Arquivo da categoria: Resenhas da Núbia

Menina Morta-Viva (Elizabeth Scott)

Uma história de fadas ao avesso, se bem que fadas e Alice são palavras que não combinam na mesma frase. É difícil acreditar em finais felizes quando a crueldade e a indiferença humana são esfregadas na sua cara. O que Elizabeth Scott nos apresenta é uma história que provoca incômodo, que nos deixa com um gosto amargo na boca e com medo. Medo de que a indiferença esteja ajudando a criar muitas Alices por aí.

Em Menina Morta-Viva conhecemos a história de Alice, uma garota de 15 anos que foi seqüestrada há cinco por Ray e que desde então sofre abusos intermináveis. Esse homem (que não merece ser denominado assim) faz todo tipo de terror psicológico, é asqueroso, é nojento e é impossível não sentir repulsa por suas ações. Aliás, prepare-se para este sentimento, ele será seu companheiro ao longo da leitura deste livro.

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Linhas (Sophia Bennett)

Quem me conhece sabe que eu não dispenso uma boa leitura juvenil e não só romances YA, mas também aqueles direcionados a um público mais jovem. Gosto da leveza e da agilidade que as histórias direcionadas a este público possuem, se a história é bem escrita e o enredo é interessante as horas de diversão durante a leitura são certas. Foi esperando isso que comecei a leitura de Linhas e fui surpreendida, pois Sophia Bennett optou por incluir em sua trama um assunto que alguns podem achar um tanto árido para os mais jovens. Mas ela o fez com muita sensibilidade, não com o objetivo de chocar, mas de conscientizar. Eis mais uma série que me cativou.

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Anacrônicas: Pequenos Contos Mágicos (Ana Cristina Rodrigues)

Utilizar personagens de Alice no País das Maravilhas para narrar sua própria história? Fazer releituras de momentos históricos, misturar no mesmo balaio distopias, fantasias, lendas mágicas, vagar por uma Terra destruída ou em uma que espera sentada a sua destruição? É o que Ana Cristina Rodrigues nos propõe em seu Anacrônicas. Seu livro é composto por 21 contos que versam sobre os mais variados temas.

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Crime na Feira do Livro (Tailor Diniz)

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No texto da ‘orelha do livro’ Altair Martins diz que: “Esta é uma novela para se ler em Porto Alegre ou, ao menos, tendo na retina suas ruas, a paisagem do Guaíba e, sobretudo, dos Jacarandás da Feira do Livro.” Então, devo confessar que foi com apreensão que comecei a ler o texto de Diniz, tinha receios de que não aproveitasse o texto em sua totalidade, ou que escapasse às minhas retinas virgens minúcias que qualquer porto-alegrense poderia captar. Meus receios mostraram-se infundados, Diniz descreve os lugares com tanta clareza que é impossível não conseguir imaginar-se às margens do Guaíba, na Casa de Cultura ou a perambular pela Rua Sete de Setembro. Não conhecer POA, não te impede de aproveitar as aventuras do detetive Jacquet.

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O Segredo da Guerra (Estus Daheri)

Quando se fala em literatura fantástica, o que vem logo a mente são autores europeus ou americanos. É compreensível já que a tradição das obras de fantasia nestes povos é mais antiga, mas não é desculpa para achar e propagar que a literatura brasileira não tenha autores representando esse gênero. Ainda que essa incursão seja recente e que muitos autores “bebam” nas obras de grandes ícones como Tolkien e Le Guin, o que é de se esperar já que muitos dos escritores de fantasia da atualidade se inspiram e são fãs desses grandes autores. O fato é que tem obras fantásticas de qualidade sendo produzidas no Brasil e que merecem um pouco mais de atenção dos que adoram esse gênero da literatura. Hoje apresento-lhes um romance fantástico de qualidade escrito por um brasileiro. Seu nome é Thiago Tizzot e ele escreveu sob o pseudônimo de Estus Daheri o romance O Segredo da Guerra publicado pela editora Arte & Letra.

Thiago Tizzot é curitibano, autor, editor e um dos responsáveis pela editora Arte & Letra, além de grande fã de Tolkien contribuindo inclusive para que obras como As Cartas de J. R. R. Tolkien fossem publicadas no Brasil. Thiago é um grande apaixonado por literatura fantástica e um grande divulgador desse gênero. Para conhecer um pouco mais sobre o autor, leia a entrevista que a Anica fez para o blog Meia Palavra: 10 perguntas e Meia para Thiago Tizzot.

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A Pirâmide Vermelha (Rick Riordan)

Podem dizer o que quiserem, mas o papel da mãe de manter o núcleo familiar é inegável (ainda que não seja regra é bom frisar) e há vários exemplos na literatura que perpetuam a assertiva anterior. Em A Pirâmide Vermelha não é diferente, com a morte da mãe, os Kane deixaram de existir como uma família propriamente dita. Carter Kane tem 14 anos e viaja o mundo com o pai, o egiptólogo Dr. Julius Kane, o garoto não freqüenta uma escola e não tem um lugar que possa chamar de lar. Sua casa? Uma mala. Sua escola? Além dos ensinamentos do pai, os livros são seus companheiros. Sadie, sua irmã mais nova vive com os avós maternos em Londres, leva uma vida normal se é que pode ser chamada de normal uma vida longe do convívio com o pai e o irmão, uma vida em que visitas paternas estão relegadas a dois dias do ano e nada mais. Será que é possível viverem como uma “família normal” novamente? Isso parece ser os planos do Dr. Kane, mas algo dá tremendamente errado e o egiptólogo provoca um acidente no British Museum, no qual acaba desaparecendo. Ao mesmo tempo, uma criatura foi invocada. O que o Dr. Kane pretendia? Que criatura é essa? A criatura tentou atacar as crianças, mas não conseguiu o que elas tem de especial? Porque Sadie consegue ler hieróglifos sem nunca ter estudado-os antes? Quem é Amós? O que aconteceu com o Dr. Kane? Carter e Sadie conseguirão ver seu pai novamente?

