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1356 – Bernard Cornwell

Atenção! Este post trata do livro 1356, que embora não seja da série “A Busca do Graal”, se passa alguns anos depois do último livro da série, O Herege.  Assim, esta resenha pode conter spoiler da trama dos livros da série.

Em 1356, os boatos de que uma relíquia religiosa foi encontrada começam a se espalhar pela França. Isso seria considerado normal para aqueles tempos, cheios de falsas relíquias e peregrinações indo de encontro àquelas consideradas verdadeiras. Mas a relíquia em questão não é o dedo de um santo, ou um pedaço da cruz onde Jesus foi crucificado. Os boatos falam da espada que São Pedro usou no Getsêmani, quando os romanos foram buscar Jesus para a crucificação. A espada, La Malice (francês para a malícia), seria indestrutível, tornaria seu dono praticamente invencível e significaria que Deus apoiava o lado em posse da relíquia. O que no meio da Idade Média era tudo que um rei precisava saber antes de se lançar à guerra.

Claro que, durante a Guerra dos Cem Anos, o período em que este livro se passa, não faltavam motivos para a Inglaterra e a França lutarem entre si. O rei da Inglaterra, Eduardo, reivindicava para si o trono da França, ocupado por Carlos de Valois. E, motivado por essa reinividicação, todos os anos viam navios ingleses despejando arqueiros e homens de arma na costa da França, que aos poucos era dominada. No entanto, depois da derrota em Calais (descrita na trilogia “A Busca do Graal”), o moral do exército francês está bastante baixo, e Carlos de Valois reluta em lançar seu exército na luta contra os inimigos.

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O Triunfo de Sharpe (Bernard Cornwell)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do segundo livro (ordem cronológica) da série As Aventuras de Sharpe e pode haver spoilers sobre os fatos do primeiro livro. Para saber o que eu achei do primeiro livro, clique aqui.

Índia, setembro de 1803. Quatro anos após derrubar o Sultão Tipu, Sharpe agora é o Sargento Richard Sharpe e tem uma nova missão: ajudar o Coronel McCandless a capturar o Major William Dodd, traidor do exército britânico. Dodd se juntou à Confederação Mahratta determinado a fazer grandes fortunas ajudando a expulsar os britânicos do território indiano e vem provocando bastantes baixas em seu antigo exército. Em sua última incursão, Dodd provocou um massacre em Chasalgaon, um ataque que poderia ter sido considerado de enorme sucesso, se não tivesse deixado um sobrevivente para trás… o sortudo Richard Sharpe.

 “Sharpe observou de rabo de olho o homem alto. Sentia-se responsável, amargo, zangado, assustado. O sangue tinha esguichado do ferimento em seu escalpo. Estava tonto, com a cabeça latejando, mas vivo.”

É assim que Dodd acaba na lista negra de Sharpe, que não pensa duas vezes em largar seu posto em Seringapatam e partir com o Coronel McCandless atrás do desertor. Aliado a essa premissa temos o Sargento Hakeswill, seu antigo superior e seu nêmesis que continua tramando formas de se livrar de Sharpe e de quebra ficar com todo o tesouro que o rival “herdou” do Sultão Tipu e uma nova batalha. Assim como em Azincourt, Cornwell traz uma batalha em assimetria numérica: a Batalha de Assaye que aconteceu em 23 de setembro de 1803 e que segundo registros históricos foi um exemplo da perícia (em maior parte sorte) do exército britânico que com apenas 5 mil soldados derrotou um exército de 50 mil. Este último fato, confesso, me fez passar o livro na frente de outros tantos, porque depois da narrativa de Cornwell para a batalha de Azincourt, esperava algo tão ou mais sangrento e cheio de adrenalina (me condenem, mas me delicio com as descrições bélicas do autor). Mas, nesse quesito fiquei insatisfeita. O destaque para as batalhas foi pouco, nada de planos, ardis, baixas… Foram cerca de apenas três capítulos dedicados à batalha, capítulos bem escritos por sinal, mas poucos. Continuar lendo

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Um Autor de Quinta #50

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Um Autor de Quinta #48

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile. Pretendemos toda quinta-feira trazer informações, curiosidades e algumas dicas de leituras e afins sobre algum(a) autor(a).

Linda Carlino

Linda nasceu em uma pequena aldeia mineradora em County Durham, no nordeste da Inglaterra. Sua família sempre teve uma relação muito forte com os livros e não foi à toa que Linda acabou seguindo a carreira de docência universitária em Barnard Castle e até trabalhou como consultora em uma editora de livros. Linda sempre teve uma paixão por história e ficção histórica, mas a carreira como escritora nunca foi planejada.

