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Fernanda Vogel na passarela da vida (Tammy Luciano) – Book Tour Viaje na Leitura

Eu não sou uma pessoa que liga nomes a fatos rapidamente, então quando comecei a ler este livro, demorei algumas páginas para associar a moça da capa à modelo do acidente do helicóptero. Em 2001, quando o acidente aconteceu, eu tinha 12 anos e a modelo Fernanda Vogel tinha 20 e, ao contrário de todas as expectativas, morreu no auge da carreira.

O livro Fernanda Vogel na passarela da vida narra os passos da modelo, desde a infância até depois do acidente, de um jeito tão bonito que não tem como não sermos cativados. É impossível não sentir um carinho imenso por ela, que era amada por tantos, como mostra o livro. Ler o livro pensando “poxa, mas ela vai morrer” foi uma das coisas mais difíceis para mim, eterna fã de finais felizes (não que saber o fim tivesse me impedido de torcer, o tempo todo, por um desfecho diferente). Continuar lendo

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O Fundador (Aydano Roriz)

“Difícil era manter em segredo a origem daqueles artigos. E da boca de um marinheiro para outro, de uma taverna para outra, de um porto a outro, a notícia foi se espalhando. Espalhando-se e atraindo para o Brasil contrabandistas portugueses e espanhóis, navios corsários e os chamados entrelopos – mercadores aventureiros franceses que não tinham escrúpulo em afrontar o monopólio português assegurado pelo Papa”.

O pequeno trecho acima nos situa sobre o período que a obra retrata. Logo após o descobrimento das terras brasileiras, Portugal tratou de dividi-las em capitanias e “ceder” às terras à colonos que deveriam mantê-las, exportar matéria prima para o reino e protegê-las dos invasores. Quase meio século depois, o Brasil ainda era considerado uma terra selvagem, que pouco rendia ao reino a não ser pelo Pau-brasil (que inclusive era alvo de contrabandistas) e que só tornou a despertar o interesse da Coroa porque a França e a Espanha também estavam de olho nestas terras. Foi para evitar a perda das terras brasileiras que Antônio de Ataíde, conde de castanheira, convenceu o rei D. João III a conceder o cargo de governador geral do Brasil à Tomé de Souza. Um governador geral que teve a tarefa de construir uma cidade e garantir de vez a posse daquelas terras longínquas à Portugal. Continuar lendo

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Um Autor de Quinta #2

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile.

E hoje uma querida autora brasileira, que me conquistou com seus livros e que não me canso de indicar. Já fiz irmãs e primas lerem os livros… hahaha

Paula Pimenta

Mineira de Belo Horizonte, a Paula é publicitária e professora de música e já conta com 10 anos de carreira e cinco livros publicados. Seu début no mundo literário foi com Confissão (2001) um livro de poemas, mas ela só caiu nas graças da nova geração de leitores (e também nas dos mais grandinhos… ó eu aqui!) em 2008, quando lançou o primeiro livro da série Fazendo Meu Filme, a qual já vendeu mais de 30 mil exemplares. Continuar lendo

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Cira e o Velho (Walter Tierno)

Cira e o Velho é o primeiro livro do autor brasileiro Walter Tierno. A história pensada inicialmente para ser uma HQ, depois de quase 200 páginas de ilustrações prontas foi transformada em prosa e tenho que dizer que é uma prosa muito gostosa de se ler, com uma narrativa ágil, bem delineada e que prende a atenção do leitor. Com ilustrações do próprio autor, a história se passa no Brasil do final do século XVII. Em um Brasil que ainda está sendo conquistado pelos povos de além-mar, conhecemos a história de dois irmãos o cobra Norato e Maria Caninana, um pacto com o Senhor das Mentiras e as mortes decorrentes disso.

O autor dá vida a um narrador e utiliza a viagem deste em busca das histórias de Cira para contar a nós leitores uma lenda bem brasileira, com índios, escravos, bandeirantes e muitas criaturas folclóricas.

