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O Teorema Katherine (John Green)

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“Quando se trata de garotas (e, no caso de Colin, quase sempre se tratava), todo mundo tem seu tipo. O de Colin Singleton não é físico, mas linguístico: ele gosta de Katherines. E não de Katies, nem de Kats, nem Kitties, nem Cathys, nem Rynns, nem Trinas, nem Kays, nem Kates, nem – Deus o livre – Catherines. K-A-T-H-E-R-I-N-E.  Já teve dezenove namoradas. Todas chamadas Katherine. E todas elas – cada uma, individualmente falando – terminaram com ele. ” (Página 24)

Desde que se entende por gente, ou melhor dizendo, desde que passou a ter interesse amoroso por outras pessoas, Colin namora Katherines. Eventualmente, a Katherine sempre termina com ele. Sempre foi assim, e agora, Colin acaba de levar seu décimo nono pé na bunda. Ele também acabou de se formar no Ensino Médio, e tendo sido considerado uma criança prodígio desde a mais tenra idade, ele tem a impressão de que desperdiçou todo o seu potencial. Que poderia ter se transformado em um gênio, mas que agora será alcançado por todos, será apenas mais um.

Desiludido, Colin decide cair na estrada com seu carro, o Rabecão do Satã, na companhia do seu melhor amigo Hassam. Essa viagem acaba tendo uma parada não intencional em Gutshot, Tennessee. Ali, os garotos conhecem Lindsey e sua mãe, arrumam um emprego e Colin tem o seu tão sonhado momento eureca: criar uma fórmula capaz de prever o desfecho de todos namoros do mundo. Algo que ele espera, o coloque no rol dos gênios da humanidade, e que talvez o ajude a reconquistar sua 19° Katherine. É claro que são as Katherines que servem de inspiração e fundamento para que o seu teorema tome forma. E, ao longo da história, todos os seus relacionamentos são rememorados conforme Colin trabalha em seu projeto. Continuar lendo

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The Wise Man’s Fear – Patrick Rothfuss

Atenção, esta resenha trata do segundo livro da série A Crônica do Matador do Rei, e pode conter spoilers da trama do livro anterior. Para ler a resenha do primeiro livro, clique aqui.

É o segundo dia da narrativa de Kvothe. Voltamos a acompanhar sua vida na Universidade: seu tempo é dividido entre estudos, música, seu trabalho na artifeceria e na enfermagem e suas idas à cidade em busca de Denna. Quando as conseqüências dos seus atos do livro anterior o alcançam, Kvothe é lançado ao mundo. Finalmente! Com isso, duas das minhas expectativas para o livro foram superadas: conhecemos mais do mundo E começamos a ver porque Kvothe virou uma lenda.

Durante duas aventuras, Kvothe encontra fadas e outras criaturas que todos acham que não existem, ele também aprende novas línguas e costumes de culturas tidas como absurdas. Faz amigos, toma amantes e aprende a lutar com espadas. Ele luta ao lado de mercenários, desmascara um envenenador e naufraga. Este livro tem um pouco de tudo. Continuar lendo

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Endgame – A Chave do Céu (James Frey & Nils Johnson-Shelton)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos do segundo livro da trilogia Endgame e pode haver spoilers (evitados ao máximo) sobre fatos do livro anterior. Para saber o que eu achei do primeiro livro, confira os links no final desta resenha.

A Chave do Céu

“Eles deram a vida aos humanos e vão testemunhar nossa quase extinção, reinicializar o relógio da vida na Terra e deixar que o planeta se recupere dos estragos. Mas os Criadores não deveriam interferir no andamento do Endgame. Eles criaram as regras e agora as estão quebrando. ”

(Página 25)

No início do Endgame eram doze linhagens. Doze jogadores que lutavam para garantir a persistência dos seus. Ao longo do caminho alguns foram ficando. Morreram. Em consequência disso, alguns meteoros também provocaram estragos e deixaram um rastro de mortandade. No primeiro volume o foco era a Chave da Terra, e para encontrá-la alguns se aliaram, por amor ou apenas por interesse mesmo; outros partiram para uma busca de um caminho alternativo, menos destrutivo; outros sofreram na pele a dor provocada pela interferência dos Criadores no Jogo, algo que prometeram não fazer; e outros tiveram que fazer escolhas difíceis, que talvez nunca sejam perdoadas. A Chave da Terra foi encontrada e agora restam apenas duas. De doze jogadores sobraram nove. A Chave do Céu é o alvo de todos, mas não pelos mesmos motivos. Afinal, já que os Criadores mudaram o Jogo, os jogadores também podem interferir com suas próprias jogadas.

