Arquivo da categoria: Resenhas da Núbia

Amanhã Você Vai Entender (Rebecca Stead)

“Se eu quisesse apenas saber o que aconteceu naquele dia do inverno passado, seria fácil. Não seria divertido, mas seria fácil. Mas não é isso que diz seu bilhete. Ali, pede que eu escreva a história do que aconteceu e tudo o que levou ao acontecimento.”

Miranda e Sal eram amigos desde que se entendiam por gente (alguns dizem que até antes disso), sempre estudaram na mesma escola, voltavam para casa juntos todos os dias e conheciam muito bem o bairro onde moravam em Nova York. Mas isso foi até aquele dia estranho, o dia em que Sal apanhou de um desconhecido na rua e a amizade dos dois começou a ruir. E para piorar a casa de Miranda foi invadida e ela começa a receber estranhos bilhetes que alertam sobre a morte de alguém, alguém próximo e que ela pode ajudar a salvar. Lidando com esse mistério e com o fato de estar sem o seu amigo, Miranda acaba se aproximando de outros jovens de sua escola: Annemarie, Colin e até o estranho Marcus, o responsável pela surra de Sal. Com novos personagens, novos caminhos são traçados, novas aventuras ocorrem e são essas descobertas que acompanhamos juntos com Miranda, sua nova amizade com Annemarie e Colin, os papos cabeça com Marcus e a dúvida sobre os bilhetes ali, sempre rondando e garantindo o mistério, o que te faz ler o livro rapidamente, só para sanar a curiosidade. Continuar lendo

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A Esperança (Suzanne Collins)

Esta resenha trata sobre os acontecimentos do último livro da trilogia Jogos Vorazes. Perdoem os eventuais spoilers e se ainda não começou a ler a trilogia, tá esperando o quê ainda? 

“Foi a minha flecha, apontada para a brecha do campo de força que cercava a arena, que proporcionou esses bombardeios como retaliação. Isso fez que Panem inteira se transformasse num verdadeiro caos”.

Por duas vezes Katniss enfrentou os perigos das arenas dos Jogos Vorazes, agora ela tem que se preparar para a maior luta de todas: a batalha contra a Capital. Finalmente, os distritos se rebelaram e sob o comando do 13° distrito, que longe de estar exterminado, detém os meios necessários para lutar contra a Capital, Katniss terá que inspirar essa revolução. Ainda que isso implique em sofrimento às pessoas que ela gosta…

A bomba lançada em nosso colo no último livro faz tique-taque sem parar e é com uma narrativa frenética, mas que não deixa de lado os detalhes, que os acontecimentos derradeiros nos são apresentados. Katniss retira o manto de tributo e nos mostra como é realmente: as angústias, as revoltas, os medos, um símbolo de revolução em frangalhos e que, no entanto encontra forças para lutar em pró da esperança de uma nova Panem. Caminhando entre a linha tênue que separa o bem do mal e na maioria das vezes tornando-a um simples borrão, Collins nos coloca acompanhando uma luta contra um governo tirânico, mas que muitas vezes se mostra tirânica também. A crítica à corrupção da sociedade é mais ferrenha. Podemos mudar? Como mudar? O mundo pode ser justo? Compra-se paz com guerra, justiça com injustiça? Continuar lendo

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Em Chamas (Suzanne Collins)

Esta resenha trata sobre os acontecimentos do segundo livro da trilogia Jogos Vorazes. Para saber o que eu achei do primeiro livro, clique aqui. 

Se em Jogos Vorazes a arma foi carregada, Em Chamas é o gatilho que faltava para colocar toda Panem em polvorosa. Afinal, a conclusão daquela 74° edição dos Jogos Vorazes tem provocado distúrbios e agitações nos distritos que levam a crer que uma revolução está a caminho…

“Katniss Everdeen, a garota em chamas, você acendeu uma fagulha que, se não for contida, pode crescer e se transformar num inferno que destruirá Panem.”

