Arquivo da categoria: Lendo aleatoriamente

Livros, leitura, autores, editoras.

Tenshi (Luciane Rangel & Ana Claudia Coelho)

Tenshi

“Eu não pedi para vir ao Japão. Eu não pedi para viver aqui e ser diferente.

Ao mesmo tempo em que era destacada, naquele país estava tudo o que eu conhecia: meu nome, minha míngua, meus costumes, minha família…. Porém, ainda assim, eu não pertencia àquele lugar.

Eu não pertencia a lugar algum. ” (Página 20)

Matsuo Umi tem quinze anos e foi abandonada quando bebê na porta de um orfanato em Chiba no Japão. Aos cinco anos foi adotada por um casal de japoneses. Por ter cabelos loiros e ondulados, olhos azuis e ser considerada alta para o padrão japonês, Umi sofreu e sofre bullying, principalmente na escola. Suas únicas amigas são a Gallagher Natsu (uma mestiça, filha de uma japonesa e um americano) e Shimada Kaori (antissocial convicta). Umi também é apaixonada por Shimada Hinoki, irmão mais velho de Kaori e professor de biologia delas.

Só as histórias de Umi, Natsu e Kaori já garantem drama suficiente. Umi convive com a mágoa de ter sido abandonada, com a crueldade dos que a rejeitam por ser diferente e com o medo de não ser mais necessária caso os pais tenham um bebê. Natsu tem que encarar diariamente a ausência do pai e supre essa falta com tudo o que vem dos Estados Unidos. Kaori e o irmão mais velho (não tão mais velho assim) desbravam o mundo sozinhos desde que os pais morreram. Mas, além disso, a Luciane e a Ana Claudia acrescentaram um garoto misterioso nessa história. Continuar lendo

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Temporada de Acidentes (Moïra Fowley-Doyle)

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A Irlanda é conhecida por seu rico folclore e pela grande importância que a sorte (ou a falta dela) tem na vida das pessoas. Em seu livro de estreia, Moïra Fowley-Doyle utiliza de forma interessante todo esse arcabouço criando um romance imagético e leva as últimas consequências a importância da sorte. Afinal, por que trabalhar alguns eventos esporádicos de má sorte se você pode tornar azarado um mês inteiro? Por que não retroceder e instituir uma temporada inteira de azar que se repete ao longo dos anos?

“É a temporada de acidentes: acontece todos os anos na mesma época. Um período em que ossos quebrados, cortes e hematomas são frequentes. (…)

Resumindo: apertamos os cintos, pois sabemos que o pior está por vir. Nunca saímos de casa sem pelo menos três camadas de roupa. Temos medo da temporada de acidentes. Temos medo da facilidade com que os acidentes se transformam em tragédias. Já passamos por muitas. ”

(Página 15)

Desde que Cara se entende por gente, e antes disso, sua família se torna vulnerável a todo tipo de acidentes durante o mês de outubro. Este ano a temporada de acidentes segue cobrando dividendos dos Morris, mas desta vez será diferente. O passado será remexido, cicatrizes (e não somente as físicas) serão relembradas, haverá o prenúncio de uma grande tragédia, mas também sobrará espaço para a amizade e o amor. Continuar lendo

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Star Wars – Tarkin (James Luceno)

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Continuando com as leituras das obras que fazem parte do novo cânone da franquia Star Wars, desta vez voltamos um pouco no tempo. O período retratado se passa cinco anos após o golpe contra a república e a instauração do Império Galáctico. Nesta época, o império está construindo secretamente uma de suas mais terríveis armas: a estrela da morte (a primeira) e supervisionando essa grande obra está o oficial (moff) Wilhuff Tarkin.

“Nem todos morriam de amores por ele. Se para alguns ele era meticuloso, racional e destemido, para outros era calculista, cruel e fanático. No entanto, independentemente de qual postura seus pares adotassem, as histórias sobre Tarkin surgidas nos últimos dias do Departamento Judicial eram lendárias e só faziam aumentar conforme corriam adiante. ” (Página 102)

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Cadê a inspiração?

Inspiração

Olá queridos seguidores do Blablabla Aleatório. Novamente venho abusar do título vago do blog que nos permite escrever quase qualquer coisa… Hoje, minha inspiração vem (ironicamente) da falta de inspiração que tenho tido nos últimos meses. Parte do motivo do meu sumiço é “culpa” do mestrado: eu não consegui ler quase nada este ano, aí fica difícil resenhar. Mas eu já fui ocupada antes, e consegui manter ritmo de postagem, então devo assumir totalmente a culpa da outra parte: estou desanimada. Continuar lendo

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Orange (Ichigo Takano)

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Orange, o mangá shoujo escrito e ilustrado pela Ichigo Takano, começou a ser publicado originalmente em 2012 na revista Benatsu Margaret da Shueisha, mas acabou sendo descontinuada devido a problemas pessoais enfrentados pela autora. Só em 2013 a obra foi retomada, dessa vez pela Monthly Action da Futabasha e depois acabou sendo lançada em volumes encadernados, cinco no total. Volumes estes que começaram a ser publicados no ano passado no Brasil pela Editora JBC. Agora, com a série finalizada, venho comentar um pouco sobre essa história que mescla romance, drama e ficção científica e que trabalha um tema bastante espinhoso (a depressão) sem tratá-la como um monstro que deve ser mantido trancado no armário, mas sim mostrando o quanto ela pode tornar a vida de quem sofre difícil e sem perspectivas, e como o apoio dos amigos pode ser muito importante durante esse período.

