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Nimona (Noelle Stevenson)

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Noelle Stevenson entrou no meu radar com a obra Lumberjanes, uma série em quadrinhos que acompanha as aventuras de cinco amigas que vão passar o verão num acampamento de escoteiros. Uma série criada por mulheres (além de Noelle, Grace Ellis, Shannon Watters e Brooke Allen também respondem pela autoria) e protagonizadas por personagens femininas, da qual só ouvi elogios de quem já conferiu e que acaba de chegar ao Brasil pela Devir. Lumberjanes chamou minha atenção para a ilustradora, e Nimona me deu a certeza de que quero continuar acompanhando seus trabalhos.

Nimona surgiu como uma webcomic, a Noelle publicava uma página por semana no seu Tumblr. E fez tanto sucesso, que a HarperCollins comprou os direitos de publicação antes mesmo da série ser finalizada. A hq foi publicada, com algumas modificações, em 2015.

A trama mistura elementos de cavalaria, magia e ciência, e conta com uma protagonista que encarna a anti-heroína, com ideias ferrenhas e um tanto exacerbadas e um visual que foge de todos os estereótipos. Nimona cativa por quem ela é, mesmo com sua sede pelo mau feito e pelos ânimos um pouco exaltados, mas, principalmente pelo seu humor, sua característica peculiar de se metamorfosear e sua independência. Continuar lendo

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Cidade dos Etéreos (Ransom Riggs)

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No segundo volume da série O Lar da Srta. Peregrine reencontramos as crianças exatamente onde Riggs as deixou: tendo de abandonar a fenda temporal de Cairnholm e a casa que durante muito tempo chamaram de lar. Jacob escolhera ficar e ajudá-los a curar a Srta. Peregrine presa indefinidamente na forma de ave.

“Éramos dez crianças e uma ave em três pequenos barcos instáveis, remando em silêncio, com vontade, para alto-mar, deixando para trás rapidamente a única baía segura em quilômetros, que se exibia rochosa e mágica à luz azul-dourada do amanhecer.

(…)

… o mundo que eu escolhera, tudo o que eu tinha nele, nossas preciosas vidas peculiares, tudo contido em três lascas de madeira à deriva sobre o olho vasto e sempre aberto do mar. ” (Página 17)

 

A linguagem gráfica, tão característica da série, continua efetiva e Riggs insere também elementos da cultura peculiar por meio do livro fábulas “Contos Peculiares” (já publicado pela Intrínseca) que também têm sua importância para o desenvolvimento da história.

E, se no primeiro livro a descoberta coube inteiramente à Jacob, neste volume a aventura é de todas as crianças. Partir de Cairnholm e ir em busca de outra ymbryne que possa ajudar a Srta. Peregrine, as lança em uma jornada pelas fendas temporais, desbravando novos tempos (na verdade, velhos tempos), esbarrando com outros peculiares, descobrindo novos poderes e enfrentando situações de vida e morte. Continuar lendo

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O Forte – Bernard Cornwell

O Forte

Durante a Guerra da Independência dos EUA, tropas britânicas foram enviadas ao estado de Massachusetts com o objetivo de construir uma fortificação que seria a base da Marinha Real Britânica, para diminuir os ataques de corsários na região. O major McLean leva seus 700 homens a Majabigwaduce e começa a construir o Forte George. Pouco tempo depois, as forças rebeldes do estado se organizam e partem em uma campanha para expulsá-los.

Do lado britânico, além de Mc Lean, temos o —— Mowat e o tenente John Moore, que viria a revolucionar o exército britânico. Os rebeldes contam com Solomon Lovell, Peleg Wadsworth, Dudley Saltonstall e Paul Revere, este último famoso por sua cavalgada noturna avisando da chegada dos ingleses. E logo aprendemos que Lovell e Saltonstall não se dão bem, e que Paul Revere se ressente todos e não gosta de receber ordens.

