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Um Autor de Quinta #29

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile. Pretendemos toda quinta-feira trazer informações, curiosidades e algumas dicas de leituras e afins sobre algum(a) autor(a).

Anthony Burgess

John Anthony Burgess Wilson nasceu em 25 de fevereiro de 1917 em Harpurhey no subúrbio de Manchester. Burgess ficou órfão de mãe ainda na infância.  Quando adolescente queria ser compositor, carreira que foi seguida de objeções por seus familiares por não terem dinheiro para isso, o que não o impediu de aprender a tocar piano de forma autodidata aos 14 anos e mais tarde tentasse ingressar no curso de música na Victoria University of Manchester. Ele foi recusado no curso de música devido às baixas notas em física. Burgess  graduou-se em língua inglesa e literatura, sem nunca deixar de lado a música tendo composto músicas regularmente ao longo de sua vida. Continuar lendo

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Um Dia (David Nicholls)

É possível conhecer pessoas, se sentir íntimo delas e ter a impressão de que conhece todos os pormenores de suas vidas ao longo de quase vinte anos, tendo por base apenas um dia por ano? David Nicholls mostra que sim, é possível estruturar de forma coesa uma narrativa que tinha tudo para ser fragmentada, sua história é tão concatenada que nem sentimos falta dos outros 364 dias do ano.

Emma e Dexter eram colegas de universidade, se conheciam de vista, não tinham maiores contatos, mas tudo mudou no dia 15 de julho de 1988. Tudo porque na festa de formatura algo aconteceu, algo que eles não fazem ideia do quanto influenciará suas vidas pelos próximos anos. Desde aquele dia Emma e Dexter se encontram esporadicamente e uma amizade nasceu, mas os planos pós-formatura sofreram mudanças bruscas, a vida de ambos tomou rumos inesperados. Rumos que nos são apresentados ano a ano, de 1988 à 2007, às vezes por Emma, outras vezes por Dexter. Continuar lendo

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Laranja Mecânica (Anthony Burgess)

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A obra foi lançada em 1962 e rendeu umas das adaptações cinematográficas mais conhecidas da cultura pop em 1971 sob direção de Stanley Kubrick. Ganhou uma nova edição brasileira em 2004 pela Editora Aleph com tradução de Fábio Fernandes. Essa edição conta com um ótimo prefácio escrito pelo tradutor, trazendo as principais características dos textos de Burgess, suas obras e curiosidades sobre sua vida. A versão brasileira também conta com um glossário do linguajar utilizado por Alex e sua gangue, o nadsat. Mas, o tradutor avisa que há duas escolhas: ler o glossário antes de começar a história para compreender mais rápido a mecânica do texto ou ir direto para a história e experimentar a sensação de estranhamento imaginada pelo autor.

Mais que skorre segui o soviete de Burgess. Demorei para kopatar as slovos, mas quando nachinei foi horrorshow!

Entendeu a frase aí em cima? Essa foi só uma amostra da sensação de wtf que senti ao começar a leitura, sim eu decidi aproveitar a obra em seu original (e recomendo fortemente que façam isso também) e só fui me divertir com o dicionário depois de terminada a leitura. Como resultado no início a leitura seguiu aos trancos e barrancos, como à tudo que é muito novo e desconhecido demorei a me adaptar, mas depois que as palavras começaram a fazer sentido a leitura fluiu, que torno a repetir foi horrorshow. Mas, falando sobre o que é Laranja MecânicaContinuar lendo

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O Coração das Trevas (Joseph Conrad)

                                                 

O autor Joseph Conrad foi marinheiro durante boa parte de sua vida e muitos sugerem que seu trabalho na Societé Anonyme Belge pour le Commerce du Haut-Congo foi o que lhe deu motivos para escrever O Coração das Trevas. A obra inicialmente publicada em fascículos na Blackwood’s Magazine em 1899 é o 25° volume da Coleção Clássicos Abril, tem tradução de Celso M. Paciornik, é a mesma tradução publicada originalmente pela editora Iluminuras em 2002 e traz um texto suplementar escrito por Heitor Ferraz sobre a vida e obra de Conrad. Texto esse que traz comentários pertinentes sobre fatos da vida do autor e sobre os assuntos tratados na obra e que contribui para enriquecer a leitura.

