Arquivo da categoria: Resenhas da Núbia

Onde as Sombras se Deitam (Michael Ridpath)

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Após escrever os primeiros capítulos de O Senhor dos Anéis, Tolkien deixou a obra em banho-maria durante alguns meses enquanto ruminava sobre como fazer para continuar a história e ligá-la ao seu primeiro romance O Hobbit. Bem, não é segredo para ninguém que o Um Anel foi o elo encontrado por ele para unir as duas histórias e criar uma das melhores sagas de fantasia de todos os tempos (ah, me deixa enaltecer um dos meus autores favoritos) e é justamente sobre como ele chegou a essa solução que Ridpath repousa o arcabouço de seu romance policial. Ambientado na Ilha do Fogo e do Gelo, Onde as Sombras se Deitam é o primeiro romance de uma série que tem como protagonista o detetive islandês Magnús Ragnarsson. E Tolkien e sua mitologia foram escolhidos como cartão de visita para que por meio da mitologia, Ridpath nos apresentasse esse país rico em misticismo e lendas. Mas, é lá em Boston que essa história começa… Continuar lendo

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Olho Por Olho (Jenny Han & Siobhan Vivian)

Olho-por-Olho

“Se for para entrar, é para ir até o fim. Até nós três conseguirmos o que queremos. Senão, bem… você pode se considerar a caça. A estação de caça vai abrir, e nós teremos muita munição para usar contra você. Se você não pode jurar que irá até o fim, então é melhor fingir que esta noite não ocorreu.”

Kat está cansada de servir de alvo para os comentários depreciativos de Rennie, alguém que um dia ela já considerara uma amiga e que agora banca a rainha do bullying com ela. Lilla está acostumada a servir de exemplo, guiar sua irmã mais nova e impedir que ela se machuque, mas por um descuido seu, a reputação de Nádia fica comprometida e ela sabe que não pode deixar isso passar em branco. Mary viveu na Ilha de Jar até os 13 anos, até que uma experiência traumatizante levou-a a deixar o lugar com sua família. Agora está de volta, determinada a dar a volta por cima e exorcizar os fantasmas do seu passado. Continuar lendo

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O Filho de Sobek (Rick Riordan)

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“Conversar com Percy estava me dando uma séria dor de cabeça.
(…)
Nós quase falávamos a mesma língua – magia, monstros, etc. Mas seu vocabulário estava todo errado.”

Na trilogia As Crônicas dos Kane, Riordan inaugurou uma atividade muito legal, ele utilizou easter eggs e fez algumas de suas obras “conversarem”, mais especificamente, nos livros dos deuses egípcios os deuses gregos começaram a fazer pequenas aparições. Long Island vivia sendo lembrada pela pessoal do Broklyn como sendo local de focos de magia inexplicáveis e desde a última aventura de Carter e Sadie eu mal podia esperar para ver o Egito fazer uma visita à Grécia. E não é que o tio Rick não perdeu tempo. Publicado originalmente em 2012 e traduzido e publicado em edição digital pela Intrínseca este ano, O Filho de Sobek é um pequeno conto que reúne em uma mesma aventura Carter Kane e seu personagem mais famoso Percy Jackson. Continuar lendo

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Passarinha (Kathryn Erskine)

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No dia 16 de abril de 2007, um atirador solitário assassinou 32 pessoas no Instituto Politécnico da Universidade da Virgínia e depois se suicidou. Esse ataque é considerado o maior massacre em uma universidade dos Estados Unidos. Foi esse episódio devastador que serviu de catalisador para Kathryn Erskine (que mora na Virgínia) criar uma história que falasse sobre como eventos desse tipo abalam nossas vidas e de como podemos lidar com eles, uma história que também servisse de grito de alerta, uma mensagem sobre como se pode ajudar a evitar a escalada da violência, simplesmente ouvindo e compreendendo o próximo. Também surgiu da necessidade de explicar como é para uma criança ser portadora de Asperger. A sua dificuldade de se fazer compreender e o trabalho que pode ser feito pela família e pela escola para ajudá-los. Foi assim que surgiu a protagonista Caitlin, uma garota de 10 anos, portadora de Asperger que de repente se vê privada da presença de seu irmão mais velho, assassinado em uma tragédia escolar, e tendo que lidar com o sentimento de perda que fez com que sua vida e a de seu pai desmoronasse.

