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Encontrando-me (Cora Carmack)

Encontrando-Me

“Aventuras não acontecem se você estiver preocupado com o futuro ou apegado ao passado. Elas só existem no presente. E elas sempre, sempre surgem na hora mais inesperada e da forma mais improvável. Uma aventura é uma janela aberta, e um aventureiro é a pessoa disposta a rastejar pelo peitoril e saltar. ” (Página 3)

Encontrando-me encerra a série Losing It e depois de termos lido sobre Bliss e seu relacionamento com Garrick e o de Cade com Max, agora os holofotes são direcionados à Kelsey Summers a melhor amiga de Bliss. Antes de falar mais sobre a história, é importante frisar que apesar dos três livros constituírem uma série, eles podem ser encarados como obras únicas e podem ser lidos em qualquer ordem, isso porque os eventuais spoilers já são bem esperados e não são tão surpreendentes assim. Dos três aliás, Fingindo é o que mais se distancia de todos, há uma breve participação dos protagonistas do primeiro livro logo no início e só, em Encontrando-me as “participações” de Bliss são mais frequentes.

Em Encontrando-me, Kelsey está fazendo uma viagem como mochileira pela Europa Oriental depois de ter terminado a faculdade. Para os pais ela disse que estava indo para a Europa conhecer o mundo e amadurecer como pessoa, aos professores disse que estava indo reunir vivências para se tornar uma atriz melhor, aos amigos que estava indo festejar. Mas, na verdade Kelsey estava fugindo de sua vida em uma família desregulada que nunca lhe deu atenção e que no caso do pai acha que o dinheiro tudo pode comprar e tudo releva. Além disso, ela também guarda memórias de coletar momentos (bons e ruins) que a ajudem a aguentar sua vida quando chegar a hora de voltar para casa. E é com esse propósito em mente, e com o cartão de crédito sem limites do pai, que ela está vivendo de festas, sexo e bebidas (muitas bebidas), mas esta vida louca já não está sendo o suficiente… e talvez, um estranho que ela encontra em um bar e que parece determinado a resgatá-la das situações ruins, possa ajudá-la. Continuar lendo

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Inocência? (Gail Carriger)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do terceiro livro da série O Protetorado da Sombrinha e pode haver spoilers dos livros anteriores. Para saber o que eu achei deles, confira os links no fim da resenha.

Inocência

“Lady Maccon também pensara nisso durante o chá com torradas. Se tinha de ir, buscaria informações. Se tinha de fugir, melhor fazê-lo de forma a provar sua inocência. Somente um país demonstrava ter conhecimentos significativos sobre preternaturais.

– Ouvi dizer que a Itália é uma beleza nesta época do ano. ” (Página 65)

Com o terceiro livro, a série O Protetorado da Sombrinha começa a se encaminhar para sua conclusão. Neste volume, Alexia continua intrépida, dona das próprias opiniões, não leva desaforo para casa e ainda diz umas boas verdades a quem precisa, e mesmo assolada pelos hormônios em sua condição mais que interessante, ela continua forte e determinada a esfregar os erros nas fuças de quem ousou colocar a sua reputação em dúvida. O pior é que nem dá para sentir pena de Lorde Maccon, porque ele mereceu.

Em Inocência? reencontramos Lady Maccon pouco depois dos eventos que colocaram seu casamento em suspenso, o que além de garantir a inconveniência dela ter de lidar com a mãe e as irmãs sob o mesmo teto, também ocasionou sua demissão do Conselho Paralelo da Rainha, a falta da proteção da alcateia e, o que é pior, mas em se tratando de Alexia, nem é tão novidade assim, a transformou em um alvo ambulante para joaninhas mecânicas homicidas e colocou vampiros perseverantes e bem armados em seu encalço. E, enquanto Lorde Maccon afoga suas mágoas em bebidas para lá de peculiares, Lorde Akeldama sai de Londres inesperadamente. Alexia está determinada a provar sua inocência e permanecer ilesa durante o processo e juntamente com o inabalável Floote e a misteriosa Madame Lefoux, ela foge para a Itália à procura dos misteriosos templários, que ao que parece sabem o bastante sobre preternaturais e talvez possam lhe explicar como sua atual condição foi possível. Continuar lendo