O que você faria se a você de dez anos no futuro lhe enviasse uma carta, narrando em detalhes os seus próximos dias na escola, e lhe pedisse para mudar algumas coisas e evitar que os arrependimentos no futuro sejam tão pesados? Continuar lendo

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O Estranho Caso do Cachorro Morto (Mark Haddon)

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A literatura sem dúvidas tem se tornado mais inclusiva (ainda que haja ainda um longo caminho pela frente), o que é muito bom, pois ao nos colocar (leitores) na vida do outro, contribui para nos tornar mais empáticos às situações enfrentadas por ele e colabora para romper preconceitos, ou ao menos, amenizá-los.

Desde que o autismo se tornou uma condição mais conhecida do público em geral — e não duvido que os livros, séries e filmes possam ter contribuído muito para isso — o interesse em compreender mais sobre esse distúrbio só tem aumentado. E a literatura tem ressoado esse interesse. Temos livros mais técnicos, obras escritas por autistas e livros com protagonistas autistas. E as temáticas abordadas são bem amplas. Temos romance (com protagonistas adultos), romances policiais e toda uma gama de obras voltadas ao público jovem que vão dos dramas escolares até os dramas familiares envolvendo grandes tragédias. O romance de Mark Haddon pode até ser apenas mais um, mas tem seus méritos. Quer seja pelo desenvolvimento de seu protagonista, quer seja pelo fato de ter sido publicado lá em 2004, quando o assunto nem estava tão em voga assim.

Em O Estranho Caso do Cachorro Morto conhecemos Christopher John Francis Boone, um garoto de quinze anos que têm Síndrome de Asperger, uma forma de autismo. Christopher sabe de cor todos os países e suas capitais, sabe também todos os números primos até 7.507. Gosta de animais, não entende nada de relações humanas, não suporta ser tocado, não consegue mentir e não entende metáforas ou piadas. Continuar lendo

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O Planeta dos Macacos (Pierre Boulle)

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Desde que o romance de Pierre Boulle foi publicado, em 1963, já contava com certa notoriedade no mundo literário. Uma notoriedade que só aumentou desde o lançamento da primeira adaptação do livro para o cinema em 1968. Depois disso, várias adaptações e continuações foram produzidas. Algumas mais próximas à trama original e outras bem distantes da trama criada por Boulle. Com o reboot da franquia e o lançamento de Planeta dos Macacos: A Origem em 2011, o interesse sobre a obra de Boulle reacendeu. E a editora Aleph, muito sabiamente em 2015, resgatou essa obra icônica da ficção científica, com uma edição que também conta com uma entrevista concedida por Boulle em 1972, um ensaio jornalístico sobre a vida do autor, além de um posfácio escrito pelo pesquisador de ficção científica Braulio Tavares.

A história de Boulle nos é entregue encapsulada. É um casal de cosmonautas em viagem turística pelo espaço que a encontra: uma garrafa contendo um manuscrito. Um documento contendo as memórias de Ulysse Mérou, um jornalista que um dia decidiu se aventurar em uma viagem espacial, na companhia de mais dois cosmonautas, em direção à estrela Betelgeuse na Constelação de Órion. Continuar lendo

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Louco – Fuga (Rogério Coelho)

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E já estamos no décimo volume das Graphic MSP, e se com a releitura de A Turma da Mata não houveram grandes expectativas (e foi uma surpresa bastante agradável), com a adaptação do Louco elas estavam lá em cima. Desde quando fiquei sabendo que haveria uma Graphic MSP do personagem, já estava ansiosa pela publicação. O personagem com alguns parafusos a menos e que adora pegar no pé do Cebolinha sempre rendeu histórias divertidas e o Rogério Coelho conseguiu fazer jus a esse histórico, entregando, na minha opinião, uma das melhores histórias publicadas pelo selo.

Uma das coisas mais legais envolvendo essa adaptação, reside no fato do Rogério Coelho ter sugerido, por sua própria conta e risco, fazer uma história para o Louco. Lá em 2013, ele enviou alguns esboços (que podem ser vistos nos extras) de sua trama para o Sidney Gusman. Ele realmente queria criar uma história para o Louco, mesmo que até então não houvesse uma previsão de uma adaptação para o personagem. O projeto acabou ficando em suspenso e finalmente, em novembro do ano passado, ganhou os papeis. Continuar lendo

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Sharpe em Trafalgar (Bernard Cornwell)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do quarto livro (ordem cronológica) da série As Aventuras de um Soldado nas Guerras Napoleônicas. Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo dos livros anteriores. Para saber o que eu e a Mari achamos de outros livros da série, confira os links no final desta resenha.