Esse sentimento de revolução em suspensão, no qual a mínima fagulha pode se tornar incontrolável, garante ao segundo volume da trilogia uma maior profundidade. Afinal, saímos do sofrimento dos 24 tributos e seus familiares e passamos a acompanhar o sofrimento impingido pela Capital aos distritos, toda Panem está cada vez mais sujeita ao governo déspota e cruel que tem ânsia em manter seu poder. Com isso, personagens ganham novas facetas, encontramos revolucionários nos quais menos esperamos (e alguns crescem muito em nossa estima) e o famigerado distrito 13, o qual foi suprimido no último levante, retorna à memória dos revolucionários como símbolo da esperança de que o poderio da Capital pode ser suplantado. Continuar lendo

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Jogos Vorazes (Suzanne Collins)

Após a destruição dos Estados Unidos, na sociedade distópica Panem, o poder é exercido com mãos de ferro pela Capital. Panem atualmente é composta por 12 distritos mais a Capital, mas teve um tempo que um 13° distrito existia. Só que isso foi antes da última rebelião dos moradores dos distritos, a rebelião que falhou e garantiu um legado para todos os distritos: os Jogos Vorazes. Uma competição anual, transmitida ao vivo, na qual um garoto e uma garota (os chamados tributos, entre 12 e 18 anos) de cada distrito são selecionados, jogados em uma arena e obrigados a lutar até a morte, apenas um jogador pode sobreviver.

Katniss Everdeen tem 16 anos e é moradora do distrito 12, o distrito mais pobre de toda Panem. A garota cuida da mãe e da irmã desde a morte do pai e garante o sustento da família tendo uma atividade totalmente ilegal junto com o amigo Gale, ela caça na floresta circundante, floresta esta separada do distrito por uma cerca que deveria estar sempre eletrificada. Desde o início já notamos em Katniss uma chama de revolução contra o sistema de governo e a política de Panem, mas ela mantém suas opiniões em segredo para salvaguardar sua família. Apesar de todas as dificuldades, a vida era relativamente tranquila para a família de Katniss, até Prim (sua irmã menor) ser selecionada como tributo do distrito 12. Katniss então se oferece para ir em seu lugar e para piorar descobre que junto com ela irá Peeta Mellark, um garoto com quem Katniss tem uma dívida, já que ele ajudou sua família no passado. Continuar lendo

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Fazendo Meu Filme 4 – Fani em Busca do Final Feliz (Paula Pimenta)

*Atenção, esta resenha pode conter spoilers referentes aos primeiros livros da série! 

Conheci a série Fazendo Meu Filme apenas em 2010, desde então me encantei pela garota tímida apaixonada por filmes, pelo garoto que gosta de extravasar sentimentos através de músicas e por todos os outros personagens que tornaram o roteiro da Paula Pimenta inesquecível. Com uma narrativa centrada nas relações interpessoais e capaz de provocar emoções tão díspares em seus leitores, a história de Fani vem recheada de romance, amizade, família, a busca pela realização dos sonhos, assuntos rotineiros (outros nem tanto), que fazem com que a identificação dos leitores seja forte, ainda que você não esteja mais na “faixa etária” (para quem acredita nessa balela) à qual a obra é direcionada.

“É apenas uma história…

E esta tem um final feliz.”

(Três Vezes Amor)

É muito bom começar a leitura de FMF4 com a citação acima. Afinal, um final feliz para Fani é o que todos os apaixonados pela série querem. Ao longo da história acompanhamos o desabrochar dos sentimentos da garota, o amadurecimento proporcionado pelo intercâmbio na Inglaterra, todas as atribulações da vida de pré-vestibulanda e os altos e baixos de seu relacionamento com Leo. Agora, no momento derradeiro, cinco anos depois da despedida em FMF3, encontramos uma Fani mais madura, extrovertida (na medida do possível), realizada profissionalmente, mas que guarda marcas profundas do término de seu relacionamento com Leo. Após cinco anos, é normal que pessoas façam parte do nosso passado, outras continuem no nosso presente e outras surjam para preencher os lugares vagos. É assim, que sentimos falta de alguns personagens que já foram muito presentes nos outros livros, matamos a saudade de velhos amigos, podemos conhecer melhor outros que antes não tinham tanto espaço (Hello Tracy!) e adicionamos nessa lista novos personagens que nada deixam a desejar aos antigos, seja o animado Alejandro ou a mini conselheira Cecília. Continuar lendo

