Arquivo da categoria: Resenhas da Núbia

Brilhos (Sophia Bennett)

*Atenção, esta resenha pode conter spoiler do enredo do livro anterior da série (embora a gente evite spoiler ao máximo). Já leu a resenha do primeiro livro? Você poder ler a minha opinião sobre Linhas aqui.

Crow, a criança invisível do primeiro livro, é uma sumidade no mundo da moda. Sua nova coleção, lançada pela Miss Teen é um sucesso. Mas, algo aparece para embaçar esse brilho. No site de Eddie começam a chover denúncias sobre a produção das roupas da coleção da Crow. A acusação? Fábricas indianas fazem com que crianças trabalhem até 16 horas por dia (sem intervalo) na fabricação das roupas. Andy Elat, o dono da Miss Teen, por outro lado, fornece relatórios que desmentem essas acusações. Quem está mentindo? É preciso averiguar direto na fonte e Eddie, Nonie e Crow, acompanhadas do irmão fofo da Nonie (o Harry), partem para a Índia. Dessa vez, Jenny fica porque está às voltas com a produção de uma peça teatral.

“Alguns anos antes, eu teria perguntado por que Laskhmi e Ganesh não tentaram voltar para os pais, mas então conheci Crow e agora entendo que algumas coisas são mais complicadas do que podemos imaginar. […] A história dela vai ser diferente da de Crow, mas seja como for, sei que não posso estalar os dedos e fazer com que tudo fique melhor. Gostaria de poder. De verdade.”

Em Brilhos, Sophia Bennett segue incluindo em suas histórias, temas controversos, chocantes e como comentei na resenha de Linhas, assuntos que muitos podem achar um tanto áridos para serem tratados na literatura juvenil. Só, que assim como no livro anterior, Bennet o faz com muita leveza e sensibilidade. A autora emociona, informa e conscientiza, tudo em meio a muito brilho, plumas, náilons, desfiles, lançamentos de coleções… Continuar lendo

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Ladrões de Elite (Ally Carter)

“Ela se lembrava de ter achado, na ocasião, que jamais se sentiria tão desconfortável à mesa do tio novamente. Foi ali que seu pai havia planejado o roubo do diamante De Beers quando Kat tinha 3 anos. Naquela mesma cozinha, seu tio orquestrara a interceptação de 80% do caviar do mundo quando Kat tinha 7. Mas nada tinha parecido tão criminoso quanto se sentar ali e anunciar para o tio Eddie que seu maior golpe tinha dado certo e que ela estava abandonando a cozinha da família para se apoderar da educação que uma das melhores escolas do mundo oferecia.”

Como deu para perceber no trecho acima, Katarina Bishop pertence a uma família de ladrões, ou pelo menos pertencia até decidir aos quinze anos se aposentar e tentar levar a vida como uma adolescente normal. O que ela não contava era que três meses depois seu amigo Hale, bilionário e antigo companheiro de crimes, apareceria para acabar com seus projetos e lhe presentear com uma bomba: uma coleção valiosa de pinturas foi roubada de um mafioso e o principal suspeito é o pai da garota, que insiste em negar qualquer envolvimento nesse crime. Acontece que Taccone, o mafioso, não acredita e lhe dá um prazo de duas semanas para que as pinturas sejam devolvidas, mas com o pai na mira de agentes da Interpol, sobra para Kat a tarefa de achar os quadros, roubá-los e devolve-los ao dono. Kat com a ajuda de Hale monta sua própria equipe de ladrões, todos adolescentes e parte em uma corrida contra o tempo que os leva à diversas localidades internacionais. Continuar lendo

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A Cidade das Feras (Isabel Allende)

Quase comecei essa história de trás para frente. Apesar de ouvir falarem sobre Allende e suas obras, ainda não tinha lido nenhum de seus livros e quando me deparei com um exemplar de A Floresta dos Pigmeus em uma livraria, quase o comprei (arrependo-me de não tê-lo feito, agora ele é mais um a figurar na minha lista de desejados) porque fiquei interessada na história. Na época não imaginava que ele era o último volume de uma trilogia publicada originalmente em 2002. Consegui A Cidade das Feras por meio de uma troca no Skoob, me encantei com a narrativa de Allende, e ainda que ele possa ser diferente do estilo empregado em seus livros mais adultos fiquei com vontade de desvendar as outras obras dessa escritora e é claro, terminar de acompanhar as aventuras iniciadas neste livro.