“A história de marinheiros têm uma singeleza direta, e todo seu significado cabe numa casca de noz. Mas Marlow não era típico (exceto em seu gosto de contar patranha), e para ele o significado de um episódio não estava dentro, como um caroço, mas fora, envolvendo o relato que o revelava como o brilho revela um nevoeiro, como um desses halos indistintos que se tornam visíveis pelo clarão espectral do luar.” Continuar lendo

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Labirinto (Kate Mosse)

Apenas mais um livro sobre o Graal? Quando li sobre Labirinto pela primeira vez, esta foi a pergunta que logo surgiu. Tinha dúvidas se a história teria algo de diferente ou se teria caído na mesmice. Resolvi pagar para ver, quero dizer para ler.

Felizmente, meus temores não se confirmaram. É mais uma história sobre o Graal sim, mas é uma história que difere das demais. Só para vocês terem uma ideia não lemos sobre cálices, tigelas… Pois é, só não conto para vocês o que ele é para não estragar a surpresa. Mas, engana-se quem pensa que Labirinto só versa sobre o Graal. Ele tem o seu papel de destaque, mas as histórias que ocorrem ao seu redor e que decorrem de sua busca são a parte mais interessante e emocionante da obra.

Primeiro somos apresentados à Alice Tanner em julho de 2005. Durante uma escavação arqueológica da qual estava participando como voluntária. Durante as escavações Alice guiada por uma sensação que não consegue explicar escolhe um local para explorar e ali ela descobre dois esqueletos. Quem iria imaginar que esta descoberta desencadearia uma série de acontecimentos e que Alice estaria na voragem deles? Logo fica claro que muitas histórias necessitam ser esclarecidas e que sua vida corre perigo… Continuar lendo

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The Periodic Kingdom – P. W. Atkins

 

The Periodic Kingdom

Esta resenha tem um tom diferente das demais. O motivo é bastante simples: este livro não é uma história de ficção. É uma não ficção, mas que não conta como biografia ou algo assim… Este livro é praticamente um livro texto de Química, mas escrito como se fosse uma história. Não desista desta resenha pelo termo “livro texto de Química”. Ele vale a pena, juro!

P. W. Atkins é autor de vários livros de Química. Eu tenho um ou dois volumes escritos por ele para o público universitário. No entanto, não é necessário ter qualquer conhecimento de Química para apreciar este livro (claro que, se você gostar e souber um pouco do assunto ele fica mais delicioso, mas mantenho que não é um pre-requisito).

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Joana, a Louca (Linda Carlino)

“Sorriu, apreciando todo aquele jogo, aquele mundo de sonhos em que era simultaneamente jogadora e espectadora.”

Gosto muito de romances históricos que retratam a história dos reis ingleses, em especial aqueles que retratam a dinastia Tudor. Lendo livros e vendo séries que retratam essa época da história, sempre vi nos espanhóis meros coadjuvantes. Seja Catarina e seu malfadado casamento com Henrique VIII, ou o imperador Carlos V e todas as dores de cabeça que decerto ele causou para o rei inglês. Assim, quando a Editora Europa anunciou a publicação do livro Joana, a Louca logo me interessei em lê-lo, primeiro porque era histórico e segundo porque queria aprofundar-me mais na história daqueles que muitas vezes ficavam apenas como figurantes. Linda Carlino em seu livro, tira dos bastidores Joana, talvez não conhecida por muitos, e mostra que a história espanhola também pode render excelentes narrativas.

Joana foi a terceira filha dos reis espanhóis Isabel de Castela e Fernando de Aragão. A história retratada por Carlino aconteceu entre os anos de 1496 e 1555. Joana então com 17 anos viu-se lançada em um casamento com Felipe, arquiduque e herdeiro dos Habsburgo, da Áustria. Nunca cogitou reinar e sonhava com um casamento real (e não no sentido burocrático da palavra). Viu-se ao longo da vida sujeitada a ambos, um casamento que era antes de qualquer coisa uma aliança política com os poderosos Habsburgo e que não lhe trouxe alegrias e um trono de um reino no qual nunca reinou de fato. Durante toda a vida teve seus direitos usurpados e a sanidade mental posta em prova e é todo esse sofrimento, baseado nos conhecimentos históricos, mas também com a liberdade concedida aos romances, que Carlino retrata no primeiro livro de uma trilogia dedicada à história dos Habsburgo. A obra é dividida em duas partes: na primeira são narradas as desventuras de Joana durante seu casamento com Felipe, as traições, o isolamento de seus compatriotas e o cárcere privado. Na segunda parte, os anos de viuvez, marcados por mais traições, desta vez do pai e do próprio filho, o imperador Carlos. Continuar lendo

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Um Estudo em Vermelho (Conan Doyle)

Primeira história envolvendo o famoso detetive, publicada em idos de 1887 por Sir Arthur Conan Doyle. Apesar de ser a primeira história do detetive, não é nem de longe o seu primeiro caso, mas sim o primeiro documentado por aquele que mais tarde viria a se tornar se fiel escudeiro…”elementar meu caro Watson”!