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O Mapa de Vidro (S. E. Grove)

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“Tornou-se evidente que, em um momento terrível, as várias partes do mundo se separaram. Elas se desprenderam do tempo. Girando livremente em diferentes direções, cada pedaço do mundo fora lançado em uma era diferente. Quando aquele momento passou, os pedaços ficaram espalhados, tão perto espacialmente uns dos outros como sempre estiveram, mas irremediavelmente separados pelo tempo. Ninguém sabia a idade real do mundo, ou qual das eras causara a catástrofe. O mundo como o conhecíamos havia se partido, e um novo mundo tomara seu lugar. Nós chamamos esse momento de Grande Ruptura. ” (Página 18)

E é assim que tem início o mundo imaginado por S. E. Grove. Partindo do mundo real, conhecido por todos nós, ela moldou um mundo fantástico, no qual ficção e fatos históricos caminham lado a lado e fornecem um arcabouço bastante robusto e muito bem trabalhado por ela. Para quem preza pelos detalhes, a trama é um prato cheio, e às vezes até beira a demasia. Política, história, geografia, sociologia e religião são explorados ao máximo, o que poderia até ter tornado a história cansativa, mas a trama é tão bem conduzida e os personagens interessantes que acabam compensando a abundância de informações em alguns momentos. Continuar lendo

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João & Maria (Neil Gaiman & Lorenzo Mattotti)

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“No inverno, quando a neve estava alta, a mulher deu à luz uma menina. A criança foi chamada de Ana Maria, mas depois inverteram seu nome, que virou Mariana, e no fim ficou só Maria. Dois anos mais tarde, a esposa do lenhador deu à luz um menino, que foi chamado de João, e, como já tinham esgotado a criatividade, ficou sendo João mesmo. ” (Página 6)

Começarei esta resenha de trás para frente para falar de algo muito legal que está apenas no final do livro: um ensaio, bastante completo, sobre o conto de Hansel & Gretel. Como toda criança que cresceu conhecendo a história de João e Maria de trás para frente, mas que nunca se aprofundou nos pormenores por detrás do conto, é bom descobrir mais sobre suas variações e modificações sofridas ao longo do tempo e tomar conhecimento de contos semelhantes oriundos de outros países. É neste ensaio também, que descobrimos que Lorenzo Mattotti criou os desenhos que ilustram este livro, em 2007 para uma exposição. E que foi inspirado por eles que Gaiman resolveu recontar sua versão do conto alemão.

Mas, mesmo lendo a releitura de Gaiman com apenas os conhecimentos parcos e as lembranças nebulosas da história, foi impossível não perceber que não há muitas diferenças entre a narrativa de Gaiman e sua contraparte original. Não o conto amplamente difundido e um pouco menos sombrio, mas sim, aquele eternizado pelos irmãos Grimm que não nos poupa dos detalhes sórdidos: o abandono dos pais, a perda da inocência infantil, o enfoque nas consequências trágicas da guerra, canibalismo e assassinato. E, justamente por ter mantido tanta fidelidade ao conto original não há como não se perguntar sobre o porquê de uma releitura, quando no final das contas as mudanças foram tão sutis. Não há como negar que as ilustrações de Mattotti foram muito bem entremeadas à narrativa e garantiram um tom sombrio muito bem-vindo à edição. Além disso, é possível perceber na narrativa traços do sarcasmo, do humor irônico e do lado sombrio de Gaiman. Mas, a obra como um todo fica bem aquém do esperado. É o lado complicado de ser fã de Gaiman e consumidora de tudo o que ele escreve. Você acaba indo com sede demais ao pote, ânsia por inovação e no final das contas acaba decepcionada. Em se tratando de releituras, penso que Gaiman tem sido mais feliz quando só usa as histórias antigas como fonte de inspiração para criar seus mundos (eis O Livro do Cemitério que não me deixa mentir), se manter preso em histórias já tão fechadas não foi lá uma boa ideia.

