Arquivo da categoria: Resenhas da Núbia

As Violetas de Março (Sarah Jio)

Apegados.indd

Emily Wilson tinha uma vida invejada por muitos. Uma carreira de escritora de sucesso e um casamento ideal. Tudo seria perfeito, se a carreira não fosse baseada em um livro só, livro que Emily nem gosta tanto assim e após o qual nunca conseguiu escrever mais nada, e se o casamento invejável não tivesse acabado em divórcio, porque o marido aparentemente achou alguém melhor que ela. Desencantada pela vida, Emily decide ir para a ilha de Bainbridge (local onde passava suas férias quando menina), para a casa de sua amada tia-avó Bee que durante muito tempo ficou relegada ao segundo plano em sua vida certinha de Nova York. É assim, que após assinar os temidos papéis, ela parte para a ilha vizinha à Seattle, que conta com um grupo de habitantes bastante eclético. Era o dia primeiro de março… Continuar lendo

3 Comentários

Arquivado em Editora Novo Conceito, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

Kallisti (Clarisse Alvarenga)

Kallisti

“Nada poderia prepará-la para a história que aquele resto de líquido lhe contaria. Soltando um suspiro, senta-se na relva e começa a chorar.”

Kallisti, uma nizkhoviana radicada em Schandane uma província de Stentriona, é uma mestre do Neromantosyni, uma antiga arte divinatória de leitura da água. Um dia, fazendo suas leituras matinais, ela vislumbra a chegada do amor de sua vida, mas também percebe que ele não chegará sozinho e que terá que pagar por isso com sua própria vida.

Gerard é um forasteiro recém-chegado à Schandane. O jovem criado pela mãe enquanto o pai corria o mundo, conheceu o genitor apenas aos 18 anos quando este retornou. E este retorno foi marcado pelo leito de morte do pai e por uma missão herdada por Gerard.

Alexandre Menat Ba-Hamartia é dono do maior castelo de Schandane, amigo do rei e protetor de Kallisti. Sua residência é conhecida por ser palco de festas espetaculares e dessa vez irá sediar as comemorações de 20 anos da de Valaren pelo rei. Um baile de máscaras.

Uma previsão, um agente e uma oportunidade para um plano ser colocado em ação. É assim, em meio a algum mistério e muitas suposições que Clarisse nos apresenta sua história. Uma história onde a fantasia encontra o medieval, a magia encontra seu algoz a inquisição e o amor e outros sentimentos ardentes provocam mudanças na vida de todos. De início já sabemos que Gerard é o destino de Kallisti, a dúvida que nos acompanha é a curiosidade para sabermos qual é a missão que ele herdou do pai e como isso pode estar envolvido com o futuro negro previsto por ela. Continuar lendo

3 Comentários

Arquivado em Resenhas da Núbia

O Príncipe (Kiera Cass)

o princípe

“Repeti mentalmente suas palavras. Todo esse tempo eu pensei que a escolha seria feita pelo acaso ou então pelo destino… E era apenas o meu pai.”

O Príncipe traz o ponto de vista de Maxon e mostra o outro lado da vida no castelo. O lado regido com mãos de ferro por seu pai, que lhe exige subordinação total, sem nenhuma oportunidade de ter e de defender suas próprias opiniões e sem a existência de uma relação mais estreita entre pai e filho, tão almejada pelo príncipe.

A história começa no aniversário de 19 anos de Maxon, momento a partir do qual ele pode participar da organização do evento que irá escolher sua futura noiva e rainha de Illéa. Na festa, conhecemos Daphne, filha do rei da França e amiga de infância de Maxon. A garota não quer que ele aceite a Seleção. Ao que parece o afeto dela pelo rapaz é mais profundo que o dele por ela, o que acabou me surpreendendo porque lendo a sinopse do conto eu imaginava que seria justamente o contrário e que esse amor não correspondido seria a trama central da história narrada no conto. Daphne serve mais como um banho de água fria que acorda Maxon para os interesses Reais na Seleção, evento que antes ele julgava idôneo, mas que cada vez mais se mostra como a oportunidade do rei atingir seus interesses. Continuar lendo

2 Comentários

Arquivado em Resenhas da Núbia

Em Busca de um Final Feliz (Katherine Boo)

“- Tudo ao nosso redor são rosas. – Era como o irmão caçula de Abdul, Mirchi, colocava as coisas. –E nós somos a bosta no meio disso.”