Após explorar os detalhes de cada uma das campanhas, os dois exércitos estão frente a frente. O que eles vão fazer ficará para sempre registrado nas páginas da história. Este livro é bastante diferente dos outros livros do autor. Aqui, ele foca bastante nos detalhes dos bastidores dos dois lados da batalha, normalmente, sabemos mais ou menos a mesma coisa que o herói (Sharpe, Uhtred, Thomas ou Derfel). Se por um lado os vários nomes possam deixar o leitor confuso, por outro, a não ser que você já saiba quem ganhou, a história retém seu suspense. Continuar lendo

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Sorteio da série Sereia de Vidro

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O autor Marcelo Antinori, da série “A Sereia de Vidro”, entrou em contato comigo com a notícia incrível de que a série vai ser publicada pela Editora Sesi. Para comemorar, ele gostaria de enviar os três primeiros livros para um(a) leitor(a) sortuda do Blablabla!

Estes livros, além de terem uma história bastante interessante sobre as pessoas que moram na São Paulo escondida dos olhos dos turistas, são pequenos e levinhos, tornando-os perfeitos para quem quer ler no caminho do trabalho, mas não tem como carregar uma bolsa gigante para guardar o livro. São melhores que os livros de bolso que não cabem em nenhum bolso.

Leia a resenha do primeiro e do segundo aqui no blog.

Então, sem mais delongas vamos ao sorteio. Ele será realizado no Facebook (Clique Aqui). E as regras são simples:

  • Curtir as páginas do Blablabla Aleatório e do autor, Marcelo Antinori, no Facebook e clicar em QUERO PARTICIPAR.
  • Ter um endereço de entrega no Brasil.
  • Não é obrigatório compartilhar a imagem do sorteio (mas caso queira agradecemos).
  • Você poderá se inscrever até o dia 14/10/2016.
  • O ganhador deverá fornecer os dados completos (incluindo o RG) para envio do prêmio em até 48 horas. Entre em contato pelo e-mail do blog, pelo formulário de contato ou Inbox no FB.
  • O prêmio será enviado diretamente pelo autor em até 30 dias.

Boa sorte!

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Os Crimes do Dançarino da Sé – Marcelo Antinori

Atenção! Esta é a resenha do segundo livro da série “Sereia de Vidro”, de Marcelo Antinori, e pode conter spoilers não intencionais do roteiro do livro anterior. Para conferir a resenha do primeiro livro da série, clique aqui.

Pouco depois do retorno de Ana Paula a São Paulo, o comando que Coutinho tem sobre o centro da cidade é posto à prova quando um crime horrendo é cometido no meio do seu território. O corpo decapitado de um mendigo foi deixado em um carrinho de supermercado na praça da Sé por uma pessoa que atravessou o centro da cidade passeando com o defunto.

Madre Cristina, a freira leitora de cartas de tarô que conhecemos no primeiro livro, entra em contato com o narrador da história – que permanece sem nome – para lhe informar que a “Dama de Ouros” está correndo perigo. Ao confrontar Luciana, ele descobre que ela tem mantido segredo sobre um homem que a tem perseguido nos últimos meses.

Estas duas histórias aparentemente desconexas logo se misturam quando o narrador (que eu apelidei de Marcelo em homenagem ao autor) se une a Ana Pérsia para tentar capturar o Dançarino da Sé e conquistar a confiança de Coutinho.

No segundo livro da série “A Sereia de Vidro”, o narrador se sente bem mais à vontade com a vida dupla que vem levando, e chega até a assumir que é hipócrita (por que? Leia o livro!). Eu estou bastante curiosa para saber aonde o desenvolvimento dele vai levá-lo, já que eu ainda não consegui simpatizar com o narrador porque as morais dele são tão diferentes das minhas. Continuar lendo

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Pax (Sara Pennypacker)

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Sou daquelas que acreditam que para a leitura não há idade e não há espaço para o preconceito (ao menos a gente tenta né). Da mesma forma que um pré-adolescente pode resolver encarar um “livro cabeça” e ter sim uma leitura prazerosa, um adulto pode se encantar por um livro destinado ao público infantil e dele tirar lições para a vida. Com Pax, Sara Pennypacker reforçou esse sentimento trazendo a bela história de amizade de um garoto e sua raposa. Uma história para encantar as crianças e fazer palpitar até os corações adultos mais peludos.