Para Caitlin tudo é preto e branco, qualquer variação disso lhe dá uma baita sensação de recreio no estômago e uma vontade imensa de fazer bicho de pelúcia ou se aconchegar em seu esconderijo favorito. Era Devon, seu irmão mais velho, que entendia Caitlin, era por meio dele que o mundo fazia sentido a ela. Era ele que lhe ajudava a encarar o mundo e nesse novo mundo sem Devon, a comunicação está mais difícil. Com sua maneira peculiar de ver o mundo, Caitlin não percebe que está passando ao largo da perda recente e o pai vê-se de uma só vez privado de um filho e incapacitado de lidar com a filha. Entra em cena a Sra. Brook, terapeuta escolar de Caitlin, a adulta com quem mais ela fala atualmente e quem mais lhe incentiva no estabelecimento de novos relacionamentos. Continuar lendo

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Os Adoráveis (Sarra Manning)

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“Nunca esconda sua esquisitice, mas use-a como um escudo.”

Jeane Smith, uma inglesa de 17 anos, segue a risca esta e mais outras dez “regras” que fazem parte do manifesto dos dorks. Um estilo de vida defendido por ela em seu blog, o Adorkable. Os dorks não têm medo de ser estranhos, na verdade vivem para serem os mais estranhos possíveis e Jeane com seus figurinos garimpados em brechós e suas experiências (nem sempre bem sucedidas) de coloração capilar é a abelha rainha desse grupo. O seu blog já ganhou prêmios pelo The Guardian, um Bloggie Award e ela vive contribuindo com colunas para revistas internacionais e viajando para ministrar palestras sobre estilo de vida e atitude.

Ela está acostumada a lançar tendências e por fazer tanto sucesso costuma se achar a última bolachinha do pacote. Não que ela seja popular ou faça questão de ser, pelo menos não com os outros jovens de sua idade, principalmente àqueles que vestem roupas produzidas em massa e vendidas em grandes lojas. E quando ela quer ser chata, sai de perto, que ela é insuportável. Esses seriam motivos mais do que válidos para não suportarmos Jeane, mas Sarra criou uma personagem tão cativante que a gente acaba até relevando sua chatice. Isso porque não é só da dorkidade que Jeane vive, ela também é uma garota de 17 anos que escolheu viver sozinha porque a vida com os pais era insuportável e que mesmo tão independente, transparece carência. Você pode até tentar não gostar dela, mas a tarefa será bastante difícil. Continuar lendo

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À Sombra das Espadas (Kamran Pasha)

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Kamran Pasha, conhecido por seus roteiros de séries e filmes, acabou enveredando pela literatura por causa de uma tragédia e uma casualidade. Influenciado pelos ataques de 11 de setembro, Pasha concebeu À Sombra das Espadas como um roteiro cinematográfico, mas acabou sendo precedido nas telonas por Ridley Scott com Cruzada e o roteiro acabou transformado em romance.

Pasha tinha como objetivo ao escrever essa história não apenas dar vida às personalidades e aos acontecimentos históricos, mas também motivar uma reflexão sobre as lições que podemos tirar dos eventos históricos, em especial das Cruzadas, a guerra santa perpetrada pela intolerância religiosa e cultural. E para isso ele recheou seu texto de teologia e filosofia, mas acabou fazendo-o em demasia, e confesso que em alguns momentos fiquei entediada. Apesar disso, foi uma escolha acertada para colocar em discussão os conflitos religiosos que perduram até hoje. Continuar lendo

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Tipo Destino – Susane Colasanti

Quem acompanha o blog já deve ter percebido que apesar da aleatoriedade de nossos gostos, eu e a Mari frequentemente gostamos e acabamos lendo os mesmos livros. Não é à toa que há mais de uma resenha para vários livros aqui no blog.  Tipo Destino da Susane Colasanti estava cotado para ser mais um título a ter duas resenhas por aqui, mas decidi propor algo diferente para a Mari dessa vez. Como praticamente lemos o livro na mesma época e as resenhas acabariam saindo muito próximas, sugeri que experimentássemos fazer uma resenha dupla, acho a ideia bastante divertida, apesar de confusa como bem salientado pela Mari. Haha, veremos no que isso vai dar. Quem sabe não tentamos isso novamente no futuro? Então, só para situar os leitores segue uma legenda básica:

Comentários Mari

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Lani e Erin são melhores amigas. Elas têm aquela ligação que se forma quando se passa por uma situação bem intensa com a outra pessoa, e por isso elas são inseparáveis, o modelo de BFF (best friends forever – melhores amigas para sempre).