Alexander Cold, um garoto de quinze anos, vive em uma pequena cidade na costa oeste americana com seus pais e suas duas irmãs mais novas, Nicole e Andrea. A mãe de Alexander está muito doente e pouco a pouco o garoto vê sua família ruir junto com o sofrimento da mãe. Para tentar salvar a esposa, o pai decide levá-la para um tratamento no Texas, enquanto isso as meninas ficarão com a avó materna e Alex com a avó paterna. O garoto não tem a avó em alta conta e não ficou muito contente com essa história, mas não teve escolha, foi obrigado a ir para Nova York e dali acompanhar sua avó em uma aventura na Amazônia. Continuar lendo

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Flávia de Luce e o Teatro de Marionetes (Alan Bradley)

Esta resenha trata sobre os acontecimentos do segundo livro da série Flávia de Luce. Para saber o que eu achei do primeiro livro, clique aqui. 

“Como era excitante pensar que, muito depois de o mundo ter terminado, tudo o que restasse de nossos corpos seria transformado em uma deslumbrante nevasca de poeira de diamante, soprada rumo à eternidade sob a luz vermelha de um sol moribundo.”

O que mais me surpreendeu na protagonista criada por Bradley foi seu pensamento afiado e sua grande paixão pela química. Flávia de Luce como quem não quer nada mostrou que seu poder de dedução não deixa nada a dever aos outros grandes detetetives e que com um punhado de intrepidez e falta de limites é impossível não descobrir as mentes por trás dos crimes. Já estava com saudades da pequena detetive-cientista e no segundo volume da série, Bradley mostra que sua heroína veio para ficar e nos deixa com ansiedade esperando por suas próximas aventuras.

Rupert Porson é um exímio fabricante e apresentador de marionetes, de muito sucesso em toda Inglaterra. Por aquelas coincidências do destino (será mesmo?) ele acaba indo parar em Bishop’s Lacey na companhia de sua assistente Nialla e uma van quebrada em frente ao pátio paroquial. Com o carro quebrado impedindo o prosseguimento da viagem, o vigário sugere que Rupert faça duas apresentações no Salão Paroquial e a Flávia coube o papel de cicerone da dupla. É assim que a garota começa a elaborar suas suposições, primeiro sobre o relacionamento de Rupert e Nialla, depois sobre o lado profissional de Rupert que acabou indo parar em Bishop’s Lacey porque brigou com seu produtor da BBC e acaba descobrindo uma intricada rede de relacionamentos envolvendo o artista.

Em Flávia de Luce e o Teatro de Marionetes, Bradley demora um pouco mais para entregar qual o mistério da vez, diferentemente da primeira aventura de Flávia o assassinato não ocorre logo nos primeiros capítulos e só depois nos são dadas as pistas. Neste segundo volume, as pistas são fornecidas desde o primeiro capítulo, o caso fez-se caso antes mesmo de existir e Flávia precisa retroceder nos eventos para decifrar a história por trás dessa nova tragédia. Continuar lendo

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A Jogadora de Go (Shan Sa)

O local escolhido por Shan Sa para contar sua história é a Manchúria, que está localizada na parte externa da Grande Muralha da China e estava na zona de influência japonesa na época da história (entre as décadas de 20 e 30). Na Praça dos Mil Ventos, um local de encontro dos apreciadores do jogo de Go. Dois jovens estão destinados a terem seus destinos cruzados, ela uma jovem manchu de 16 anos e única mulher admitida no círculo dos apreciadores do jogo e ele, um jovem soldado japonês que faz parte das forças de ocupação japonesa no território chinês.

A autora optou por uma narrativa em primeira pessoa, seus personagens narradores são a Jogadora de Go e o Soldado Japonês. Eles não são nomeados, mas ao contrário do afastamento que podemos pensar que isso causaria. A falta de nomes nos torna mais próximos, como se fossemos nós os protagonistas. Shan Sa penetra e disseca o mundo psicológico de seus personagens e nos leva junto em sua viagem. Com capítulos alternados e curtos vai nos apresentando retratos da vida da jogadora e do soldado. Quadro a quadro ela delineia o cotidiano brutal da ocupação do país da jovem manchu, as missões diárias do soldado japonês e as escolhas que permearam suas vidas e os trouxeram até o presente. Utilizando o Go como metáfora e estopim para os eventos narrados, ela nos familiariza por um lado com o pensamento político da jogadora, sua busca pela liberdade e o desabrochar para o amor e por outro com a obediência servil, a crença na pátria e os infortúnios que marcaram a vida do soldado. Duas visões distintas sobre a mesma situação: o japonês que vê sua nação como superior à China e a chinesa que vê os japoneses como usurpadores de sua liberdade e de seu país. Duas visões destinadas a se encarar… Continuar lendo

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A Guerra dos Tronos (George R. R. Martin)

Já aviso de antemão que não farei comparações entre As Crônicas de Gelo e Fogo (série da qual A Guerra dos Tronos é o primeiro volume) e O Senhor dos Anéis seguindo os passos equivocados da Veja e só lamento que muitos acreditem e concordem com o que foi posto ali. Martin e Tolkien só tem em comum a ficção fantástica, cada qual com suas características e estilos. Se sou fã de Tolkien por tudo que ele representou e ainda representa para a literatura fantástica, me tornei fã de Martin por mostrar que o gênero segue firme e forte e que novas vertentes sempre podem ser exploradas garantindo boas obras.