Em Um Estudo em Vermelho temos a oportunidade de conhecer as “origens” de Sherlock Holmes e John Watson e de entender como ambos acabaram vivendo sob o mesmo teto no n° 221B da Baker Street. Watson é um jovem médico combalido, recém-chegado do Afeganistão e que está a procura de um lugar para morar e curar sua debilitada saúde. Holmes é “… um sujeito que trabalha no laboratório químico do hospital…”, versado nos mais incongruentes conhecimentos (pelo menos para Watson)e de quem não se sabe quais são os interesses profissionais. Watson até tenta desvendá-lo, mas acaba por desistir durante a tarefa. Até, que uma certa conversa durante o café da manhã acaba por entregar as pretensões profissionais do Sr. Holmes. O mesmo é adepto da ciência da dedução e é com ela que garante o seu sustento. Contudo, o futuro famoso detetive (pois é, ele ainda não o é) ainda é pouco conhecido, sendo o que podemos chamar de mero detetive de consulta, a quem os inspetores Lestrade e Gregson recorrem sempre que estão em dificuldade. Dono de uma mente analítica, treinada e por isso mesmo aguçada, Holmes sempre os coloca no caminho certo e dessas consultas não recebe nenhum crédito. Mas, agora temos Watson, suas documentações e um novo caso: Lauriston Gardens. Como era comum, Lestrade e Gregson estão em apuros e o detetive é chamado, temos como é denominado por Holmes o “Um Estudo em Vermelho”: Continuar lendo

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Brilhos (Sophia Bennett)

*Atenção, esta resenha pode conter spoiler do enredo do livro anterior da série (embora a gente evite spoiler ao máximo). Já leu a resenha do primeiro livro? Você poder ler a minha opinião sobre Linhas aqui.

Crow, a criança invisível do primeiro livro, é uma sumidade no mundo da moda. Sua nova coleção, lançada pela Miss Teen é um sucesso. Mas, algo aparece para embaçar esse brilho. No site de Eddie começam a chover denúncias sobre a produção das roupas da coleção da Crow. A acusação? Fábricas indianas fazem com que crianças trabalhem até 16 horas por dia (sem intervalo) na fabricação das roupas. Andy Elat, o dono da Miss Teen, por outro lado, fornece relatórios que desmentem essas acusações. Quem está mentindo? É preciso averiguar direto na fonte e Eddie, Nonie e Crow, acompanhadas do irmão fofo da Nonie (o Harry), partem para a Índia. Dessa vez, Jenny fica porque está às voltas com a produção de uma peça teatral.

“Alguns anos antes, eu teria perguntado por que Laskhmi e Ganesh não tentaram voltar para os pais, mas então conheci Crow e agora entendo que algumas coisas são mais complicadas do que podemos imaginar. […] A história dela vai ser diferente da de Crow, mas seja como for, sei que não posso estalar os dedos e fazer com que tudo fique melhor. Gostaria de poder. De verdade.”

Em Brilhos, Sophia Bennett segue incluindo em suas histórias, temas controversos, chocantes e como comentei na resenha de Linhas, assuntos que muitos podem achar um tanto áridos para serem tratados na literatura juvenil. Só, que assim como no livro anterior, Bennet o faz com muita leveza e sensibilidade. A autora emociona, informa e conscientiza, tudo em meio a muito brilho, plumas, náilons, desfiles, lançamentos de coleções… Continuar lendo

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Captain Wentworth’s Diary – Amanga Grange

 

Captain Wentworth's Diary

Os romances de Amanda Grange narram a história dos livros da Jane Austen sob a perspectiva de um homem (o par romântico em questão). Eu já resenhei a visão do Mr. Knightley, de Emma, e desta vez, li a história sob a ótica do Capitão Wentworth, de Persuasão.

Quem já conhece a história de Persuasão, sabe que começa em 1814, quando a irmã do capitão e seu marido alugam a propriedade da família de Anne e o convidam a passar uma temporada com eles. Wentworth hesita porque não gostaria de reencontrar Anne, que em 1806, oito anos antes, recusou seu pedido de casamento. No entanto, ele vai e reencontra Anne. E a história flui a partir deste reencontro.

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