Linda fez sua primeira visita a Espanha, por escolha de seu marido, no verão de 1988. Ela não falava nada de espanhol e sabia muito pouco sobre o país e sua história, além do que se encontrava no guia de viagem de H. V. Morton. Bastaram cinco semanas, para sua vida mudar completamente. Visitando marcos turísticos como túmulos de figuras históricas e catedrais, ela se lembrou dos romances históricos de sua adolescência e ficou particularmente fascinada pelas ligações históricas do país com a Inglaterra. Continuar lendo

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O Discurso Secreto (Tom Rob Smith)

Três anos depois dos eventos narrados em Criança 44, encontramos novamente o agora ex-agente da MGB (a antiga polícia secreta soviética) Liev Demidov. Liev agora é encarregado do departamento de homicídios criado três anos atrás e sua maior preocupação é se redimir de seus pecados passados e fazer com que a filhas adotivas, Zoia e Elena, o perdoem por ter feito parte no assassinato de seus pais e que junto com Raíssa, possam viver como uma família. Mas, o passado de Liev é muito consistente para ser simplesmente relevado, e uma ação do passado traz consequências para a vida de Liev sete anos depois.

Em 1949, ele foi responsável pela prisão de Lazar e Anísia em sua primeira ação pela MGB. Eles não foram os únicos, muitos outros foram destinados a sofrerem o duro tratamento reservado aos “espiões”, e talvez permanecessem no anonimato e relegados à lembrança se não fossem pelos recentes distúrbios políticos proporcionados pela divulgação do Discurso Secreto pelo então chefe de estado Nikita Kruschov. O Discurso foi distribuído por toda a Rússia e em vez de enaltecer os atos de Stálin como seus antecessores, ele vinha clamando por justiça, deixando claro para a nação todos os erros e ações cometidos pelo Estado. Como resultado estão acontecendo revoltas, levantes populares e as pessoas que sofreram no passado começam a buscar sua vingança. É assim que Lazar e Anísia retornam à vida de Liev, que se vê obrigado a encarar seus erros, sofrer por eles e pagar por eles com a sua família… Continuar lendo

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K-dorama: Iljimae

Há tempos que a Priscilla (do nosso grupo de doramas) fala sobre o drama Iljimae e recomendava que o víssemos, ainda que tivesse receios sobre o que acharíamos da conclusão do drama. Já falei a ela que a preocupação mostrou-se infundada e que ela não poderia ter acertado mais em uma indicação. O drama entrou para a minha lista de favoritos ao mesclar história, ação, conspiração política, comédia, drama e romance na medida certa.

A história de Iljimae foi produzida por Lee Yong Suk e teoricamente era para ser uma adaptação da história do mangá Iljimae do escritor Ko Woo Yung baseada em um antigo conto chinês da dinastia Ming. Digo teoricamente porque como a produtora não conseguiu obter os direitos da trama original, a história acabou ficando bem diferente da retratada no mangá. A rede MBC ficou com os direitos e fez sua própria versão para a história, o drama nomeado O Retorno de Iljimae (e que ainda pretendo conferir). Mas, o que importa é que mesmo sendo diferente do planejado originalmente, conseguiram delinear uma trama bem completa, com os fatos do passado e presente sendo entrelaçados ao longo da história e fazendo com que o espectador se envolva cada vez mais e fique na ansiedade para saber como tudo irá terminar.

  • Título: 일지매 (一枝梅) / Iljimae
  • Gênero: romance histórico
  • Episódios: 20
  • Período em que foi ao ar: 21/Maio/2008 à 24/Julho/2008
  • Rede de televisão: SBS
  • Produtora e Diretora: Lee Yong Suk
  • Roteirista: Choi Ran
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Labirinto (Kate Mosse)

Apenas mais um livro sobre o Graal? Quando li sobre Labirinto pela primeira vez, esta foi a pergunta que logo surgiu. Tinha dúvidas se a história teria algo de diferente ou se teria caído na mesmice. Resolvi pagar para ver, quero dizer para ler.

Felizmente, meus temores não se confirmaram. É mais uma história sobre o Graal sim, mas é uma história que difere das demais. Só para vocês terem uma ideia não lemos sobre cálices, tigelas… Pois é, só não conto para vocês o que ele é para não estragar a surpresa. Mas, engana-se quem pensa que Labirinto só versa sobre o Graal. Ele tem o seu papel de destaque, mas as histórias que ocorrem ao seu redor e que decorrem de sua busca são a parte mais interessante e emocionante da obra.

