Arquivo da tag: literatura inglesa

Como Ser Legal (Nick Hornby)

Fato um: todos que me viram com o livro (e que não conhecem o Hornby e, portanto não perceberam a grande sacada irônica da coisa) acharam que o livro fosse de autoajuda.

Fato dois: de todos os livros do Hornby que já li (mas eu ainda não alcancei a meta de ler todos os já publicados no Brasil), Como Ser Legal foi o que mais me decepcionou.

A impressão que tive foi que a obra é um ensaio mal executado, você percebe que todos os elementos que tornam as narrativas do autor um sucesso estão ali, mas de alguma forma eles parecem não se encaixar. Mas, até quando decepciona, a literatura de Hornby acaba agradando em algum ponto. Como Ser Legal pode até não ter Rob Fleming e todo seu conhecimento musical ou ainda os diálogos magistrais de Uma Longa Queda, mas não posso negar que nas partes em que Kate não estava sendo uma chata de galocha ela conseguiu nos brindar com passagens realmente hilárias sobre o cotidiano de seu casamento e a loucura toda na qual seu marido se meteu. Continuar lendo

3 Comentários

Arquivado em Resenhas da Núbia

O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)

O único romance de Oscar Wilde, considerado um dos grandes escritores irlandeses do século XIX, é considerado a primeiro a introduzir na ficção inglesa a homossexualidade, ainda que de forma bastante velada e provocou bastante alvoroço na época de sua publicação. A obra, aliás, foi utilizada como evidência no julgamento que acabou condenando Wilde a dois anos de prisão por cometer atos imorais com rapazes. O romance foi publicado inicialmente como a história principal na Lippincott’s Monthly Magazine em 20 de junho de 1980 e depois foi revista e alterada pelo autor antes de sua versão definitiva publicada em 1981. O romance é o terceiro volume da Coleção Clássicos Abril, que traz a obra com a tradução de José Eduardo Ribeiro Moretzsohn e texto complementar sobre a vida e obra do autor assinado por Heitor Ferraz.

Basil Hallard é o artista responsável pelo retrato de um jovem de extraordinária beleza. Dorian Gray é o nome do jovem retratado. Um jovem que se tornou amigo de Basil e que frequentemente o visita em seu ateliê e por quem o artista nutre ciúmes a ponto de não querer apresentá-lo ao amigo Lord Henry Wotton. E talvez até tivesse razão, caso soubesse o que tal acontecimento provocaria na vida do jovem que tanto admirava… É por meio de Lorde Henry, um hedonista que prega que só vale a pena viver pela beleza e pelo prazer, que Dorian é confrontado com o ideal da beleza e com a efemeridade de tal qualidade e ao perceber que a beleza que ele tanto esbanja por aí está fadada ao fracasso ele chega a pedidos desesperados: Continuar lendo

2 Comentários

Arquivado em Resenhas da Núbia

Sepulcro (Kate Mosse)

A Mari já leu e resenhou o livro, para saber o que ela achou clique aqui.

 

A região ainda é Carcassone (Languedoc), mas não é Los Seres o lugar da vez (apesar dele ser citado e alguns personagens da história anterior serem mencionados e até terem alguma relação com a história atual) e sim Rennes-les-Bains. Novamente passado e presente se entrelaçam para criar uma história de mistério, romance e tragédia. Assim como em Labirinto, a narrativa vai e vem no tempo, revelando como a vida de Meredith atualmente está relacionada à vida de Léonie em 1891, tudo aos poucos como uma fotografia que se revela, uma música que se compõe… No início temos novamente a narrativa morna de Mosse (que a um primeiro momento pode acarretar desistências), mas que no decorrer da história fica cada vez mais vívida e frenética à medida que novos fatos nos são fornecidos. Uma característica das personagens de Mosse é serem mulheres de temperamento forte e que não temem o desconhecido, e suas protagonistas da vez não nos decepcionam, ainda que em alguns momentos tenhamos vontade de dar umas sacudidas nelas para ver se elas conseguem enxergar o que está bem a sua frente. Continuar lendo

3 Comentários

Arquivado em Resenhas da Núbia

O Discurso Secreto (Tom Rob Smith)

Três anos depois dos eventos narrados em Criança 44, encontramos novamente o agora ex-agente da MGB (a antiga polícia secreta soviética) Liev Demidov. Liev agora é encarregado do departamento de homicídios criado três anos atrás e sua maior preocupação é se redimir de seus pecados passados e fazer com que a filhas adotivas, Zoia e Elena, o perdoem por ter feito parte no assassinato de seus pais e que junto com Raíssa, possam viver como uma família. Mas, o passado de Liev é muito consistente para ser simplesmente relevado, e uma ação do passado traz consequências para a vida de Liev sete anos depois.