Antes de qualquer outra coisa é válido informar que a exemplo do primeiro livro, aqui também há um enigma real a ser desvendado. As pistas estão espalhadas em links e figuras ao longo do livro, e assim como no primeiro volume, continuam não interferindo em nada na leitura da obra. Escolha a sua forma de leitura e seja feliz. Continuar lendo

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Todos os Nossos Ontens (Cristin Terrill)

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“É apenas o começo, eu sei. Nunca fiz essa viagem que aquelas 14 versões passadas de mim fizeram, mas a ouvi ser explicada vezes suficientes para saber o que vem depois. Quando as partículas que estão rodopiando abaixo dos meus pés pelos quilômetros de canos, grandes o bastante para darem passagem a um caminhão, enfim baterem umas nas outras quase na velocidade da luz, a explosão será tão poderosa que partirá o próprio tempo. ” (Página 34)

Quatro anos no futuro (presente), Em está presa em uma base militar secreta. Finn também está preso ali, mas a única presença um do outro que eles podem sentir são suas vozes. Em um dia qualquer, Em descobre um papel no ralo de sua cela. Um papel contendo várias anotações, algumas de seu próprio punho (embora ela tenha certeza de que nunca viu o papel antes), e que lhe deixa uma missão: retornar no tempo e evitar a criação de uma máquina do tempo que vai destruir o mundo. Inúmeras vezes ela já tentou e inúmeras vezes ela acabou no mesmo presente terrível. Desistir não é uma escolha.

Quatro anos no passado encontramos Marina, uma garota tímida, idealista e apaixonada pelo melhor amigo James. Mas, quando finalmente ele parecia estar correspondendo aos seus sentimentos, a vida do garoto é despedaçada e a esperança de Marina de um futuro com James está cada vez menor. Continuar lendo

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Star Wars: Marcas da Guerra (Chuck Wendig)

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“- Esta não é uma história inspiradora qualquer. Não é mais um conto de um azarão, pobre coitado e pé-rapado, uma luta pugilista onde nós somos o gladiador de bom coração que derruba o regime opressor que o colocou na arena. Eles ficaram com essa narrativa. Nós somos aqueles que escravizaram mundos inteiros, repletos de habitantes alienígenas. Nós somos aqueles que construíram algo chamado de Estrela da Morte sob a liderança de um velho goblin decrépito que acreditava no “lado sombrio” de uma antiga religião maluca qualquer. ” (Página 176)

Até bem pouco tempo atrás meu contato com o universo de Star Wars restringia-se aos filmes. Como fã da franquia desde que me entendo por gente, sabia que o Universo Expandido de Star Wars tinha bastante coisa, mas nunca tinha ido atrás, salvo a primeira temporada da série de animação Star Wars: The Clone Wars que acabei nem continuando a ver. Com a notícia da produção dos novos filmes pela Disney, o auê em torno da história principal e seu universo expandido reacendeu-se. Foram lançados hq’s (já conferi algumas) e a Editora Aleph começou uma publicação massiva de obras literárias desse universo (e não tô reclamando não, pode mandar mais Aleph!). Tanto as antigas (anteriores à 2014), que agora são conhecidas como Legends e que não fazem parte do cânone estabelecido em 2014, quanto as obras mais recentes e que trazem os conceitos a serem explorados em filmes, livros, games…. Dentre esses, Star Wars – Marcas da Guerra, primeiro volume da trilogia Aftermath, de Chuck Wendig chega para preparar o terreno para o que começou a ser explorado no episódio VII dos filmes. Mas, não vá com muita sede ao pote, achando que ele contém maiores detalhes sobre o que você viu em Star Wars: O Despertar da Força. O que é explorado aqui é muito mais antigo…