Aterrissagem no Aeroporto de Mumbai, Índia. (Travfotos; flickr.com / Creative Commons)

Aterrissagem no Aeroporto de Mumbai, Índia. (Travfotos; flickr.com / Creative Commons)

Do alto dos aviões, os tapumes que beiram o high-tech com seu brilho prateado não conseguem servir ao seu propósito. Annawadi e outros trinta assentamentos irregulares estão destinados a serem a primeira imagem na retina dos que chegam e a lembrança indesejada dos que deixam Mumbai pelo Aeroporto Internacional. A imagem que estava destinada a ser apenas isso, um retrato estático do encontro entre a opulência dos hotéis cinco estrelas e a miséria daqueles que vivem à sombra dos neons e do lixo gerado pelo consumo de luxo, ganha cor e escancara a vida borbulhante daqueles que lutam diariamente e buscam soluções as mais criativas o possível para se reinventar e criar um futuro que extrapole as fronteiras excludentes de Annawadi, que lhes permita vencer a barreira entre a pobreza e a vida levada pelos ricos.

TRIBHUVAN TIWARI

Foto: Tribhuvan Tiwari

Traduzir toda essa agitação em palavras para fazer um dos relatos mais detalhistas e reais da vida das castas mais baixas da Índia na era da globalização foi a tarefa que Katherine Boo, uma jornalista americana que passou mais de 20 anos fazendo reportagens dentro de comunidades pobres, tomou para si. Mas, mais do que narradora ela permitiu que os moradores de Annawadi contassem sua história e para isso de novembro de 2007 à março de 2011 ela vivenciou o dia-a-dia da comunidade e documentou a experiência dos moradores da favela, além de registros públicos conseguidos após várias petições. Foi assim que surgiu o livro Behind the Beautiful Forevers publicado em 2012 e traduzido e publicado pela Editora Novo Conceito este ano sob o título de Em Busca de um Final Feliz.

Em-Busca-de-um-Final-Feliz

“É fácil quando se está a uma distância segura, deixar de lado o fato de que as áreas pobres dentro da cidade são governadas pela corrupção, onde pessoas exaustas rivalizam em um terreno limitado e onde é dolorosamente difícil ser bom. O grande espanto é que, na verdade, algumas pessoas são boas e que muitas tentam ser.”

Quando a Novo Conceito disponibilizou a lista de lançamentos para a solicitação de exemplares, de início não havia pedido Em Busca de um Final Feliz para resenhar. Tinha receios de que a história descambasse para a “glamorização” da pobreza como bem citado pelo Zeca Camargo no prefácio, mas, ao mesmo tempo me vi curiosa para conhecer mais profundamente a Índia pouco mostrada e citada de forma superficial nos romances que li que se passavam naquele país. Pedi o livro e comecei a leitura sem esperar muito da obra, mas de repente me peguei cativada pelo relato de Katherine e pelos moradores de Annawadi. Abdul e seu negócio rentável de reciclagem de lixo que mantém a família Husain acima da linha da miséria, mas que de uma hora para outra, vê sua vida explodir depois das ações desesperadoras de Fátima Perna-Só; Kamble e a impossibilidade de arranjar emprego por não ter como fazer uma cirurgia, paga pelo governo, mas cobrada por baixo dos panos pelos médicos; Asha e sua busca incessante pelo poder, ainda que para isso tenha que mergulhar na mais sórdida corrupção; Sunil e a esperança ingênua de conseguir ‘ser alguém’ catando lixo; Manju e a esperança de se tornar a primeira mulher de Annawadi a se formar na faculdade e a vontade de se dedicar à educação em um país no qual 60% dos professores da rede pública não tem formação superior.

Pegando como ponto de partida, a ação desmedida de Fátima Perna-Só de atear fogo ao próprio corpo e acusar o pai, a irmã e o próprio Abdul de levarem-na a tal ato. Trabalho esse facilitado pelo sistema jurídico altamente corrupto, que não perde tempo em tentar extorquir todo dinheiro que puder dos que caem em suas teias. Boo vai contando uma história que poderia se passar por um romance de ficção e dos bons, mas, infelizmente é a história nua e crua retratada aqui e o quadro não é nada bonito, ainda que a esperança sempre esteja presente como uma boia salva-vidas solitária na qual todos se agarram como podem.