PS: Fica como ponto positivo o capricho da Intrínseca com a edição brasileira. O livro em capa dura, impresso em papel couchê e com uma diagramação esmerada rendeu um belo volume para se ter na estante.

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172 Horas na Lua (Johan Harstad)

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“Seu recém-descoberto respeito por Armstrong e Aldrin apenas cresceu. Nenhuma palavra parecia capaz de captar a beleza e a lugubridade deste lugar. Mas eles haviam conseguido. Especialmente Aldrin. Ele saíra do módulo e comunicara à Terra as únicas palavras possíveis. Magnífica. Magnífica desolação. ” (Página 132)

172 horas na Lua, do norueguês Johan Harstad, foi publicado originalmente em 2012 e este ano a Novo Conceito decidiu publicar o livro no Brasil. Eu confesso que não sou muito fã de livros com uma vibe meio de terror, mas o fato de Harstad ter situado sua história na Lua, fazendo um resgate da era de ouro das viagens espaciais e as campanhas da Nasa, foi algo que me deixou curiosa e me fez pedir o livro para avaliação.

A trama de Harstad tem início em 2010 quando um grupo de alto escalão do governo norte-americano decide que quer realizar novas expedições à Lua, mais especificamente à estação lunar DARLAH2, nunca antes utilizada. Os interesses são escusos e envolvem uma misteriosa entidade avistada durante a última missão ao satélite terrestre. Mas, para mascarar os reais interesses e atrair a atenção da mídia, eles decidem “vender o projeto” como uma espécie de viagem a uma Disney high-tech, leia, enviar adolescentes à Lua junto com os astronautas! E eles decidem fazer disso um concurso internacional. Aliás, o site da inscrição citado no livro, realmente existe e acredito que deva ter sido funcional (aceitando as inscrições e tudo o mais) na época do lançamento do livro. E é assim, que em 2018, conhecemos a norueguesa Mia, a japonesa Midori e o francês Antoine, os três jovens escolhidos para viver essa aventura. Continuar lendo

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Estação Onze (Emily St. John Mandel)

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“Se fosse outra pessoa que não Hua, Jeevan não teria acreditado, mas ele nunca havia conhecido um homem com maior capacidade de percepção do que o amigo. Se Hua estava dizendo que havia uma epidemia, então epidemia não era uma palavra forte o suficiente. Jeevan foi esmagado pela repentina certeza de que era aquilo mesmo, a doença que Hua descrevia iria representar uma fronteira entre um antes e um depois, uma linha que cortaria sua vida ao meio. ” (Página 27)

Na Terra imaginada por Mandel, a destruição do mundo começou com uma gripe. E o evento que dá o pontapé inicial nessa catástrofe ocorre em Toronto e não poderia ser mais paradoxal em face a toda a destruição iminente. A morte do ator Arthur Leander durante a encenação de uma peça shakespeariana. Naquela noite, Jeevan um ex-paparazzo em treinamento para se tornar paramédico, tentou salvar Arthur sem sucesso. Kirsten, uma garotinha de oito anos, atriz mirim na companhia, presenciou todo o drama. Dias depois, o mundo se desintegrou: não havia mais cidades, meios de transporte, remédios, internet, países ou força policial. Vinte anos depois reencontramos Kirsten, que agora faz parte da Sinfonia Itinerante, um grupo de artistas (atores e musicistas) que seguem de vilarejo em vilarejo apresentando Shakespeare.

É assim que Mandel delineia o esqueleto de sua história. Com uma narrativa em terceira pessoa e sob múltiplos pontos de vista, ela vai e volta no tempo, enquanto nos reconta a vida de Arthur, suas esposas Miranda e Elizabeth e seu amigo Clark; nos fornece vislumbres do que seria a Estação Onze que inspirou o título do livro e nos mostra como o mundo pós-catástrofe está. Um cenário perturbador, no qual a confiança é artigo de luxo e onde a esperança aliada à loucura faz com que prosaicos e psicóticos líderes apareçam. Continuar lendo