Martin em sua obra nos apresenta Westeros, um grande continente situado no extremo oeste do mundo, composto por Sete Reinos que mantem fidelidade ao Rei, que governa do Trono de Ferro situado na cidade Porto Real. As Terras do Sul são caracterizadas pelas altas temperaturas e fauna e flora extravagante e as Terras do Norte são sempre companheiras do frio constante e de invernos extremamente cruéis. Ao norte o reino termina na grande Muralha, que mantém (ou pelo menos tenta) a Floresta Assombrada e todas as criaturas que nela habitam longe das terras situadas ao sul de sua barreira.

“Todas as casas nobres tinham as suas palavras. Lemas de família, pedras de toque, espécies de orações, que alardeavam honra e glória, prometiam lealdade e verdade, juravam fé e coragem. Todas, menos a dos Stark. O inverno está para chegar, diziam as palavras Stark. Refletiu sobre como aqueles nortenhos eram um povo estranho, e já não era a primeira vez que o fazia.” Continuar lendo

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Lulital (Pri Beletato)

Lulital marca o début de Pri Beletato no rol dos novos escritores brasileiros. E para sua estreia a autora escolheu se aventurar pelo mundo mágico das fadas…

Na cidade de Luanda, Cristal foi até a cachoeira da cidade fazer algo para salvar a filha de um perigo misterioso e desapareceu. Dez anos depois, às vésperas de seu aniversário de 16 anos, Cindy se vê as voltas com a descoberta desse mistério. Cindy descobre que sua mãe estava escrevendo um livro, Lulital, e que seu pai acredita que a esposa desapareceu por causa disso.

Um faz-de-conta pode se tornar realidade? Pri Beletato nos mostra que acredita no poder dos textos, que acredita que a “viagem” proporcionada pelas histórias podem ser bem palpáveis e que de alguma forma podemos ser protagonistas nelas. Lulital é sobre isso, o poder das palavras em criar realidades. Continuar lendo

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Cotoco (John Van de Ruit)

Cotoco, O diário (perversamente) engraçado de um garoto de 13 anos, marcou o début do sul-africano John Van de Ruit como escritor. A obra publicada originalmente em 2005 fez muito sucesso, sendo traduzida para vários idiomas e em 2010 a editora Intrínseca traduziu e publicou esse que é o primeiro livro da série que contará com quatro livros, dos quais três já foram publicados: Cotoco (Spud), Spud – The Madness Continues e Spud – Learning To Fly.

Em 1990 dois fatos importantes tomavam lugar na África do Sul: a libertação de Nelson Mandela e o início das aulas de John Milton em um renomado internato para garotos. O garoto tem o hábito de escrever diários e através de suas observações acuradas, humoradas e ácidas começamos a acompanhar sua mudança para a nova escola, as dificuldades enfrentadas, aventuras com os companheiros de alojamento e todos os interesses de um garoto de 13 anos. Continuar lendo

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O Trono de Fogo (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do segundo livro da série As Crônicas dos Kane e pode haver spoilers sobre os fatos do primeiro livro. Para saber o que eu achei do primeiro livro, clique aqui.

 

“Se você não ouviu nossa primeira gravação, então… muito prazer: os deuses egípcios estão circulando no mundo moderno, um grupo de magos chamado Casa da Vida está tentando detê-los; todo mundo me odeia e odeia Sadie; e uma serpente enorme está prestes a engolir o Sol e destruir o mundo.”

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A Cor que Caiu do Espaço (H.P. Lovecraft)

Quem nunca ouviu falar da criatura fantástica Cthulhu ou de livros como O Sussurro das Trevas e O Chamado de Cthulhu? Bem até pouco tempo atrás eu não conhecia, o Cthulhu ainda preciso conhecer, só sabia que eram contos escritos por H.P. Lovecraft e, apesar de sempre ouvir falarem muito bem de sua obra, sua produção literária continuava uma incógnita para mim. Decidida a sanar esta falta comprei o volume de A Cor que Caiu do Espaço, publicado pela Hedra. Não sei se essa seria a obra recomendada pera iniciar-me pelos caminhos lovecraftinianos, mas confesso que o Espaço no título chamou minha atenção. Continuar lendo

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