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Apelo às Trevas (Dennis Lehane)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos do segundo livro da série dos detetives Kenzie & Gennaro e pode haver spoilers (evitados ao máximo) sobre fatos do livro anterior. Para saber o que eu achei do primeiro livro, confira os links no final desta resenha.

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Na segunda aventura do casal de detetives Patrick Kenzie e Angela Gennaro, Lehane deixa o cenário político e os conflitos sociais da primeira aventura para trás e resolve investir no lado pessoal de seus protagonistas, o que de certa forma também contribui para que os personagens coadjuvantes também ganhem mais espaço. Se dessa vez o jornalista Richie apenas faz aparições pontuais, Lehane mais do que nunca usa e abusa do estranho Bubba que nos cativa de um jeito mórbido e incongruente e dos policiais Devin e Oscar que sempre garantem ótimos diálogos. Mais do que nunca fica claro, que apesar do aparente formato “caso da vez”, seus romances são mais que isso, e não só pela intensa relação entre Patrick e Angie que cada vez fica mais intensa, como também pela importância do histórico dos personagens no desvendar dos crimes. Se em Um Drink Antes da Guerra eles acabaram na linha de fogo por escolha própria, aqui eles já eram alvo (principalmente Patrick) por ações há muito esquecidas. Continuar lendo

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Minha Vida Fora de Série – 2° Temporada (Paula Pimenta)

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A Priscila começou a protagonizar seu seriado aos treze anos, agora na segunda temporada a reencontramos aos dezesseis, mas Paula não deixa de fazer uma menção especial à idade mágica para todas as garotas, seus quinze anos. Que no caso da Pri lhe renderam uma viagem à Disney e uma experiência que durante um ano foi responsável por deixar o seu namoro com o Rodrigo em segundo plano. E o que mais gostei foi que as lembranças desses acontecimentos nos são mostradas em meio a uma conversa, repleta de conselhos, da Pri com a Sam, e eu adoro os conselhos da Sam.

“Eu realmente não sabia como as outras pessoas do mundo podiam viver sem a Samantha…”

Concordo totalmente com a Pri. Como faz hein?

Mas, não vou comentar mais sobre essa parte, porque é um dos segredos da história, daqueles que te deixa encucada durante boa parte do livro achando que as consequências da viagem à Disney poderão ser incontroláveis. Voltando aos 16, reencontramos a Pri as vésperas de iniciar o segundo ano do Ensino Médio, com novos alunos chegando à escola, às voltas com o namoro que após 2 anos e meio precisa urgentemente ser renovado e com o retorno das aulas, com os assuntos escolares também entrando em voga, não só o vestibular, como também a representatividade estudantil e a luta pelos direitos dos alunos. E se coube ao Rodrigo, no primeiro livro, o papel de introduzir aos leitores os temas sobre o abandono de animais, a atuação dos abrigos e das adoções responsáveis. Agora cabe a Priscila cada vez mais atuar de maneira ferrenha. Praticamente uma revolucionária da causa dos animais. O romance é o foco da história, mas sem dúvida nenhuma a abordagem desse tema é um dos pontos altos, e para quem gosta de animais, um dos mais emocionantes da narrativa. Continuar lendo

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A Floresta dos Pigmeus (Isabel Allende)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos do último livro da trilogia As Aventuras da Águia e do Jaguar e pode haver spoilers (evitados ao máximo) sobre fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final desta resenha.

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Dessa vez já reencontramos Nádia e Alexander no novo lugar de sua aventura, ambos estão acompanhando Kate que fora convidada por um guia e naturalista para escrever sobre uma nova modalidade de turismo na África. Kate até tinha prometido não levar os garotos para mais nenhuma aventura, mas não viu nada demais em um simples safári. E o safári realmente não foi o problema, ela só não contava encontrar com um missionário no último dia da viagem e que por causa desse encontro eles acabassem se embrenhando em um pedaço esquecido da selva africana, em uma aldeia escondida numa região comandada por um psicopata e de repente se vissem às voltas lutando contra um ditador que mantém duas tribos servindo aos seus interesses.