Maria Caninana e Norato são filhos de uma índia com uma cobra, ainda recém-nascidos presenciaram a morte da mãe, morte que marcou profundamente Caninana e que a tornou cruel. Para se vingar daquele que matou sua mãe, Caninana engendra um plano que envolve a si e seu irmão, esse plano envolve um pacto que exige um pagamento e para cumprir esse pagamento Caninana “contrata” os serviços do sertanista Domingos Jorge Velho. O sertanista sai então em busca dos últimos descendentes vivos de Norato para matá-los, entre eles Cira, filha de Norato com a bruxa Guaracy. Mas, o sertanista não contava que aquele trabalho não sairia conforme o planejado e que isso lhe traria muitos problemas no futuro, porque apesar da mãe de Cira ter morrido, ela sobreviveu e agora quer vingança.

A protagonista da história de Tierno não é lá muito carismática, mas não se pode negar que a moça tem atitude.  Vestindo uma roupa vermelha feita da pele despojada de seu pai e trazendo no ombro uma caveira, Cira parte no encalço de Domingos, lutando contra bandos de lobisomens, mboitatás, princesa de histórias antigas e chegando até Quilombo do Palmares. A aventura de Cira e sua fiel companheira Nhá nos permite desbravar um Brasil de muitas histórias, bichos e gente. Poderia até ser um típico romance regionalista, mas há muitas mortes e muita sede de vingança para caracterizarmos Cira e o Velho apenas assim. A obra acima de tudo é uma lenda bem contada.

“A força das lendas, dizem, está em quem as espalha”.

Para mais informações sobre a obra e o autor visite o site pessoal de Walter Tierno aqui.

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O Turno da Noite: Os Filhos de Sétimo (André Vianco)

Atenção, este post trata do primeiro livro da série O Turno da Noite, que se passa depois dos eventos de Os Sete e Sétimo. Assim sendo, podem haver spoilers, ou seja, comentários sobre a trama dos livros anteriores.

Os Filhos de Sétimo_capa

A história da trilogia O Turno da Noite tem começo apenas dias após o final de Sétimo. Seus filhos estão perdidos pelas ruas de São Paulo, sem saber como encarar a noite. Um vampiro ancião, Ignácio, entra em contato com quatro deles, Patrícia, Bruno, Raul e Alexandre e lhes oferece o que os jovens tanto procuram: segurança. O dinheiro e os luxos que o homem oferece também os atrai.

Ignácio diz aos novatos que eles não devem resistir à sede por sangue, que fazê-lo apenas os tornará mais mortais quando cederem; e explica que devem caçar pessoas que merecem ser mortas, tais como traficantes, estupradores, assassinos… Através de seu discurso, os jovens são arrebanhados para a agência de Ignácio que “limpa” a sociedade dos mortais.

Paralelamente à trama dos novatos, ocorrem outras histórias: a alcatéia de lobos filhos de Dom Afonso (Lobo) decide se esconder do exército, que ainda está atrás dos vampiros. A alcatéia se separou em três grupos: o primeiro é liderado por Leonardo e busca se esconder na Floresta Nacional de Ipanema em Sorocaba; o segundo, composto por Marcos e Yuli, tenta retornar a Porto Alegre, onde foram criados por Lobo; e finalmente, Hélio, que salvou duas das vampiras de Sétimo: Aléxia e Paola.

Todas essas tramas são exploradas alternadamente nas 229 páginas do livro, o que poderia torná-lo rápido e superficial demais, mas o autor soube contar sua história bem, e não ficamos com essa impressão. Claro que algumas histórias são menos exploradas, mas acredito que ele as retome nos livros futuros da série, então isso não se trasnforma em um problema.

Um dos fatores que tornou as histórias do André Vianco tão famosas é que ele, por ser brasileiro, narra os acontecimentos em cidades do país. Então quando ele descreve suas personagens no parque Trianon, ou na rodoviária do Tietê, eu consigo imaginar muito mais eficientemente a cena, por conhecer o lugar pessoalmente. Mesmo quando não conheço o lugar pessoalmente, reconheço de alguma notícia ou simplesmente imagino mais fácil por ser no Brasil. Dá uma sensação muito mais real à trama.

Para quem se encantou com os livros anteriores, a série é um must.

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Book Tour: Guardians (Luciane Rangel)

O mundo dos homens é protegido do mundo de malignas criaturas por uma barreira dimensional. Frágil e sob constante ameaça, ela é protegida por doze guerreiros sob os signos das estrelas: os Guardiões.”

