos do segundo livro da trilogia Maze Runner e pode haver spoilers (evitados ao máximo) sobre fatos do livro anterior. Para saber o que eu achei do primeiro livro, confira os links no final desta resenha.

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“E, embora não possa lhes dizer tudo neste momento, é imprescindível que saibam o seguinte: esses experimentos pelos quais estão passando acontecem por uma causa muito importante. Continuem a reagir bem às Variáveis, continuem a sobreviver e serão recompensados com o conhecimento de que desempenharam um papel importante na tentativa de salvar a raça humana. E a vocês mesmos, é claro.”

À primeira vista a trilogia Maze Runner poderia se tratar apenas de um experimento maluco no qual decidiram jogar alguns garotos dentro de um labirinto e estudar seus comportamentos frente ao perigo e ao desejo de escapar dessa prisão. Mas, lembra-se do arcabouço que eu comentei na resenha passada? Pois é, o que se delineava apenas como um thriller psicológico mostra que na verdade é uma distopia bem construída, e se os elementos que a caracterizavam como tal eram apenas sugestões, em Prova de Fogo os garotos são lançados nesse pouco admirável mundo novo e são confrontados com o mal terrível que acabou acarretando a construção do Labirinto.

A Terra da qual eles ainda não se lembram, foi atingida há algum tempo por fortes tempestades solares, que além de terem desolado vastas regiões do planeta ainda provocaram o surgimento de uma doença. O Fulgor, também chamada por alguns de Fúria transformou o planeta em um filme de terror tipo B, porque essa doença não mata silenciosamente, ela ataca o sistema nervoso e em seus estágios avançados transforma humanos em bestas, chamadas Cranks, que se esquecem de suas vidas passadas e comem uns aos outros quando são totalmente dominados por seus instintos animais. Acho que imaginá-los como os zumbis 2.0 de The Walking Dead seria uma forma de enxergar o poder destrutivo dessa doença. E é contra ela que os garotos serão confrontados, porque quando escapam do Labirinto eles descobrem que ele era apenas o experimento inicial, que testes espelhados foram feitos só que com garotas e que tudo faz parte de um plano maior que tem por objetivo encontrar a cura para essa doença. E o pior é que o CRUEL, instituição intergovernamental criada para combater esse mal, ainda não terminou com eles, porque mais estudos são necessários e eles ainda não estão prontos para libertar suas cobaias.  E a segunda fase desse experimento promete momentos realmente difíceis. Continuar lendo

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Maze Runner – Correr ou Morrer (James Dashner)

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A trilogia Maze Runner começou a ser publicada em 2009 e no Brasil pela editora V&R a partir de 2010. Desde essa época tenho o primeiro exemplar na estante e protelei sua leitura porque queria ler só depois que a trilogia fosse terminada, ou pelo menos estivesse em vias de ser concluída. Por quê? Porque minha mãe começou a ler a série e ficou com raiva por que a história não terminava e o bendito do gancho deixado pelo autor era de deixar o leitor se corroendo de curiosidade, hahaha. Hoje entendo a reclamação, também ficaria do mesmo jeito se não tivesse todos os livros para ler de uma tacada só. Dashner construiu uma história repleta de mistério, dramas psicológicos e com uma alta carga de adrenalina e situações, que quase (QUASE) podem ser comparadas às dos filmes de açougueiro (leia filmes de terror, nos quais sangue e corpos mutilados não são negados ao telespectador). E só digo quase, porque apesar de todo o sangue, o autor conseguiu construir um arcabouço convincente por trás da situação vivida pelos personagens, que sustenta a história do primeiro livro e abre caminhos para serem explorados nos livros seguintes. Aos que estão fascinados pelas distopias que andam sendo publicadas atualmente, está é mais uma que merece ser conhecida.

Tudo começa com ele acordando em um elevador escuro. A única coisa que lembra é que se chama Thomas, mas, não sabe seu sobrenome, quem são seus pais ou de onde veio. E é esse menino aterrorizado que de repente se vê lançado a um lugar chamado Clareira. Um lugar habitado apenas por garotos (que se autodenominam de Clareanos), cercado por altos muros e que funciona como uma prisão. O único contato deles com o que acreditam existir fora dali é através do elevador que traz a cada mês mais um garoto e uma vez por semana alguns suprimentos. Quem os colocou lá e com que finalidade são as dúvidas que permeiam todo o livro, a única coisa que eles sabem é que para escapar dali devem decifrar o segredo do Labirinto que cerca a Clareira e a tarefa além de cansativa é bastante perigosa porque lá é o “lar” dos Verdugos, criaturas bastante mortíferas. A “entrega” de Thomas poderia ser apenas a de mais um calouro chegando, mas os padrões foram quebrados. Porque depois de Thomas, uma garota foi enviada. Teresa chega com uma mensagem que deixa todos alvoroçados e Thomas começa a perceber que não é apenas mais um calouro e que as coisas na Clareira nunca mais serão as mesmas… Continuar lendo

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A Sombra da Serpente (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do terceiro e último livro da série As Crônicas dos Kane e pode haver spoilers sobre fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final da resenha.