“Com a voz emocionada, a escritora leu a breve mensagem de seu neto: “Nádia e eu estamos tentando ajudar os pigmeus. Tratem de distrair Kosongo. Não se preocupem, voltamos logo.”

 – Aqueles meninos ficaram loucos – Joel González comentou.

– Não ficaram, esse é o estado natural deles – gemeu a avó – E agora, o que poderemos fazer?” Continuar lendo

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Simplesmente Ana (Marina Carvalho)

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Ana tem 20 anos, estuda Direito, é mineira de BH e se julga apaixonada por Artur. Uma vida simples que acaba de ser sacudida por uma mensagem que ela recebe no Facebook. A mensagem de um misterioso homem (Andrej Markov) dizendo que acha que é seu pai. Além da descoberta do progenitor, a surpresa ainda é maior, porque Andrej é rei de Krósvia, um pequeno país no sudeste europeu, e Ana é sua única filha e herdeira do trono de um país do qual ela nunca nem ouviu falar.

De repente, ela se vê às voltas com uma eminente viagem para a Krósvia para conhecer o país de seu pai, tendo de deixar do outro lado do oceano, sua família, amigos e o projeto de relacionamento com Artur. E chegando lá, a transição que já não é fácil, torna-se ainda mais difícil com a presença de Alex, o enteado de seu pai que parece não estar nem um pouco contente com sua chegada. Mas é claro que toda essa antipatia inicial acaba evoluindo para algo mais, mesmo com Alex tendo uma namorada. Eis o cerne do enredo de Simplesmente Ana, uma história que lembra muito a criada pela Meg Cabot em Diário de uma Princesa, e com a qual a própria protagonista faz uma brincadeirinha em uma parte da trama. Enfim, Ana pode ter começado seguindo os passos de Mia Thermopolis, o que de fato me fez ficar com o pé atrás em relação à história da Marina. Mas, apesar dos pontos em comum e da profusão de clichês a história é bem divertida. Ana é uma protagonista cativante, de opinião forte e com uma paixão enorme por livros. Além disso, não é todo dia que uma princesa perdida é encontrada, ainda mais brasileira né, e é impossível não rolar uma identificação. E o mocinho com ares de bad boy também é um dos motivos pelo qual vale a pena acompanhar essa história. Apesar de toda a raiva que Alex nos faz passar em alguns momentos é muito bom acompanhar o desabrochar dessa relação, regada com alguns diálogos bem espirituosos. Continuar lendo

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Will & Will (John Green & David Levithan)

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“No que diz respeito a vida, prefiro o silenciosamente desesperado ao radicalmente bipolar.”

Will Grayson tem duas regras básicas, não se importar muito com nada e calar a boca, e toda sua existência se resume a não mostrar nada para o mundo. Seu sonho de consumo talvez fosse ser apenas uma montanha, mas ele está mais para um vulcão. Para quem se esforça tanto para não se importar, ele importa-se até demais, e o calar só se restringe a boca porque os pensamentos de Will, bem esses são bem loquazes, sarcásticos e bastante divertidos. Ele é amigo do gay, muito gay, grande e expansivo, Tiny Cooper. Tiny é daqueles que se apaixona de hora em hora e acha que Will é incapaz de sentir o que os humanos chamam de emoção, o contrário dele que é definido pela emoção, emoção que às vezes beira o insuportável para o arrelacionamental Will. Apesar das diferenças, ambos são amigos de longa data e ainda que Will ache que a grande missão de Tiny seja acabar com sua vida social, esse gigante no tamanho e no coração acaba é contribuindo para aumentar seu círculo de amizade, que antes estava mais para uma reta.

“ela provavelmente só está preocupada com o dia em que vou acordar e perceber que metade dos meus genes são tão orientados pra ser um filho da puta que vou desejar ser um filho da puta. bem, mãe, adivinhe só? esse dia aconteceu há muito tempo, e eu gostaria de dizer que é aí que entram os comprimidos, embora eles lidem apenas com os efeitos colaterais.”

will grayson vive com a mãe e a relação dos dois é péssima, melhor seria dizer inexistente. will é depressivo, toma remédio controlado, tem uma relação de amizade completamente deturpada com maura e precisa aceitar e assumir sua orientação sexual, ainda mais agora que está apaixonado por isaac, um garoto de ohio com quem mantém uma amizade virtual. mas não deixe esse pessimismo todo te enganar, à sua maneira will consegue ser tão hilário quanto seu homônimo de Chicago, só que com um humor mais ácido e cinzento.