Sharpe-em-Trafalgar

“(…) Sharpe fitou a silhueta negra da torre e mais uma vez desejou que não estivesse partindo. Gostara da Índia, que se revelara um paraíso para guerreiros, príncipes, mercenários e aventureiros. Ali Sharpe encontrara riqueza, lutara em suas colinas e fortalezas antigas, e fora promovido. Na Índia deixava amigos e amantes, e alguns inimigos em suas sepulturas. E estava trocando este lugar pelo quê? Pela Grã-Bretanha, onde ninguém o esperava, e em cujas colinas não cavalgavam aventureiros, e onde tiranos não espreitavam por trás de ameias vermelhas. ” (Página 44)

Depois de exemplares descrições de batalhas em terra, Cornwell pede licença neste para se embrenhar pelos mares e trazer uma batalha naval para o foco da narrativa. Após flechas, arcos, bestas, espadas, escudos, mosquetes e canhões, é chegada a vez dos navios e todo o seu poderio bélico de suas bordadas de artilharia. Depois da batalha da Fortaleza de Gawilghur, o alferes Richard Sharpe foi efetivamente transferido para o batalhão de fuzileiros, o que também significa que ele deixará a Índia, uma viagem bem longa por mar até a Grã-Bretanha. Então, Cornwell que não é bobo, deu um jeitinho de colocar Sharpe em rota por Trafalgar na época da famosa batalha naval, e a sorte de Sharpe que sempre o coloca no lugar certo mesmo nas horas mais impróprias, lhe garante um lugar à bordo de um importante vaso de guerra de setenta e quatro canhões. Junta-se a isso alguns personagens de opiniões bastante contundentes, um comandante que não se apega a títulos e prefere admirar a bravura de um bom soldado à patentes, alguns traidores e a presença ilustre do almirante Horatio Nelson e temos todos os elementos que tornaram Sharpe em Trafalgar um leitura bastante interessante.

O comboio anual de navios britânicos está prestes a partir de Bombaim em direção à Grã-Bretanha. Mas, antes de Sharpe embarcar no Calliope, ele precisa resolver alguns negócios pendentes, afinal, ninguém tenta passar a perna em Richard Sharpe e permanece incólume. E, para sorte de Sharpe, mais do que um acerto de contas, tal ato faz com ele caia nas graças do comandante da Marinha Joel Chase. Cornwell garante assim o estabelecimento de uma amizade que permitirá a reviravolta na situação precária na qual o alferes se encontrará pouco tempo depois. Isso porque o Calliope trouxe tanta sorte quanto azar à Sharpe. No Calliope ele caiu de amores por Lady Grace, a esposa de um figurão político insuportável, e foi “vendido”, pelo capitão do navio, juntamente com toda a tripulação e o tesouro que carregam, para piratas franceses da nau Revenant. E agora, tudo o que Sharpe quer é evitar que suas perdas materiais sejam grandes, proteger Lady Grace e se vingar. E uma ajuda do comandante Joel Chase vem bem a calhar. Chase resgata o Calliope das mãos dos franceses, traz Sharpe para bordo do Pucelle e parte em perseguição ao Revenant. Uma perseguição que acaba indo parar em uma batalha náutica! O Revenant se junta às esquadras francesa e espanhola e o Pucelle se junta à britânica sob o comando da nau capitânia de Nelson. Continuar lendo

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O Leitor do Trem das 6h27 (Jean-Paul Didierlaurent)

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“Ao longo de todos esses anos, Guylain Vignolles vivera simplesmente não existindo, exceto aqui, nessa sinistra plataforma de estação de trem em que pisava todas as manhãs.

(…)

Ao longo dos anos, os outros passageiros acabaram demonstrando por ele esse tipo de respeito indulgente reservado aos malucos inofensivos. Guylain era um alento que, durante os vinte minutos, retirava-os por um tempo da monotonia dos dias. ” (Página 9)

Quando tive em mãos pela primeira vez O Leitor do Trem das 6h27 fiquei surpresa com o tamanho do livro do Didierlaurent. São apenas 175 páginas e um formato ligeiramente maior do que um livro de bolso. Uma incursão modesta em direção aos romances de um autor conhecido e premiado por seus contos. Modesta no tamanho e na simplicidade do texto, mas com um potencial bem grande para emocionar. Algumas pessoas conseguem extrair poesia do cotidiano, ao mesmo tempo que escancaram todas as mazelas que pouco a pouco consomem a vontade de viver. É assim, que Didierlaurent nos brinda com uma história tocante, uma mistura de um testemunho doloroso das ações aviltantes impingidas pelo trabalho do protagonista, com o alento concedido pelo ato de rebeldia que o transforma em salvador de palavras, em propagador de ideias, no leitor do trem das 6h27. Continuar lendo

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