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A Lenda dos Guardiões – A Captura (Kathryn Lasky)

Antes mesmo da série A Lenda dos Guardiões (Guardians of Ga’hoole) tomar forma, autora Kathryn Lasky já nutria uma predileção pelas corujas e pelo seu comportamento. Sua ideia inicial era escrever um livro de não ficção sobre esses animais, ilustrado pelas fotografias de seu marido, mas na prática a tarefa se mostrou difícil e ela decidiu então, escrever um livro de fantasia estrelado por elas aproveitando os conhecimentos que conseguiu angariar.

No primeiro livro da série, Soren uma jovem coruja-de-igreja vive na floresta de Tyto junto dos pais, a recém-nascida irmã Englantine, o irmão mais velho Kludd e a velha babá cobra cega sra. Plithiver (ou apenas sra. P). Tudo ia às mil maravilhas, com as cerimônias dos pelos, da carne, dos ossos… até que um dia Soren cai do ninho e é raptado. Gylfie uma corujinha-duende também foi sequestrada e ambos são levados para a Academia S. Aegolius para corujas órfãs (órfãs?). Lá todas as corujinhas sofrem uma espécie de lavagem cerebral para esquecerem quem um dia foram, de todas as corujinhas capturadas parece que apenas Soren e Gylfie conseguiram evitar tal destino. Eles decidem então fugir, mas durante a preparação para a fuga eles descobrem que S. Aegolius esconde uma terrível trama que ameaça a vida de todas as corujas. Continuar lendo

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Azincourt (Bernard Cornwell)

“Os arqueiros eram os heróis de Hook. A Inglaterra, para Hook, não era protegida por homens vestindo armaduras brilhantes, montados em cavalos ajaezados, e sim por arqueiros”. 

A figura do arqueiro sempre foi mítica para os ingleses, durante todo o período medieval e antes do advento das armas de fogo, os arqueiros eram amplamente utilizados nas batalhas e chegavam a compor mais da metade do exército inglês. Ter um arqueiro em um exército no século XIV era praticamente uma exclusividade inglesa, já que para ser um bom atirador eram precisos anos de prática e em nenhum outro país o arco longo era tão difundido. Essa característica do exército inglês fez da Inglaterra nos séculos XIV e XV uma potência na Europa e tornou-se uma das unidades bélicas mais temidas, e com razão, os arqueiros eram capazes de fazer a guerra pender para os ingleses mesmo quando as condições numéricas eram desfavoráveis.

Emprestando novamente a figura do arqueiro, que já foi explorada na série A Busca do Graal, Cornwell faz uma releitura de uma das batalhas mais famosas da Guerra dos Cem Anos entre a Inglaterra e a França. A batalha de Azincourt, travada em 1415, em solo francês no dia de São Crispim. Azincourt ficou famosa, não pelos ganhos políticos ingleses (que foram bem ínfimos), mas sim pela disparidade numérica entre ingleses e franceses. Algumas fontes chegam a falar de 6 mil para 30 mil respectivamente. São os eventos que culminaram nessa batalha que nos são narrados em Azincourt, só que diferente de Shakespeare que também revisitou esse dia em sua obra Henrique V, Cornwell traz como protagonista um simples arqueiro, um tanto esquentado, com uma rixa familiar e com uma mira de dar inveja. Continuar lendo

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Ilha do Medo/Paciente 67 (Dennis Lehane)

Não há como negar, Lehane fulgura no rol dos mestres da ficção policial, seja nos livros co-estrelados pelos detetives Kenzie e Gennaro, ou nos fora da série como é o caso de Sobre Meninos e Lobos e Ilha do Medo. O autor consegue imprimir uma atmosfera tão sombria e sufocante em seus livros, com tramas de ritmos tão intensos, que até quando a fórmula utilizada pode ser considerada batida, ele consegue nos deixar ofegantes em muitos momentos e embasbacados em tantos outros.