Green e Levithan dão vida aos seus Wills e seus mundos em histórias que bem poderiam continuar paralelas, mas que acabam se encontrando em uma noite de uma sexta-feira gelada numa sex shop. Ali Will Grayson encontra Will Grayson e de uma forma que não poderiam imaginar provocam mudanças na vida um do outro. Mudanças que acontecem por meio de quem? De Tiny é claro, afinal ele pode não ser um dos narradores dessa história, mas é a estrela principal. Tiny é o elo que une as duas “timelines”. Tiny, suas milhares de mensagens trocadas pelo celular e seu musical que promete ser o mais fabuloso e libertador de todas as produções escolares já feitas. Continuar lendo

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Billy and Me (Giovanna Fletcher)

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Quando fiquei sabendo que a Giovanna Fletcher (esposa do Tom Fletcher – guitarrista e vocalista do grupo McFly) iria lançar um livro, como boa fã do grupo fiquei curiosa para conferir sua obra, ainda mais depois de descobrir que o livro prometia uma história que bem poderia ser a história dela e do Tom. Já aviso de antemão às fãs de carteirinha que não, não é a história dos dois. Influenciada por sua experiência enquanto namorada de um superstar (inspiração que ela não nega), Giovanna deu vida à história de Sophie, uma garota tímida do interior, que se apaixona por um astro de Hollywood e de repente tem sua vida esmiuçada sob a luz dos refletores. O livro foi publicado no dia 23 de maio pela Penguin e ainda não há previsão de quando (ou se) será lançado no Brasil. Continuar lendo

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Liberta-me (Tahereh Mafi)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos do segundo livro da trilogia Estilhaça-me e pode haver spoilers sobre fatos do livro anterior. Para saber o que eu achei do primeiro livro, confira os links no final desta resenha.

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Depois de fugir de Warner e do Restabelecimento, Juliette agora está no Ponto Ômega, o quartel da resistência, que está mais para uma versão da escola de mutantes do Professor Xavier, só que comandada por Castle. Há duas semanas ela está ali e não está feliz. Apesar de livre da cela onde passou três anos e livre daquele que quis utilizá-la como arma, a protagonista ainda está presa na visão de si mesma como um monstro. Além disso, ali ela achara que teria mais tempo para curtir a relação com Adam, mas as regras e os treinamentos e testes a que são submetidos os mantém longe um do outro mais do que gostariam. O que significam os testes que Castle está fazendo em Adam? O que Adam descobriu e que está escondendo dela? E porque ela anda pensando em Warner com tanta frequência? Os pensamentos da protagonista continuam alvoroçados, afinal, não é porque agora ela está em um lugar no qual existem mais pessoas com dons inexplicáveis que ela deixou de ser uma monstruosidade. Não quando os poderes dos outros parecem ter mais utilidade do que apenas destruir tudo o que toca. Para retratar toda essa verborragia mental de Juliette, Mafi optou por uma narrativa entrecortada, rápida, que beira o estranho com suas frases curtas, repetidas, descartadas, sem vírgulas que te permitam respirar. Continuar lendo

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Destrua-me (Tahereh Mafi)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos entre o primeiro e o segundo livro da trilogia Estilhaça-me e pode haver spoilers sobre fatos do livro anterior. Para saber o que eu achei do primeiro livro, confira os links no final desta resenha.

Destrua-me

Destrua-me é um conto que serve de ponte para os acontecimentos narrados no primeiro (Estilhaça-me) e no segundo livro da trilogia (Liberta-me). Para obter o e-book disponibilizado gratuitamente pela Editora Novo Conceito, basta preencher um pequeno cadastro AQUI.