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No último volume da trilogia Sadie e Carter têm um importante papel e seus poderes serão fundamentais para a restauração do Maat, a ordem do mundo. E com Apófis, a serpente do Caos, liberto essa tarefa torna-se ainda mais difícil, já que agora eles têm que correr contra o tempo para evitar que a serpente destrua o planeta e no meio disso tudo tendo que lidar com magos revoltosos, casas de magia sendo destruídas e deuses ficando cada vez mais enfraquecidos. A única chance dos dois jovens magos é tentar uma magia que pode lhes custar a vida e para isso, vão ter que ir atrás da alma de um mago psicótico no Duat e impedir seu julgamento, além disso, Walt, uma peça necessária para que o plano dê certo, está com seus dias entre os vivos contados.

Bailes de formatura, pinguins, um triângulo amoroso para lá de esquisito, um livro perdido de um deus e lidar com um deus gagá são só partes do que esses irmãos terão que enfrentar para vencer mais esse desafio. Riordan caprichou nesse último volume, que nada deixa a dever a seus antecessores em aventuras, tramoias e surpresas. Como tinha comentado nas resenhas anteriores, a estrutura narrativa utilizada por Riordan apesar de todos os comentários e discussões em off de Sadie e Carter (que aliás foi uma das melhores coisas feitas pelo autor, já que serviu para aproximar o leitor dos personagens e garantir o tom divertido da história), acaba podando um pouco o autor, pois já é determinista. Apesar, de todos os percalços, no fim ambos se deram bem, afinal, as fitas foram gravadas depois de todos os eventos terem acontecido. Mas, após a leitura de A Sombra da Serpente relevei essa minha birra, a história tem tantas surpresas ao longo da narrativa que acaba superando tudo isso. E eu que já tinha sido cativada pelas mitologias grega e romana, rendi-me de vez à mitologia egípcia e aos personagens criados pelo autor. Sadie e Carter não ficam devendo nada perante seu personagem mais famoso (aka Percy) e seus companheiros de aventuras também são bem interessantes: Khufu, Felix, Bes e outros tantos tornam algumas passagens deveras divertidas. A representatividade de vários países em alguns personagens também deve ter agradado alguns leitores ao redor do mundo. É impossível não ficar toda feliz ao ver que a personagem que Riordan escolheu para ter nacionalidade brasileira (a Cleo) é uma fã de livros, responsável pela biblioteca da Casa do Brooklyn e que pode pirar só de pensar em alguém maltratando um livro. Rola uma identificação e um desejo do país cada vez mais fazer jus a essa imagem, com cada vez mais leitores. Continuar lendo

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GO (Nick Farewell)

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Nick Farewell sempre se considerou muito mais leitor que escritor e durante muito tempo protelou a publicação de seu romance, já que começou a escrever muito mais para aprender a se expressar do que com o objetivo de se tornar um escritor (http://osegredodosescritores.blogspot.com.br/2009/10/entrevista-com-nick-farewell.html). Ainda bem que ele tomou coragem e GO marca a sua estreia no mundo literário.

“Mas essa não é a história do homem que lia pensamentos. Acredite, qualquer um pode fazer. O que eu quero contar para você é como um homem comum pode ser, ou se você preferir, ter o que quiser. Afinal o que eu quero da vida? A resposta é mais estúpida e genial possível: eu quero viver.”

A história se passa em São Paulo (sim gente, o autor é brasileiro). Nela conhecemos um cinéfilo, leitor compulsivo, DJ nas “horas vagas”, com problemas de relacionamento e que tem como projeto de vida conseguir terminar o romance que está escrevendo. Ele, que não nos entrega seu nome e atende pela alcunha de Mr. Fahrenheit, se entrega à elucubrações sobre a vida, os conhecidos, sobre como conseguir uma refeição gratuita, meios de trabalho ilegais, literatura e autores beat e outras informações que ele considera necessárias para viver a vida. E o início do livro basicamente se restringe a esses elementos. A história não entrega a que veio e se não podemos imaginar o que esperar para o protagonista, pelo menos, podemos contar com diálogos (ou monólogos como bem pontuado por ele) verborrágicos, filosóficos e humorados, apesar de toda melancolia que parece rondar sua vida. Talvez seja por isso que o início da leitura de GO foi demorada. O romance demora a engrenar e acho que em grande parte isso ocorreu porque demorei a me acostumar com o fluxo de consciência pessimista e com a tendência ao sofrimento que o protagonista vivia a se autoimpor. Continuar lendo

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