Compre aqui:

Cultura Submarino Saraiva Travessa Fnac Fnac Fnac

5 Comentários

Arquivado em Editora Novo Conceito, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

O Príncipe da Névoa (Carlos Ruiz Zafón)

O-Príncipe-da-Névoa

Primeiro romance publicado por Záfon, O Príncipe da Névoa foi publicado originalmente em 1993 e assim como Marina compõe a ‘série’ de livros juvenis com a qual Zafón planejava atingir leitores de todas as idades. O romance também lhe garantiu o Prêmio Ebedé de literatura em 1993.

Em 1943, o pai de Max Carver decide que a melhor decisão para a família é se mudar para um vilarejo no litoral e assim escapar das agruras da Guerra. Max recebeu a notícia no dia do seu aniversário de 13 anos e sentiu seu mundo ruir por ter de ir embora e abandonar a escola, os amigos e a banca de quadrinhos da rua. Suas irmãs, Alicia e Irina também não estão lá muito contentes. Mas, a imensidão azul do Atlântico acaba por conquistar a todos. É realmente uma pena, que os planos do Sr. Carver de ter uma vida tranquila não caminhem conforme o planejado…

A casa para a qual se mudaram foi palco de uma tragédia e os fantasmas dessa época, mais do que ecos estão cada vez mais reais e interferindo na vida da família. Max descobre um misterioso jardim de estátuas envoltas em névoa no qual a peça principal é um palhaço que tem sido protagonista dos sonhos que tem perturbado Alicia e a pequena Irina tem sido atormentada por uma voz misteriosa que vem do seu armário. Mistérios que começam a ser desvendados depois que o novo amigo de Max, Roland, lhe conta sobre o misterioso naufrágio de 1918 e lhe leva para visitar os destroços do navio. É assim que a figura do Príncipe da Névoa começa a ser delineada, junto com todo o terror que o tem acompanhado ao longo do tempo, o qual estende suas garras para mudar para sempre o destino da família Carver e de Roland e seu avô.

“Durante as intermináveis noites no farol, costumava imaginar como teria sido sua vida se o destino não tivesse cruzado seu caminho com o daquele poderoso bruxo. Agora sabia que as lembranças que o acompanhariam em seus últimos anos de vida seriam apenas fantasias de uma biografia que nunca pôde viver.”

 andarilho_acima_de_um_mar_da_nevoa_posters-r674aaf2542ac4c2b8e7f9e3316e18f30_wvc_8byvr_512

Por se tratar do primeiro romance do autor, a narrativa é simples e apresenta algumas discrepâncias ao longo da trama. Porque convenhamos, por mais que você se mude para uma cidade do interior onde nada parece ocorrer e aparentemente não há perigos a espreita, não há como concordar que o comportamento dos pais de Max é condizente com, bem, o comportamento que se espera de pais preocupados com o bem estar dos filhos. É complacência demais para o meu gosto. Como assim um garoto de 13 anos só informa aos pais que irá mergulhar? O garoto nunca morou a beira-mar antes e simplesmente pode ir assim facilmente ter sua primeira experiência no oceano? Pedir permissão para quê não é mesmo? Além disso, há incongruência em algumas datas relacionadas à história do garotinho Jacob que muito me incomodaram e foi impossível relevar, pois estão intimamente relacionadas com a trama que o autor criou. Mas, apesar das ressalvas aos deslizes cometidos, foi mais uma leitura agradável e que me fez lembrar o motivo pelo qual gosto tanto da narrativa do autor. Reafirmo o que já havia escrito na resenha de Marina. O Príncipe da Névoa é um romance para agradar leitores de todas as idades, pois ainda que seja direcionado ao público mais jovem, o suspense e o mistério tem tudo para cativar os leitores mais maduros também.

Dessa vez não estamos em Barcelona e sua atmosfera gótica (ou talvez, deveria dizer que Zafón ainda não chegou lá), contudo, o ar sombrio e sobrenatural, que é a principal característica de seus romances, é palpável e é em torno dele que sua história se desenrola. E essa atmosfera vai tornando-se cada vez mais densa e sufocante até convergir em um final eletrizante e tudo isso em poucas páginas. Em pouco menos de 200 páginas Zafón nos apresenta personagens cativantes, tece um arcabouço robusto para sua história e nos faz sentir frio na espinha e ficar ansiosos com as possibilidades aterrorizantes que a história pode reservar. Agora, estou curiosa para descobrir como Zafón conectou os livros que fazem parte da trilogia iniciada pelo Príncipe da Névoa, pelo que pude perceber lendo a sinopse do segundo livro, são novos personagens e aparentemente não consegui tecer uma relação entre a história que será narrada ali e as aventuras de Max. Aliás, a história de O Príncipe da Névoa funciona perfeitamente bem sozinha e poderia muito bem ser tomada por um romance único por um leitor que não soubesse sobre a trilogia.