A trama de Wendig se passa alguns meses após a Batalha de Endor que acarretou na destruição da Segunda Estrela da Morte, nas mortes de Darth Vader e Palpatine e no enfraquecimento das forças imperiais e início da restauração da Nova República. É claro que velhos conhecidos nossos não são esquecidos, mas desta vez, eles cedem espaço para personagens secundários dos filmes brilharem. Almirante Ackbar, o Líder Vermelho Capitão Wedge Antilles e a piloto Norra Wexley são os protagonistas que representam a antiga resistência. Do outro lado temos a almirante Rae Sloane e alguns figurões das forças imperiais. Além deles, outros personagens ganham destaque na trama: Jas Emari, uma caçadora de recompensas; Sinjir, um antigo agente imperial; Temmin, o filho que Norra deixou para trás, na Orla Exterior, para se juntar às forças rebeldes; e, não posso esquecer do Senhor Ossudo, um droide esquisitão, mas cativante. Continuar lendo

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A Menina da Neve (Eowyn Ivey)

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Em seu romance de estreia, Eowyn Ivey buscou inspiração no folclore russo, o conto de Snegurochka ou The Snow Maiden, para dar vida a sua própria menina da neve e criar uma história que mistura drama, vida cotidiana, natureza selvagem e mistério, com um toque de conto de fadas.

A história se passa no Alasca, em 1920. Lá encontramos Jack e Mabel, um casal de meia-idade recém-chegados ao lugar. Eles nunca puderam ter filhos, e quando Mabel ficou grávida, perdeu o bebê. A mudança para o Alasca foi a derradeira tentativa de deixar o passado trágico para trás e se verem livres dos olhares de pena dos familiares e amigos. Só que nas terras frias e inóspitas do norte, o casamento de Mabel e Jack é praticamente inexistente e ambos estão vivendo praticamente como dois estranhos sob o mesmo teto. Na primeira neve daquele ano, uma abertura, uma pequena aproximação, e o casal faz um boneco de neve, ou para ser mais precisa, uma menininha de neve na qual Mabel coloca luvas e um cachecol vermelho. Naquela mesma noite a menina de neve desaparece, o cachecol e as luvas também e Jack vê (?) uma garotinha e pegadas infantis na neve. Pronto, tem início a história do casal com a garotinha da neve. Será ela um ser fantástico nascido da neve modelada por Mabel e Jack? Ou é apenas uma garotinha sozinha acostumada a viver na natureza selvagem do Alasca? Será ela apenas um fruto da imaginação de Mabel e Jack? Continuar lendo

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A Espada do Verão (Rick Riordan)

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“- Você tem dezesseis anos agora, já é um homem. Escapou deles uma vez, na noite em que sua mãe morreu. Eles não vão deixar você escapar de novo. Essa é nossa última chance. Se não me deixar ajudá-lo, você não sobreviverá até o fim do dia. ” (Página 25)

Durante a leitura da série Os Heróis do Olimpo, muito leitores devem ter ficado com a impressão (e a esperança) de que Riordan estava preparando algo envolvendo a mitologia chinesa, mas qual não foi a surpresa quando veio a notícia de que a próxima série de livros focaria na mitologia nórdica. E ela chega com Magnus Chase, e o sobrenome não é coincidência não, Magnus é primo da nossa já querida Annabeth. E ela é claro não é esquecida e até tem suas participações na trama, as quais prometem vir a serem mais frequentes no próximo livro.

A nova série de Riordan traz todos os elementos já tão característicos do autor: a grande quantidade de personagens; uma trama estruturada em torno de uma grande missão (decorrente de uma profecia feita na hora mais imprópria); missões menores que servem de preparação para o embate final; deuses melindrosos, misteriosos e meio doidos; um lugar para reunir os heróis (já conhecíamos alguns acampamentos e uma casa no Brooklyn, agora é a vez de um hotel que é o próprio Valhala); muitas e muitas referências pop e uma boa pitada de humor. Aliás, o tom de hilaridade atinge níveis estratosféricos nessa nova série. Mas, ao mesmo tempo, ele não deixou de explorar temas mais sérios como o bullying e a rejeição familiar devido a deficiência de um dos personagens. A narrativa também lembra muito a utilizada na série do Percy Jackson, com a narrativa em primeira pessoa e apenas sob o ponto de vista de Magnus. Até mesmo os títulos estranhos e engraçados estão de volta. Continuar lendo

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Pássaro da Tempestade – Conn Iggulden

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Henrique VI não é o filho que um rei como Henrique V, o vencedor de Azincourt merece. É fraco, frágil e gasta mais tempo rezando do que protegendo seu país e seu povo. Quando uma nova guerra contra a França surge, ele quer que seus conselheiros negociem um armistício, ao invés de lutar. É assim que ele se casa com Margarida de Anjou, sobrinha de Carlos VII, e entrega aos franceses os territórios de Maine e Anjou.