O interessante é que talvez, se não fosse pela situação que viveram no passado, elas não tivessem essa relação tão forte uma com a outra. Afinal, tirando o interesse mútuo pelo Destino, ambas são muito diferentes, na aparência, nos gostos, nos interesses escolares, nos grupos de amigos e no gosto por garotos…

As duas decidiram estudar o Destino, e aprenderam diversas coisas sobre como interpretar os sinais que a vida dá (a Professora Trelawney ficaria orgulhosa). Lani consegue até mesmo induzir Blake, seu melhor amigo, a ler o horóscopo todas as semanas, e realmente levá-lo a sério.

Não sou lá muito fã dessa onda esotérica (também não chego a ser um Sheldon da vida), mas confesso que acabei cativada por essa visão de Destino que a autora imbuiu nas personagens. Lani é defensora ferrenha da Astrologia, mas o seu apego tem fundamento, afinal, foi a forma que ela encontrou para enfrentar seu medo do Desconhecido, isso mesmo referido por ela em letra maiúscula, tamanha importância que ela lhe dá. 

É com todo esse conhecimento que Erin descobre (ou define) que o Destino tem planos para ela com Jason, um rapaz da sala dela. E ela aparentemente está correta, pois os dois começam a namorar. E ao invés de prejudicar a amizade entre Erin e Lani, Jason rapidamente vira amigo de Lani e Blake.

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Six Earlier Days (David Levithan)

six earlier days

Em Todo Dia (leia a resenha aqui), Levithan nos presenteou com um personagem cativante. A todo dia acorda em um corpo diferente, todo dia ele precisa viver a vida de outra pessoa sem deixar que os outros percebam, sem provocar interferências que possam mudar para sempre a vida do hospedeiro, tentando ao máximo não se apegar às pessoas que cruzam seu caminho.

“A pior coisa no mundo seria ter a pretensão de conhecer as pessoas cujas vidas eu percorri. Elas não podem ser casas para mim. Elas devem ser quartos de hotel.”

É nessa existência solitária, onde o passado e o futuro não tem vez e o presente é a única possibilidade, que mergulhamos durante 40 dias e nos apaixonamos por A. Todo Dia nos deu quarenta dias da adolescência de A, Six Earlier Days nos fornece seis dias anteriores de sua vida, um pequeno retrato dos outros 5993 dias passados, que nos permitem conhecer um pouco mais a fundo o personagem. Continuar lendo

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Na Companhia das Estrelas (Peter Heller)

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O mundo foi devastado por uma epidemia de gripe, uma doença que dizimou boa parte da população e que condenou muitos dos sobreviventes a uma doença que apareceu após a gripe. Hig conseguiu escapar às duas doenças, mas assistiu a gripe levar consigo todos que conhecia, inclusive sua esposa. Agora ele sobrevive em um hangar de um pequeno aeroporto abandonado, na companhia de seu cachorro Jasper e de seu único vizinho, Bangley, que parece odiar tudo e todos. Ao passo que o vizinho parece odiar a humanidade, Hig se apega a centelha de esperança de que ela ainda possa existir e em seus voos diários com Jasper em um Cesna 1956, ele busca por algo mais, por algum sinal que lhe indique a presença de gente em algum lugar. E quando, um dia, o rádio de seu avião capta uma mensagem Hig decide que essa é uma busca que ele precisa fazer, mesmo com todas as chances disso acabar em tragédia. Continuar lendo

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O Chamado do Anjo (Guillaume Musso)

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Em 2007, em um aeroporto em Montreal, Guillaume Musso acabou trocando por descuido seu celular com uma desconhecida. O evento poderia ter se restringido apenas ao incômodo de ter que providenciar a troca dos aparelhos, mas Musso percebeu ali um estopim que poderia render uma boa história. E é assim que começamos a enveredar pela trama de O Chamado do Anjo.

Madeline Greene é florista em Paris e estava em Nova Iorque em uma viagem romântica com o noivo. Jonathan Lempereur tem um pequeno restaurante em São Francisco e estava em NY apenas para buscar o filho para as férias de final do ano com a ex-mulher. Madeline e Jonathan nunca haviam se visto, mas no aeroporto lotado eles se esbarram, espalham suas coisas pelo chão e após uma breve discussão seguem o seu caminho. Talvez jamais se vissem novamente, mas ao recolherem seus pertences acabaram trocando os aparelhos celulares e quando perceberam a confusão já estavam distantes mais de dez mil quilômetros um do outro. Continuar lendo

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