Tenho que confessar que a primeira vez que li algo sobre o livro, pensei que não iria gostar, que a história não fazia meu estilo e tinha decidido não lê-lo. Só tenho a agradecer a iniciativa da autora em propor um Book Tour com sua obra, assim pude conferir e acabei conhecendo uma boa história, ao mesmo tempo divertida e tratando de forma clara e consciente assuntos polêmicos como orientação sexual e o tráfico para as redes de prostituição. Continuar lendo

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Anacrônicas: Pequenos Contos Mágicos (Ana Cristina Rodrigues)

Utilizar personagens de Alice no País das Maravilhas para narrar sua própria história? Fazer releituras de momentos históricos, misturar no mesmo balaio distopias, fantasias, lendas mágicas, vagar por uma Terra destruída ou em uma que espera sentada a sua destruição? É o que Ana Cristina Rodrigues nos propõe em seu Anacrônicas. Seu livro é composto por 21 contos que versam sobre os mais variados temas.

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Crime na Feira do Livro (Tailor Diniz)

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No texto da ‘orelha do livro’ Altair Martins diz que: “Esta é uma novela para se ler em Porto Alegre ou, ao menos, tendo na retina suas ruas, a paisagem do Guaíba e, sobretudo, dos Jacarandás da Feira do Livro.” Então, devo confessar que foi com apreensão que comecei a ler o texto de Diniz, tinha receios de que não aproveitasse o texto em sua totalidade, ou que escapasse às minhas retinas virgens minúcias que qualquer porto-alegrense poderia captar. Meus receios mostraram-se infundados, Diniz descreve os lugares com tanta clareza que é impossível não conseguir imaginar-se às margens do Guaíba, na Casa de Cultura ou a perambular pela Rua Sete de Setembro. Não conhecer POA, não te impede de aproveitar as aventuras do detetive Jacquet.

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O Segredo da Guerra (Estus Daheri)

Quando se fala em literatura fantástica, o que vem logo a mente são autores europeus ou americanos. É compreensível já que a tradição das obras de fantasia nestes povos é mais antiga, mas não é desculpa para achar e propagar que a literatura brasileira não tenha autores representando esse gênero. Ainda que essa incursão seja recente e que muitos autores “bebam” nas obras de grandes ícones como Tolkien e Le Guin, o que é de se esperar já que muitos dos escritores de fantasia da atualidade se inspiram e são fãs desses grandes autores. O fato é que tem obras fantásticas de qualidade sendo produzidas no Brasil e que merecem um pouco mais de atenção dos que adoram esse gênero da literatura. Hoje apresento-lhes um romance fantástico de qualidade escrito por um brasileiro. Seu nome é Thiago Tizzot e ele escreveu sob o pseudônimo de Estus Daheri o romance O Segredo da Guerra publicado pela editora Arte & Letra.

Thiago Tizzot é curitibano, autor, editor e um dos responsáveis pela editora Arte & Letra, além de grande fã de Tolkien contribuindo inclusive para que obras como As Cartas de J. R. R. Tolkien fossem publicadas no Brasil. Thiago é um grande apaixonado por literatura fantástica e um grande divulgador desse gênero. Para conhecer um pouco mais sobre o autor, leia a entrevista que a Anica fez para o blog Meia Palavra: 10 perguntas e Meia para Thiago Tizzot.

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Desafio Leitura Nacional

 

Olá galera,

 

A Aline do blog Sempre Nerd postou um meme bem legal criado pela Fernanda do Nanda Meireles Blog com o intuito de ajudar a divulgar e mostrar que vale a pena investir em um livro nacional. Gostei da ideia, acho que tem muitos livros nacionais tão bons quanto (e até melhores) do que muita obra gringa e topei o desafio proposto pela Nanda, que é o seguinte:

“Esse desafio visa demonstrar que vale a pena investir em um livro nacional. Ao aceitá-lo, você responderá as questões abaixo agora e voltará a fazê-lo no fim do ano. Então, compararemos as respostas e veremos qual foi o balanço.”

 

Eu já comecei mal este ano porque ainda não li nenhum romance tupiniquim, mas pretendo remediar isso logo.

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