Primeiro somos apresentados à Alice Tanner em julho de 2005. Durante uma escavação arqueológica da qual estava participando como voluntária. Durante as escavações Alice guiada por uma sensação que não consegue explicar escolhe um local para explorar e ali ela descobre dois esqueletos. Quem iria imaginar que esta descoberta desencadearia uma série de acontecimentos e que Alice estaria na voragem deles? Logo fica claro que muitas histórias necessitam ser esclarecidas e que sua vida corre perigo… Continuar lendo

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Joana, a Louca (Linda Carlino)

“Sorriu, apreciando todo aquele jogo, aquele mundo de sonhos em que era simultaneamente jogadora e espectadora.”

Gosto muito de romances históricos que retratam a história dos reis ingleses, em especial aqueles que retratam a dinastia Tudor. Lendo livros e vendo séries que retratam essa época da história, sempre vi nos espanhóis meros coadjuvantes. Seja Catarina e seu malfadado casamento com Henrique VIII, ou o imperador Carlos V e todas as dores de cabeça que decerto ele causou para o rei inglês. Assim, quando a Editora Europa anunciou a publicação do livro Joana, a Louca logo me interessei em lê-lo, primeiro porque era histórico e segundo porque queria aprofundar-me mais na história daqueles que muitas vezes ficavam apenas como figurantes. Linda Carlino em seu livro, tira dos bastidores Joana, talvez não conhecida por muitos, e mostra que a história espanhola também pode render excelentes narrativas.

Joana foi a terceira filha dos reis espanhóis Isabel de Castela e Fernando de Aragão. A história retratada por Carlino aconteceu entre os anos de 1496 e 1555. Joana então com 17 anos viu-se lançada em um casamento com Felipe, arquiduque e herdeiro dos Habsburgo, da Áustria. Nunca cogitou reinar e sonhava com um casamento real (e não no sentido burocrático da palavra). Viu-se ao longo da vida sujeitada a ambos, um casamento que era antes de qualquer coisa uma aliança política com os poderosos Habsburgo e que não lhe trouxe alegrias e um trono de um reino no qual nunca reinou de fato. Durante toda a vida teve seus direitos usurpados e a sanidade mental posta em prova e é todo esse sofrimento, baseado nos conhecimentos históricos, mas também com a liberdade concedida aos romances, que Carlino retrata no primeiro livro de uma trilogia dedicada à história dos Habsburgo. A obra é dividida em duas partes: na primeira são narradas as desventuras de Joana durante seu casamento com Felipe, as traições, o isolamento de seus compatriotas e o cárcere privado. Na segunda parte, os anos de viuvez, marcados por mais traições, desta vez do pai e do próprio filho, o imperador Carlos. Continuar lendo

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Um Autor de Quinta #20

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile. Pretendemos toda quinta-feira trazer informações, curiosidades e algumas dicas de leituras e afins sobre algum(a) autor(a).

Valerio Massimo Manfredi 

Valerio Massimo Manfredi é professor de arqueologia clássica, escritor e jornalista. Também atua como roteirista de televisão e cinema e já apresentou documentários sobre o mundo antigo para televisão. Manfredi graduou-se em línguas clássicas (latim, grego antigo e moderno, francês, espanhol e inglês) pela Universidade de Bolonha e é especializado em topografia do mundo antigo pela Universidade Católica de Milão.

O autor coordenou várias expedições científicas para retraçar antigas rotas de comércio e militares e escavações em sítios arqueológicos na Inglaterra, Itália, Israel, Peru e na região do Mediterrâneo. Publicou inúmeros artigos e livros acadêmicos e ministrou aulas em várias universidades na Itália e em outros países. Continuar lendo

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Império da Prata – Conn Iggulden

Atenção! Este post trata do quarto livro da série O Conquistador, de Conn Iggulden, e pode conter spoiler do enredo dos livros anteriores (embora a gente evite spoiler de qualquer tipo). Para ler a resenha do terceiro livro, Ossos das Colinas, clique aqui.

 

Império da Prata

Os mongóis eram tribos espalhadas, que lutavam entre si. Um homem desejou unir todos sob um único estandarte e o fez: Gengis Khan. Ele conseguiu transformar os diversos bandos de pastores em uma nação, e espalhou seu domínio por grande parte da Ásia, Oriente e chegou até a Europa. Como todo homem, chega uma hora em que ele deve se preocupar com seu legado e quem vai ser o responsável por guiar a nação mongol após a morte do cã. Este assunto foi decidido no terceiro livro da série: Ossos das Colinas.

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