Em 1954, Teddy Daniels desembarca na ilha Shutter junto com seu novo parceiro Chuck Aule, para investigar a fuga de uma interna do hospital psiquiátrico Ashecliffe para criminosos. E aqui um adendo a bem trabalhada relação entre os dois xerifes. Teddy é o que já passou por tragédias na vida, cético, certeiro e direto em suas perguntas e austero, Chuck por outro lado é dono de uma ironia sarcástica premente. É o primeiro caso dos dois detetives juntos, mas a dupla funciona de forma instantânea, piadinhas, complementação de teorias… Percebe-se claramente que há um compartilhamento tácito de ideias entre os dois, mas tudo de forma bem natural, em nenhum momento parece forçado, já que a estranheza ao novo e o receio entre os fatos desconhecidos entre um e outro também está presente. Continuar lendo

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Todas as Estrelas do Céu (Enderson Rafael)

Esta resenha foi publicada inicialmente no meu perfil do Skoob (há um tempinho já), mas decidi compartilhá-la aqui no blog também. ;D

Todas as Estrelas do Céu foi escrito pelo Enderson Rafael há mais de 10 anos e depois de esforços bem sucedidos empreendidos pelo autor o livro foi publicado por uma editora e tem feito muito sucesso. Para quem não conhece a história, o Enderson fez várias cópias do seu manuscrito e saiu distribuindo-as por todo o Brasil assim ele pretendia que o seu livro se tornasse conhecido e quem sabe assim chamar a atenção das editoras e alçar vôos mais altos. Eu ganhei a minha cópia em uma promoção no finado orkut, então tive a chance de conhecer a história da Carol e do Lê antes de todo o sucesso que o livro está fazendo hoje, sucesso merecido é claro.

A história criada pelo Enderson cativa aos pouquinhos e literalmente nos pega desprevenidos. Adorei conhecer a Carol e o Lê e sua história de amor impossível. Quer dizer, impossível não a história é bem possível todas as impossibilidades são plantadas pelo preconceito arraigado, preconceito com alma de erva daninha, daquelas que quando se acha que conseguiu se livrar dela lá está novamente. É assim que enxergo o papel dos “pais” dos garotos. “Pais” pois para os desavisados de plantão o livro conta a história de amor entre dois irmãos Leandro (filho adotivo) e Carol. Sempre se tratando como irmãos e confidentes, os dois não percebem os sussurros provocados pelo sentimento latente e acabam sendo despertados pelos rugidos de um amor sublime, total e forte. Com força o suficiente para carregar os personagens em suas aventuras em prol desse amor, desde o inicio destinado a ser suplantado e calado por aqueles que os cercam. Será que o amor dos dois conseguiu ser ouvido, ou será que foi silenciado? Não contarei o final para não estragar a surpresa. Continuar lendo

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O Tigre de Sharpe (Bernard Cornwell)

A série As Aventuras de Sharpe (agora renomeada de As Aventuras de um Soldado nas Guerras Napoleônicas, prefiro o nome antigo) conta com 21 livros e três contos lançados e é bem antiga, Cornwell publicou o primeiro livro em 1981, há mais de 30 anos! A série narra as aventuras de Richard Sharpe, um soldado do exército britânico, durante o poderio britânico na Índia e as Guerras Napoleônicas. E a característica mais marcante da série é que Cornwell não seguiu uma ordem cronológica ao escrever os livros. Apesar de O Tigre de Sharpe representar o marco inicial na carreira do recruta Sharpe na Índia em 1799, o livro só foi publicado em 1997, 16 anos depois da publicação do primeiro livro da série, A Águia de Sharpe, que narra os acontecimentos de 1809. A série não tem uma ordem específica e cada livro narra um acontecimento na vida de Sharpe. Mas, por mais que o autor tenha concebido a série assim, não me vejo lendo sobre a vida de Sharpe aleatoriamente. Seguir a ordem cronológica dos eventos é meu lema e ainda bem que a Editora Record, que publica os livros no Brasil, está lançando os livros na ordem cronológica.

“O exército decidia quando Sharpe devia acordar, dormir, comer, marchar e ficar sentado de braços cruzados, que era sua atividade principal. Essa era a rotina de um recruta do exército, e Sharpe estava farto dela. Estava entediado e pensando em fugir.”

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