“E foi então que percebi: essa sensação estranha e inexplicável de que talvez ela fosse a única pessoa do mundo pela qual eu poderia realmente me importar.”

Se em Estilhaça-me Mafi já dava mostras de que Warner poderia se tornar um rival de Adam pelo amor de Juliette, em Destrua-me ela vem desconstruir tudo o que tínhamos como certo sobre o líder do Setor 45. Aos nos convidar a partilhar o ponto de vista de Warner, Mafi nos põe a par de sua fixação por Juliette, a desilusão ao perceber que seus sentimentos não são correspondidos, o despeito por ter sido preterido e sua relação deturpada com o pai, comandante supremo do Restabelecimento. É assim que aos poucos, Warner nos mostra outras facetas além da de líder cruel e sanguinário. As fãs do Adam podem até tentar permanecer resolutas em sua torcida, mas duvido que não ficarão tentadas a dar uma chance a Warner. Porque se Adam tem a vantagem de ter uma história que remete a sua infância com Juliette, Warner ganha pontos ao se tornar um personagem mais complexo do que o primeiro e com um adendo, uma ligação com a protagonista que suplanta todas as memórias escolares de Adam e Juliette. Uma história que vem para derrubar nossos preconceitos erigidos no livro anterior e nos deixa abertos para todas as possibilidades em Liberta-me. Continuar lendo

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Estilhaça-me (Tahereh Mafi)

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No futuro imaginado por Mafi, a Terra está devastada. Animais e plantas foram extintos, os recursos naturais são escassos, poucos lugares do planeta ainda são habitáveis (e agora estão divididos em setores) e nesse caos o Restabelecimento governa com mãos de ferro. A organização que surgiu como a única esperança perante as mudanças provocadas pela destruição do planeta, mas depois que alcançou o poder, tomou o controle de tudo e reprime com força total quaisquer movimentos contrários ao regime.

Esse novo mundo, entretanto, é desconhecido de Juliette…

“Não há tantas árvores como antes, é o que dizem os cientistas. Eles dizem que nosso mundo costumava ser verde. Nossas nuvens costumavam ser brancas. Nosso Sol era sempre o tipo certo de luz. Mas tenho frágeis memórias desse mundo. Não me lembro muito de como era antes. A única existência que conheço agora é o que me foi dada. Um eco do que costumava ser.”

Há 264 dias ela está presa. Há três anos foi encarcerada por ser considerada uma monstruosidade, uma anomalia com a qual a sociedade não pode lidar. Seu toque é letal e as pessoas sempre se mantiveram longe dela. Foi jogada naquele hospício para ser esquecida, mas agora o Restabelecimento tem planos para ela. Warner o líder do Setor 45 quer que Juliette una-se a ele e que coloque seus poderes a serviço do Restabelecimento. Uma arma. A natureza que ela sempre negou e tudo que ela nunca quis ser. Continuar lendo

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O Futuro de Nós Dois (Jay Asher & Carolyn Mackler)

O futuro de nós dois

“Esfrego as palmas das mãos nos joelhos: um lado do meu cérebro sugere que esse site pode ser um site do futuro. O outro lado dá bronca no primeiro por ser tão idiota.”

O ano é 1996 e menos da metade dos alunos das escolas de ensino médio nos EUA já tinha utilizado a internet. Emma não faz parte dessa estatística. Ela acaba de ganhar um computador do seu pai e por intermédio de Josh, seu vizinho e amigo de longa data (ainda que a amizade não esteja mais tão forte assim atualmente), ela também ganha um CD-ROM da América Online. Um CD que lhe garante algumas horas grátis na internet. Mas, quando Emma acessa a AOL pela primeira vez, ela também acessa um site cheio de fotos, com uma parte chamada de feed de notícias no qual as pessoas parecem compartilhar todos os fatos de suas vidas, até o mais banais, e onde você escancara para todos qual o seu status de relacionamento… Um site chamado Facebook. O mais estranho é que ela está acessando esse tal site, pelo perfil de uma tal de Emma Nelson Jones, alguém com mais de 30 anos e que parece conhecida demais… Continuar lendo

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