Em 1949, ele foi responsável pela prisão de Lazar e Anísia em sua primeira ação pela MGB. Eles não foram os únicos, muitos outros foram destinados a sofrerem o duro tratamento reservado aos “espiões”, e talvez permanecessem no anonimato e relegados à lembrança se não fossem pelos recentes distúrbios políticos proporcionados pela divulgação do Discurso Secreto pelo então chefe de estado Nikita Kruschov. O Discurso foi distribuído por toda a Rússia e em vez de enaltecer os atos de Stálin como seus antecessores, ele vinha clamando por justiça, deixando claro para a nação todos os erros e ações cometidos pelo Estado. Como resultado estão acontecendo revoltas, levantes populares e as pessoas que sofreram no passado começam a buscar sua vingança. É assim que Lazar e Anísia retornam à vida de Liev, que se vê obrigado a encarar seus erros, sofrer por eles e pagar por eles com a sua família… Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

Um Autor de Quinta #41

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile. Pretendemos toda quinta-feira trazer informações, curiosidades e algumas dicas de leituras e afins sobre algum(a) autor(a).

Cliff McNish

Cliff McNish nasceu em 24 de agosto de 1962 em Sunderland, Reino Unido. É autor de romances fantásticos dirigidos para o público infanto-juvenil e a característica principal de suas obras é o uso intensivo de imagens bizarras. As descrições de alguns personagens é tão surreal que chega a tornar a tarefa imaginativa um pouco cansativa.

McNish não tinha ambição de se tornar escritor. Sem ideias melhores de qual carreira seguir, acabou optando por estudar História na Universidade de York, curso este que abandonou após dois anos. Ele começou a escrever a pedido da filha Rachel que queria uma história de uma bruxa realmente desagradável. Foi assim que The Doomspell Trilogy (A Trilogia da Magia no Brasil) tomou forma e se tornou sucesso, já tendo sido publicada em 24 idiomas.

O autor adora trocar mensagens com seus leitores e os convida a deixar uma mensagem  ou deixar um comentário no livro de visitas  do seu site. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Um Autor de Quinta

Sense and Sensibility Graphic Novel

Já falei da Graphic Novel de Orgulho e Preconceito adaptada pela Nancy Butler aqui. Gostei demais da primeira adaptação que eu li e mal pude esperar para ler outra.

Razão e Sensibilidade é bastante diferente da adaptação de Orgulho e Preconceito. A diferença mais gritante é o traço. Enquanto o de O & P foi trazido à vida por Hugo Petrus, R & S tem os traços de Sonny Liew. Os traços deles são bastante diferentes: enquanto o de Hugo é mais delicado e sério, o de Sonny é mais caricato – lembra aquelas caricaturas (as bem feitas) que a gente faz aleatoriamente no shopping.

Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Feanari

Um Autor de Quinta #32

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile. Pretendemos toda quinta-feira trazer informações, curiosidades e algumas dicas de leituras e afins sobre algum(a) autor(a).

R. J. Ellory

Roger Jon Ellory nasceu em Junho de 1965 em Birmingham, Inglaterra. O pai de Ellory abandonou sua mãe antes dele nascer. O menino foi criado por sua avó materna e a mãe, que viria a falecer em 1971. A partir de então, foi enviado a uma série de diferentes escolas e finalmente completou sua educação na Kingham Hill School, uma escola destinada à filhos rebeldes e crianças órfãs. Após deixar a escola, Ellory retornou à Birmingham onde começou a estudar artes gráficas e design no Bournville College of Art, mas com a morte da avó em 1982 ele deixou a escola e não garantiu sua qualificação. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Um Autor de Quinta

Azincourt (Bernard Cornwell)

“Os arqueiros eram os heróis de Hook. A Inglaterra, para Hook, não era protegida por homens vestindo armaduras brilhantes, montados em cavalos ajaezados, e sim por arqueiros”. 