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Cartas a um jovem cientista (Edward O. Wilson)

cartas a um jovem cientista

“Todo mundo sonha acordado, como um cientista, de alguma forma. Fantasias elaboradas com disciplina são a grande fonte de todo o pensamento criativo. Newton sonhava, Darwin sonhava, você sonha. As imagens evocadas são a princípio vagas. Elas podem variar de formato e surgir ou desaparecer. Elas se tornam um pouco mais sólidas quando desenhadas em diagramas em blocos ou folhas de papel, e ganham vida à medida que se buscam e se encontram exemplos reais. ” (Página 31)

Provavelmente não há um biólogo do campo da zoologia, ecologia, e/ou evolução que não tenha ouvido algo sobre Edward O. Wilson. Em algum momento da graduação, você conheceu ou conhecerá um pouco mais sobre esse cientista, que escolheu estudar as formigas e que fez importantes contribuições nas áreas da sociobiologia, da biogeografia de ilhas e do comportamento das formigas. Mas, acima de tudo, pelo seu comprometimento em proteger a biodiversidade da Terra e em compartilhar o conhecimento científico por meio de diversos livros publicados, muitos deles, voltado ao público geral como o A Criação: como salvar a vida na Terra ou Diversidade da Vida.

Em Cartas a um Jovem Cientista, seu público é um pouco mais focal, mas ainda assim é abrangente no sentido de não se direcionar apenas aos aspirantes as carreiras científicas nas áreas biológicas, mas também em outras áreas da ciência como a química e a física. Escrito no formato de epístolas, Wilson compartilha vinte cartas sobre o amor pela ciência e o prazer pela descoberta. E Wilson tem muitas histórias para compartilhar. Histórias de quando era garoto e colecionava insetos, de quando passou um tempo interessado pelas serpentes na época que fora escoteiro, e de como acabou escolhendo as formigas para serem suas companheiras pelo resto de sua vida científica. Seus primeiros passos na academia, suas expedições em busca de seus graais, seu envolvimento com os projetos de seus orientados e sua dedicação para fornecer a eles todo o suporte necessário para o bom encaminhamento de suas pesquisas. Continuar lendo

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Zac & Mia (A. J. Betts)

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“Nunca fui boa com números, nunca precisei ser. Mas entendo esse número. Cinquenta e cinco é claramente um dos resultados possíveis quando se joga uma moeda para cima. Os números são o que são. Não dá para discutir.

Tudo mais desaparece exceto um número frio e um rapaz que está olhando para as estrelas como se as conhecesse.

(…)

Talvez os números o atormentem da mesma forma que minha perna me atormenta. Talvez nós dois estejamos vivendo como frações. ” (Página 172)

Zac tem 17 anos e já luta há um bom tempo contra a leucemia. Para ele, a rotina do hospital, a visita das enfermeiras, do psicólogo e o esmiuçar das atividades do seu sistema digestório já é algo comum e com os quais ele já aprendeu a conviver. Por achar que já inflige dor o suficiente à sua família, Zac tenta ser o paciente modelo. Aquele que não liga de assistir programas de culinária com a mãe, mesmo quando até mesmo água é difícil de engolir, e que reserva os momentos solitários da madrugada para ir à cata de estatísticas envolvendo outros pacientes como ele, porque sabe que se fizesse isso durante o dia sua mãe iria ficar muito mais preocupada. Zac já atingiu um nível de conhecimento da ala oncológica, que lhe permite fazer piada de si mesmo e da situação em que se encontra. O que só reforça seu pragmatismo e nos cativa definitivamente.

Dessa vez ele está no hospital para ganhar uma medula nova. E tirando esse “pequeno” detalhe, a estadia poderia ser bem semelhante à todas as outras antes desta. Mas, desta vez, no quarto ao lado está uma nova paciente. Mia, uma garota raivosa, irritante, bonita e com um gosto musical bastante duvidoso. A garota nova vive às discussões com a mãe e não está enfrentando o início do seu tratamento muito bem. E Zac, com batidas na parede, uma amizade no Facebook e bate-papos na madrugada, toma para si a missão de tentar ajudá-la nessa fase difícil. Continuar lendo

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Persépolis (Marjane Satrapi)

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Depois de um tempo me dedicando às graphic novels mais fofinhas e coloridas, decidi que era chegada a hora de partir para uma com um tema mais sóbrio e Persépolis, que já estava há um bom tempo na estante, foi a escolhida, marcando assim a minha estreia em dois nichos dos quadrinhos: as graphic novels autobiográficas e os quadrinhos iranianos.