Conheça a Trilogia da Névoa:

  1. O Príncipe da Névoa [Goodreads][Skoob]
  2. O Palácio da Meia-Noite [Goodreads][Skoob]
  3. Las Luces de Septiembre [Goodreads][Skoob]

Compre aqui:

Cultura Submarino Saraiva Travessa Fnac Fnac Fnac

3 Comentários

Arquivado em Resenhas da Núbia

A Caçada (Clive Cussler)

A Caçada.indd

Quando você curte literatura policial (e aqui inclua romances de espionagem também) e de repente se depara com um autor do gênero que ainda não conhecia é uma ocasião muito feliz. Quando ele tem mais de 50 livros publicados e um estilo narrativo cativante isso não poderia ficar melhor. Foi assim que acabei descobrindo Clive Cussler, seu detetive Isaac Bell e sua história com uma mistura de faroeste, espionagem, elementos tecnológicos (condizentes com a época da história é claro), um bandido para lá de arrogante e muita velocidade sobre quatro rodas, ou, mais frequentemente sobre as grandes rodas motrizes das locomotivas.

A Caçada é o primeiro livro da série protagonizada pelo detetive Isaac Bell. A série já conta com seis livros publicados (o mais recente foi publicado em março deste ano) e no Brasil é publicada pela editora Novo Conceito, que pasmem, publicou o terceiro livro da série (O Espião) antes. Espero que o lançamento de A Caçada signifique que agora irão seguir a ordem correta na publicação dos demais livros.

Em 1950, a carcaça de uma locomotiva contendo três corpos e uma carga suspeita é retirada de um lago em Montana após ficar 44 anos desaparecida. É a partir deste acontecimento, a conclusão de uma história iniciada tantos anos atrás, que Cussler nos convida a voltar ao passado e acompanhar os fatos que acabaram assim. Continuar lendo

4 Comentários

Arquivado em Editora Novo Conceito, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

Chantilly (Mare Soares)

chantilly-livro

Avilly e Chantilly são duas cidades do interior da França que tem em comum um estranho surto ocorrido em 2020 que culminou na degradação de ambas as cidades. Em 2020 ambas as cidades foram acometidas por uma estranha doença que além de afetar a memória dos moradores também provocou a morte de muitas pessoas. Catherine de Aragon, moradora de Chantilly, aterrorizada pela perda da memória iminente decide começar um diário narrando à situação vivida por ela e implorando para quem encontrar suas anotações no futuro, tente descobrir a causa para o que está acontecendo hoje e que se ainda for possível encontrar uma solução que os ajude.

É este diário, que dez anos depois cai nas mãos de Ethan Stuart, um cientista que está muito interessado em desvendar os misteriosos fatos envolvendo as cidades. E através de cartas trocadas entre Ethan e Catherine, que parece estar se recuperando dos danos causados pela doença, o interesse do pesquisador só aumenta e ele decide começar uma investigação por conta própria. E como todo Sherlock tem seu Watson, Leon Saiter, um antigo morador de Chantilly com um baita pendor para o alcoolismo, é escalado para o papel. É assim que ambos acabam indo parar na França, conhecem a misteriosa Anabelle e começam a descobrir mais sobre o misterioso acontecimento que ao que parece não foi por causas naturais, mas fruto de um experimento que pode ter envolvido até o governo francês. Continuar lendo

3 Comentários

Arquivado em Resenhas da Núbia

O Livro do Amanhã (Cecelia Ahern)

“Perdi meu pai. Ele perdeu seus amanhãs e eu perdi todos os nossos amanhãs juntos. Agora, pode-se dizer que os aprecio quando chegam. Agora, quero torná-los o melhor que puderem ser.”

 O Livro do Amanha.indd

Tamara cresceu acostumada ao luxo e sem a mínima preocupação com o amanhã. Mas, a morte abrupta de seu pai veio para estilhaçar o mundo perfeito da garota de 16 anos. Primeiro pelo trauma de perder um ente querido e segundo, porque a perda do pai vem acompanhada de uma montanha de dívidas que obriga Tamara e sua mãe a deixarem a casa onde vivem e se mudarem para a casa dos tios da garota em um vilarejo no interior. Em sua nova vida os dias agitados já não têm espaço, a mãe vive no mundo da lua sem dar a mínima atenção à filha ou ao que a cerca, o tio não é de muitas palavras e a tia é uma controladora de carteirinha, uma sombra sempre presente a controlar todos os passos da garota e que parece guardar alguns segredos. A vizinhança? Um castelo em ruínas, uma cabana na qual ela não sabe quem mora, um posto de correios, uma escola vazia e um pequeno convento.