Peter e Pax são inseparáveis. Peter encontrou Pax, a raposa, quando este tinha poucos dias de vida. Desde então ele cuidou de Pax, e Pax cuidou dele, até chegar a guerra… O pai de Peter irá para o exército e o garoto terá de ir morar com o avô, e Pax não poderá ir junto. A raposa que nunca viveu no ambiente selvagem é abandonada, mas logo Peter se arrepende, se rebela e parte em busca do amigo. Continuar lendo

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Mistério no Centro Histórico (Tailor Diniz)

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No prefácio de Crime na Feira do Livro (2010), a obra na qual Diniz nos apresenta o detetive Walter Jacquet, o autor havia comentado sobre a dificuldade em dar continuidade a outras histórias com o personagem, uma pendenga que foi solucionada por ele. Em Mistério no Centro Histórico Diniz resgata seus personagens e nos convida a enveredar novamente pela cidade de Porto Alegre. Estão de volta Walter Jacquet, seu amigo Joãozinho e Inácia, a governanta de Joãozinho que tem o dom de fazer comentários certeiros e por vezes hilários.

Apesar de editorialmente ser mais recente do que Crime na Feira do Livro, a trama de Mistério no Centro Histórico é mais antiga. Enquanto a trama sobre o assassinato de Adavílson Doceiro tem lugar em 2008, neste os acontecimentos se passam em 2002, isso porque a ideia para essa história tem raízes antigas. A trama que envolve um suposto atentado terrorista no centro histórico de Porto Alegre, a criação de um romance e a confrontação dos fatos pelo uso da lógica, surgiu de um projeto de mestrado apresentado por Diniz à PUCRS há cerca de dez anos.  A proposta não foi selecionada, mas Diniz decidiu não abandonar a trama e finalizar a história.

Na trama, Joãozinho Macedônio, aspirante a escritor, finalmente consegue escrever uma novela baseada em um fato real, a explosão de uma bomba no centro histórico de Porto Alegre. Por depositar todas as suas esperanças nesse manuscrito, ele logo pede que seu amigo – o detetive Walter Jacquet recém-chegado dos EUA para uma temporada na cidade – avalie a sua história. Bomba explodindo em lugar diferente do sugerido por uma denúncia anônima, muitos interesses políticos e uma pressa suspeita em capturar o autor do atentado, incitam Walter a utilizar a lógica para desconstruir passa-a-passo o caso (e para desespero de Joãozinho de sua novela) e enveredar por suas próprias investigações. Continuar lendo

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Destinos e Fúrias (Lauren Groff)

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Terminei de ler Destinos e Fúrias há um tempinho já, mas para escrever esta resenha, precisei ruminar um pouco essa história. A trama de Groff me deixou com sentimentos ambíguos. Foi um livro com o qual a leitura não fluiu totalmente, várias vezes interrompi a leitura porque os personagens não conseguiam me prender. Lotto e Mathilde não são personagens fáceis de ‘engolir’, eles não te cativam logo de cara e, durante muito tempo você até mesmo não gosta deles, o que te faz pensar muitas vezes sobre qual foi o objetivo de Groff ao escrever uma história sobre personagens tão, na falta de melhor palavra para descrevê-los, antipáticos. Mas aí Groff faz sua mágica e você nem mesmo percebe. De repente você passa a enxergar a aura dourada de Lotto que sempre lhe angariou admiradores fiéis, e Mathilde revela toda a sua complexidade, sua força interior. Os defeitos de ambos continuam ali, e no fim das contas, são eles que os tornam mais humanos e acessíveis. E é assim que o livro com o qual comecei a leitura com a impressão de que não iria gostar, de que o auê em torno dele era injustificável e que não havia nada de mais na história de Groff, me pegou de jeito. O casal pode não ser tão extraordinário assim, mas Groff tornou o nosso papel de observadores desse casamento fascinante.

“- Minha esposa – disse. – Minha.

(…)

– Pare – pediu ela. Perdera o sorriso, tão tímido e constante que deixara o marido espantado de vê-la de perto sem um. – Ninguém é de ninguém. Fizemos algo grandioso. É novidade.

(…)

– Você tem razão – disse ele; pensando “Não”, pensando em quão profundamente pertenciam um ao outro. Sem dúvida.