Como era de esperar, os ingleses nesses territórios não aceitam muito bem a notícia de que devem abandonar suas terras, e mitos resolvem ficar e lutar. Na Inglaterra, os altos impostos deixam muitos súditos descontentes, e a vinda dos refigiados da França aumenta seus números. Com a resistência na França, o armistício negociado é descartado e os franceses tomam de volta todos os territórios ingleses, à excessão de Calais.

Descontente, o povo marcha para Londres enquanto os nobres condenam um bode expiatório à morte para tentar aplacá-los, mas o rei o protege – em vão – e o exila. Um rei fraco, uma rainha odiada por seu povo, lordes em busca de poder e uma população descontente: essas são as peças do jogo de xadrez que foi a Guerra das Rosas. Continuar lendo

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A Sexta Extinção (Elizabeth Kolbert)

 

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“Muito, mas muito de vez em quando, no passado remoto, o planeta sofreu mudanças tão violentas que a diversidade da vida despencou de repente. Cinco desses antigos eventos tiveram um impacto catastrófico o suficiente para merecer uma única categoria: as Cinco Grandes Extinções. No que parece ser uma coincidência fantástica, mas que provavelmente não é coincidência alguma, a história desses eventos é recuperada bem na hora em que as pessoas começam a perceber que estão provocando mais um. Embora ainda seja demasiado cedo para saber se atingirá as proporções dos anteriores, esse novo evento fica conhecido como a Sexta Extinção. ” (Página 29)

Em A Sexta Extinção – Uma História Não Natural, vencedor do Pulitzer de não-ficção em 2015, Elizabeth Kolbert nos apresenta histórias emblemáticas de espécies já extintas e outras em vias de extinção. Revisitando a história do planeta e todos os outros processos de extinções já experimentado por ele ao longo de sua história, Kolbert retraça o papel do ser humano nas alterações sofridas pelo planeta e escancara o legado trágico deixado pela humanidade. Para isso, ela foi em busca de cientistas das mais diversas áreas do conhecimento, fez entrevistas, leu publicações científicas, participou de expedições, visitou museus e laboratórios. Kolbert se embrenhou na floresta noturna, no recife localizado no meio do nada, mergulhou em águas ácidas, escalou barrancos enlameados, visitou ilhas ermas e acampou na floresta amazônica andina. O resultado é um texto claro e bastante completo, que passa longe da superficialidade. E que tem tudo para agradar tanto os leitores já íntimos do tema quanto os mais leigos no assunto. Continuar lendo

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A Batalha de Sharpe – Bernard Cornwell

Atenção! Esta resenha é sobre o 12° livro da série “As Aventuras de um Soldado nas Guerras Napoleônicas”, e pode conter spoilers sobre os acontecimentos dos livros anteriores. Para ler as resenhas de alguns dos demais livros da série, clique aqui: O Tigre de Sharpe (1°); O Triunfo de Sharpe (2°); A Fortaleza de Sharpe (3°) – Núbia; O Ouro de Sharpe (9°); A Fuga de Sharpe (10°)A Fúria de Sharpe (11°) – Mari.

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Após ouvir os barulhos de uma batalha, Sharpe e seus homens se perdem nas montanhas entre Portugal e a Espanha. Eles se deparam com um vilarejo massacrado e encontram alguns soldados franceses, os quais Sharpe manda matar por conta dos atos horrendos que eles estavam praticando. Quando o general desses homens, Loup (lobo), se depara com o que Sharpe fez, ele e o capitão decidem se odiar e destriur mutuamente.
Enquanto isso, Wellington tem outro problema: para ajudar a campanha contra Napoleão, ele precisa ser declarado generalíssimo do exército espanhol – o que lhe daria o poder de comandá-los melhor. No seu caminho estão os espanhois, que querem evitar dar esse poder a um inglês. Os espanhois dão o comando da Real Compañía Irlandesa, os guardas do Rei espanhol, a Wellington, acreditando que ele vai maltratar os homens e vão poder usar isso como exemplo de que não se pode confiar nos ingleses. Continuar lendo

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