A figura do arqueiro sempre foi mítica para os ingleses, durante todo o período medieval e antes do advento das armas de fogo, os arqueiros eram amplamente utilizados nas batalhas e chegavam a compor mais da metade do exército inglês. Ter um arqueiro em um exército no século XIV era praticamente uma exclusividade inglesa, já que para ser um bom atirador eram precisos anos de prática e em nenhum outro país o arco longo era tão difundido. Essa característica do exército inglês fez da Inglaterra nos séculos XIV e XV uma potência na Europa e tornou-se uma das unidades bélicas mais temidas, e com razão, os arqueiros eram capazes de fazer a guerra pender para os ingleses mesmo quando as condições numéricas eram desfavoráveis.

Emprestando novamente a figura do arqueiro, que já foi explorada na série A Busca do Graal, Cornwell faz uma releitura de uma das batalhas mais famosas da Guerra dos Cem Anos entre a Inglaterra e a França. A batalha de Azincourt, travada em 1415, em solo francês no dia de São Crispim. Azincourt ficou famosa, não pelos ganhos políticos ingleses (que foram bem ínfimos), mas sim pela disparidade numérica entre ingleses e franceses. Algumas fontes chegam a falar de 6 mil para 30 mil respectivamente. São os eventos que culminaram nessa batalha que nos são narrados em Azincourt, só que diferente de Shakespeare que também revisitou esse dia em sua obra Henrique V, Cornwell traz como protagonista um simples arqueiro, um tanto esquentado, com uma rixa familiar e com uma mira de dar inveja. Continuar lendo

6 Comentários

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

Harry Potter and the Goblet of Fire – J. K. Rowling

Se você chegou ao planeta Terra agora e não conhece a série Harry Potter (:O), respira e leia as resenhas dos primeiros três livros (Philosopher’s Stone, Chamber of Secrets e Prisoner of Azkaban) antes de proseguir. Agora, se você já conhece a série, leia as resenhas dos primeiros três livros e curta a do quarto!

Certa noite, enquanto esquenta água para a bolsa térmica, um homem vê fogo crepitar na lareira da casa que cuida. Há decadas que a casa está desocupada… Mal sabia ele que era melhor ter voltado à cama do que subir para desvendar o mistério… Harry tem um sonho, certa noite, com este homem. Neste sonho, ele ouve a voz de Voldemort e vê Peter Pettigrew e uma cobra gigante. Ao acordar, sua cicatriz, relíquia da noite em que quase morreu, está doendo: um sinal de perigo iminente. As férias de verão de Harry dificilmente poderiam ser piores no número 4 da Privet Drive*. Apesar dos Dursley deixarem Harry estudar bruxaria por estarem com medo de Sirius, o padrinho de Harry que é considerado por bruxos e “trouxas” um assassino fugido perigosíssimo, toda a família entrou numa dieta rigorosa. Isso porque a enfermeira da escola de Dudley, o primo do Harry, disse que ele estava praticamente do mesmo tamanho e peso de um filhote de baleia e deveria perder peso imediatamente. Harry tem que contar com a ajuda dos amigos para não morrer de fome. Continuar lendo

2 Comentários

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Feanari

O Tigre de Sharpe (Bernard Cornwell)

A série As Aventuras de Sharpe (agora renomeada de As Aventuras de um Soldado nas Guerras Napoleônicas, prefiro o nome antigo) conta com 21 livros e três contos lançados e é bem antiga, Cornwell publicou o primeiro livro em 1981, há mais de 30 anos! A série narra as aventuras de Richard Sharpe, um soldado do exército britânico, durante o poderio britânico na Índia e as Guerras Napoleônicas. E a característica mais marcante da série é que Cornwell não seguiu uma ordem cronológica ao escrever os livros. Apesar de O Tigre de Sharpe representar o marco inicial na carreira do recruta Sharpe na Índia em 1799, o livro só foi publicado em 1997, 16 anos depois da publicação do primeiro livro da série, A Águia de Sharpe, que narra os acontecimentos de 1809. A série não tem uma ordem específica e cada livro narra um acontecimento na vida de Sharpe. Mas, por mais que o autor tenha concebido a série assim, não me vejo lendo sobre a vida de Sharpe aleatoriamente. Seguir a ordem cronológica dos eventos é meu lema e ainda bem que a Editora Record, que publica os livros no Brasil, está lançando os livros na ordem cronológica.

“O exército decidia quando Sharpe devia acordar, dormir, comer, marchar e ficar sentado de braços cruzados, que era sua atividade principal. Essa era a rotina de um recruta do exército, e Sharpe estava farto dela. Estava entediado e pensando em fugir.”

Continuar lendo

7 Comentários

Arquivado em Resenhas da Núbia