Entre a pele dele e a dela havia o menor dos espaços, mal cabia ar, mal cabia a camada de suor que começava a esfriar. Mesmo assim, uma terceira pessoa, o casamento dos dois, se insinuara ali. ”

(Páginas 10 e 11)

Lotto e Mathilde se casaram aos 22 anos, loucamente apaixonados. É o pontapé inicial da narrativa de Groff que nos convida então a desvendar as facetas dessa união por intermédio de seus dois lados. Assim, Destinos e Fúrias torna-se dois livros. Destinos, narrado sob o ponto de vista de Lotto, traz sua história desde antes do seu nascimento: o envolvimento dos pais, o relacionamento com os amigos desaprovado pela mãe, o envio para o internato em outro estado, a solidão, a descoberta do teatro, seu despertar como don juan, o casamento com Mathilde… Continuar lendo

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O Oráculo Oculto (Rick Riordan)

CAPA-O-Oráculo-Oculto

Riordan desta vez foi bonzinho e não nos deixou muito tempo longe dos personagens que aprendemos tanto a gostar. Após a conclusão da série Os Heróis do Olimpo e seu enveredamento pelo mundo dos deuses nórdicos, era de se esperar que Riordan fosse dar uma pausa nos mundos grego e romano. A participação de Annabeth na história do primo Magnus Chase vinha como um alento para mantermos contato, ainda que indiretamente, com os semideuses já tão conhecidos. Mas, pelo visto Riordan não conseguiu ficar muito tempo afastado do Olimpo e de Long Island e o término da batalha contra Gaia forneceu a desculpa que faltava para ele começar uma nova história, desta vez com um toque divino a mais, na verdade, a menos, bem menos…

 “ Inspecionei meu novo corpo. Eu aparentava ser um adolescente caucasiano do sexo masculino, usando tênis, calça jeans e uma camisa polo verde. Muito sem graça. Eu me sentia enjoado, fraco e tão, tão humano.

       Nunca vou entender como vocês, mortais, toleram isso. Vocês passam a vida toda presos em um saco de carne, incapazes de apreciar os prazeres mais simples, como se transformar em um beija-flor ou se dissolver em pura luz.

 E agora, que os céus me ajudem, eu era um de vocês, apenas mais um saco de carne no universo.” (Página 11)

Zeus culpou Apolo pela batalha entre os deuses e Gaia e como punição o expulsou do Olimpo. O deus do sol foi parar na Terra, agora sob a forma de garoto (mortal) de 16 anos. Não é a primeira vez que Apolo passa por tal provação e se tem uma coisa que suas experiências anteriores lhe ensinaram, era que ele estaria destinado a servir um semideus e que ainda sofreria muito até cair nas graças de seu pai novamente. Ele só não contava ficar a serviço de Meg McCaffrey, uma semideusa sem-teto e maltrapilha que se defende com frutas; que o seu mais famoso oráculo (o Oráculo de Delfos) ainda não estivesse funcionando e que caberia a ele (e não a um grupo de semideuses, por mais famosos e competentes que sejam) reavê-lo; e que como apenas mais um saco de carne no universo, entraria na mira de um de seus adversários mais antigos (e ele não está sozinho). Continuar lendo

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Loney (Andrew Michael Hurley)

Loney

Loney, romance de estreia de Andrew Michael Hurley, traz a história de dois irmãos. Um deles mudo e o outro destinado a ser seu eterno protetor. O livro é narrado em primeira pessoa pelo irmão protetor. Interessante que mesmo Hanny sendo mudo, a ele o direito de sua identidade não lhe é negado. O irmão, apesar de narrador, protetor e intérprete de Hanny, dele nem mesmo seu primeiro nome nos é permitido saber. O que escancara ainda mais o quanto Smith (sobrenome da família) ou Tonto (apelido dado pelo Padre) se anulou ao longo dos anos impelido pela mãe superprotetora e intransigente. E é justamente na construção do relacionamento fraternal, o fato de Smith ser o único capaz de compreender os anseios de Hanny e dele não se importar com a deficiência do irmão, enxergada como uma mácula que precisa ser expurgada pela mãe; que repousa a melhor parte da história de Hurley. Supera até mesmo o Loney e sua atmosfera lúgubre e, principalmente, é muito mais interessante que todas as manias, preceitos e preconceitos da sra. Smith.

A história de Hurley tem início com Smith lendo a notícia do corpo de uma criança que foi encontrado em Coldbarrow. Um lugar sobre o qual há trinta anos ele não ouvia falar, e ao qual será necessário voltar por meio de suas reminiscências. Continuar lendo

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