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Marjane Satrapi nasceu em Rasht, no Irã, em 1969. Aos dez anos se viu obrigada a usar o véu islâmico e a frequentar uma escola só para garotas. Ela vivenciou a derrubada do Xá em 1979 por meio de uma revolução popular que posteriormente acabou se transformando em um regime ditatorial. Com a violência perpetrada pelo regime cada vez mais frequente e a guerra contra o Iraque contribuindo para fazer ainda mais vítimas, Marjane ficou cada vez mais revoltada contra o sistema. E isso só foi possível porque a garota apesar de não ter a cultura do país renegada de sua educação, foi criada em um ambiente bastante aberto às discussões políticas e sociais e à cultura ocidental. Uma educação progressista que a tornou naturalmente questionadora e a colocou em rota de colisão contra o governo, motivo pelo qual os pais tiveram que a enviar para morar no exterior durante uma grande parte de sua adolescência. Depois de retornar ao Irã, onde concluiu seus estudos, Marjane mudou para a França onde atua como autora e ilustradora. Foi ali, na França, que ao ser questionada sobre sua história por seus amigos, surgiu Persépolis. Uma obra autobiográfica escrita em francês e publicada originalmente em quatro volumes, que foram traduzidos e reunidos em um volume único pelo selo Quadrinhos na Cia da editora Companhia das Letras (a obra também foi publicada no formato original de quatro volumes). Continuar lendo

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Os Filhos de Anansi (Neil Gaiman)

Os Filhos de Anansi

“As pessoas reagem às histórias. Elas as contam, as histórias se espalham e, conforme são contadas, mudam os contadores. E quem nunca tinha pensado em nada além de fugir dos leões e se aproximar com cautela dos rios para não virar comida de crocodilo agora começa a sonhar em morar em um local diferente. O mundo pode ser o mesmo, mas o cenário mudou. Entende? As pessoas ainda têm a mesma história, em que nascem, fazem coisas e morrem, mas agora a história tem um significado diferente do que tinha antes. ” (Página 237)

Se não me falha a memória este já deve ser o quinto livro do Gaiman que leio (ainda preciso começar a ler suas graphic novels) e não importa seu público alvo, quer seja um romance com aura de contos de fadas, uma aventura infanto-juvenil, ou um romance envolvendo anjos e demônios. Gaiman sempre acerta o tom e é expert em tornar seus leitores cativos. Com Os Filhos de Anansi não foi diferente, a começar pela dedicatória destinada a nós leitores e se embrenhando por uma história de muitas pernas, personagens e eventos aparentemente incongruentes. Gaiman se mostrou um bom tecedor de teias e um exímio contador de histórias.

Se você como eu pegou (ou pretende pegar) Os Filhos de Anansi para ler sem ter muitas informações sobre a obra, pode ficar encucado com o texto de orelha do Fábio Moon na edição da Intrínseca. Nele nós descobrimos que aqui, Gaiman irá retornar ao universo fantástico já explorado em Deuses Americanos e aí é impossível não bater a dúvida. Será que não é imprescindível ler Deuses Americanos antes? Será que se partir direto para a leitura deste livro, posso não compreender a história narrada em Os Filhos de Anansi? Sem ter Deuses Americanos na estante, a solução foi arriscar. E no fim, ainda que seja um universo revisitado, não ter travado conhecimento com ele anteriormente em nada prejudica esta leitura. A única sensação que ficou, foi o desejo de conhecer mais a fundo o resto desse universo criado por Gaiman. Mal posso esperar para ter Deuses Americanos nas mãos. Mas, voltando aos filhos de Anansi… Continuar lendo

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