É com essa imensidão de questões, que Riordan nos apresenta sua nova série. Só que dessa vez ele deixa o Olimpo e suas colunas dóricas, jônicas e coríntias de lado para se dedicar ao Duat e suas pirâmides. Somos convidados a desbravar a história egípcia e a aprender um pouco mais sobre este povo e sua mitologia.

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Flávia de Luce e o Mistério da Torta (Alan Bradley)

Sempre gostei de literatura policial, um bom romance investigativo pode ser deveras divertido se você se empenha na descoberta do meliante. Esse lado do meu gosto literário foi alimentado por vários títulos da Coleção Vagalume e outros tantos da Grande Rainha do Crime e mais recentemente por algumas aventuras do Sr. Holmes. Então, vejam bem quando me falaram sobre uma nova série de investigação na qual a mente dedutiva pertencia a uma garota de onze anos eu me interessei. Pensava comigo, que mesmo que a história fosse fraquinha, que eu conseguisse descobrir o assassino antes valeria a pena pela diversão. Diverti-me lendo Flávia de Luce e o Mistério da Torta, mas mais do que isso me surpreendi com a mente acurada de nossa pequena Holmes/Poirot e me impressionei com a sua paixão pela química. Deixe-me contar-lhe um pouco mais dessa série, quem sabe isso não te anima a lê-la também…

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Gone – Desaparecer (Lisa McMann)

Atenção: Esta resenha comenta os acontecimentos do terceiro e último volume da série Wake e pode conter spoilers, ou seja, revelar parte do enredo do livro anterior. Para ler as resenhas que fiz sobre os livros anteriores da série, clique  aqui e aqui.

Se em Fade McMann nos mostra como o dom de Jane pode ajudar à desvendar crimes e quais são as conseqüências do uso do seu dom. Em Gone, bem, no último livro da trilogia esse lado heroína que tem um poder e que ajuda a polícia é deixado de lado, o que é uma pena para os que gostam de um romance policial. Eu mesma, ao iniciar a leitura não fiquei muito contente com o rumo que a história parecia tomar. Afinal, a autora inicia a série com a dificuldade de Jane em “acostumar-se” (se é que isso um dia pode acontecer) com o seu dom, uma garota sem confiança, com poucos amigos, isolada. No segundo livro temos uma Jane bem mais confiante, alegre até e que passa a enxergar seu dom como uma forma de ajudar a sociedade, auxiliando a polícia. Em Gone, nos encontramos novamente com aquela garota insegura do primeiro livro, é verdade que saber sobre o que o futuro lhe reserva foi um baque e tanto, mas como fica o aprendizado das experiências que ela passou? Não valeram de nada? A sensação que tive era que a autora estava subestimando a personagem ao agir assim, mas depois entendi que ao deixar de lado a face criminalística da obra e se aprofundar no psicológico de Janie, McMann nos permitiu um maior contato com sua protagonista e nos deixou claro como esse dom influenciou e influenciará a vida da garota.  No fim, era disso que a trilogia tratava. A vida de uma jovem apanhadora de sonhos…

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Fade – Desvanecer (Lisa McMann)

Depois de ser apresentada a Janie em Wake, vocês podem ler a resenha do primeiro livro da série aqui, fiquei interessada no seu dom, no seu romance com Cabel e curiosa para saber se McMann conduziria sua história de acordo com meu palpite. Eu estava torcendo para que ela fizesse isso e ela fez! O que temos na sequência de Wake é uma espécie de romance policial juvenil na qual a protagonista tem um poder parapsicológico se assim o quiser chamá-lo. Já aproveito para avisá-lo que esta é a resenha do segundo livro da série e que fatos referentes ao primeiro livro podem ser comentados, caso ainda não tenha lido nenhum livro da série continue a ler a resenha por sua própria conta e risco.

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O Menino do Pijama Listrado (John Boyne)

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A Segunda Guerra Mundial e o Nazismo são retratados em várias obras literárias, temos obras inspiradas em documentos reais e outras que mesmo sendo ficção não deixam de ter um pouco de verdade. Não faltam livros aos interessados em ler sobre esse período. Eu já li mais de três livros sobre o tema, desde romances mais adultos, passando pelo juvenil e hoje venho lhes apresentar uma obra com um olhar infantil sobre os acontecimentos impingidos pela Alemanha nazista. Muitos devem ter se lembrado de Anne Frank e seu diário, mas a história que lhes apresentarei não é narrada por um judeu e sim por um filho de um oficial alemão, um garoto de nove anos que adorava explorar e que não fazia ideia dos acontecimentos que sua exploração iria provocar…

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