Essa primeira parte da história não tem ação nenhuma, segredo nenhum é revelado ou sugerido e mesmo assim a leitura longe de ser cansativa é divertida. Cecelia nos presenteou com belas passagens, alegorias inspiradoras, e metáforas poéticas, apesar de trágicas, que condizem com a situação vivida pela personagem. Eu, que tenho o costume de anotar os trechos que mais gosto tive que conter tal hábito porque a ação já estava desenfreada. É só porque consegui me segurar que esta resenha não está repleta de citações. Continuar lendo

14 Comentários

Arquivado em Editora Novo Conceito, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

O Primeiro Amanhecer (Roberto Campos Pellanda)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos derradeiros da série O Além-Mar e pode haver spoilers sobre os fatos do primeiro livro. Para saber o que eu achei de Noite Sem Fim, clique aqui.

O Primeiro Amanhecer

A última parte da história iniciada em Noite Sem Fim já chega revelando um importante segredo da vida de Martin, um segredo que nos deixará em dúvidas ao longo de boa parte da narrativa e que definirá as ações derradeiras daquele que se julgava um simples garoto da Vila com pendor para arranjar problemas por não concordar com o regime Ancião. O amadurecimento do protagonista ao longo da história é palpável e ter acompanhado as angústias, receios, desventuras, embates, mas também os momentos de aprendizado e alegria ao lado dos amigos contribuíram e muito para deixar Martin mais real aos nossos olhos e nos aproximar do personagem.

“Existe uma grande civilização no Além-Mar, Maya. E não me refiro aos monstros. Há pessoas como nós, vivendo em grandes cidades, muito maiores do que a nossa Vila – respondeu Dom Gregório. – E é chegada a hora desses povos, que já foram um só, se unirem outra vez.”

Os acontecimentos de Noite Sem Fim acarretaram no enfraquecimento do regime Ancião e na quebra de um antigo trato com os Knucks. O envio de navios para o Além-Mar foi interrompido e as consequências disso podem ser desastrosas não só para a Vila, mas também para as outras cidades. Se em Noite Sem Fim era sob a ótica de Martin que conhecíamos a história, agora esse papel precisa ser dividido com alguém para que possamos acompanhar as aventuras do garoto desbravando os novos mundos de Além-Mar, mas permaneçamos informados sobre os acontecimentos da Vila. E é assim que Maya ganha esse importante papel. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

O Homem Que Queria Ser Rei e Outras Histórias (Rudyard Kipling)

o homem que queria se rei

Filho de ingleses recém-chegados ao continente asiático, Joseph Rudyard Kipling nasceu em Bombaim, Índia, em 30 de dezembro de 1865. Logo, o garoto foi mandado à Inglaterra para estudar e voltou à Índia em 1882 para trabalhar em um jornal local. Trabalho este que lhe propiciou observar o cotidiano da vida na Índia, juntando assim um material bruto que foi primordial para que a vida de contista tivesse início. Em 1907, ele foi o primeiro autor inglês a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Quando morreu em 1936, ele deixou um legado de mais de 250 contos, cinco romances e cerca de 800 páginas de versos.

O Homem Que Queria Ser Rei e Outras Histórias é o 18° volume da Coleção Clássicos Abril, com tradução de Cristina Carvalho Boselli e edição e texto complementar de Heitor Ferraz. A reedição publicada pela Abril em 2010 é a mesma da originalmente publicada em 1975 pela Editora Record. O volume reúne dez contos nos quais Rudyard esmiúça a vida na Índia colonial, especialmente a vida dos soldados, mas também de cidadãos comuns, tanto os mais humildes quanto os mais abastados. Kipling era conhecido como o “Escritor do Império” por defender o imperialismo britânico e não há como negar que essa seja uma característica marcante em sua obra, pelo menos nos contos compilados aqui. A ode a supremacia britânica, ainda que nas entrelinhas, é bastante palpável. Quase todos os personagens principais dos contos são ingleses radicados na Índia e quando por ventura, o protagonista é indiano, ainda assim cabe aos ingleses uma grande participação. Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Resenhas da Núbia