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Diversidade da Vida (Edward O. Wilson)

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“Ouvi ao meu redor o coro grego do treinamento e da cautela: como você pode provar que esta é a razão de serem dominantes? Fazer tal associação não é mais uma vez concluir precariamente que se dois eventos ocorrem juntos um tem de causar o outro? Algo inteiramente diferente pode ter causado ambos. Pense nisso. Que tal uma maior capacidade individual de luta? Ou sentidos mais aguçados? Ou o quê?

Esse é o dilema da biologia evolucionista. Temos problemas a resolver e temos respostas claras – um excesso de respostas claras. O difícil é escolher a resposta certa. A mente isolada move-se em círculos lentos, e os avanços são raros. A solidão é melhor para eliminar ideias do que para criá-las. Gênio é apenas a produção de muitos vinculada aos nomes de poucos para facilitar a lembrança, uma injustiça para tantos cientistas. ” (Página 14)

Em Diversidade da Vida Edward O. Wilson traz quinze capítulos divididos em três seções: Natureza Violenta, Vida Resistente; O Aumento da Biodiversidade; e O Impacto Humano. Na primeira seção Wilson apresenta alguns exemplos emblemáticos de como eventos destrutivos são contornados pela vida e termina falando sobre os cinco grandes eventos de extinção que a Terra sofreu ao longo de sua história evolutiva. Assim, nos prepara para inserir o evento mais emblemático, recorrente e atual de extinção que estamos provocando. Mais pernicioso do que alguns dos mais catastróficos do passado, justamente por não haver tempo de recuperação cabível, não ao menos na escala de vida do Homo sapiens. Continuar lendo

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O Palácio da Meia-Noite (Carlos Ruiz Zafón)

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O Palácio da Meia-Noite foi o segundo romance publicado por Zafón e, juntamente com seu antecessor (O Príncipe da Névoa) e o As Luzes de Setembro compõem a Trilogia da Névoa. Mas, como já havia dado para perceber desde a leitura do primeiro livro, o agrupamento desses livros em uma trilogia é artificial e cada qual funciona perfeitamente como um romance único. Os personagens e as tramas são distintos e as histórias tomam formas em lugares tão díspares quanto um vilarejo no litoral do Atlântico ou em Calcutá. Talvez o único denominador comum entre os livros seja a Névoa e o que ela representa: o sobrenatural, os perigos representados pelo oculto e a atmosfera sufocante que Zafón consegue imprimir tão bem em seus romances.

Em O Palácio da Meia-Noite Zafón nos convida a acompanhá-lo em Calcutá. Em 1916, um homem está em fuga desenfreada para salvar a vida de dois bebês gêmeos de um homem (uma entidade?) sobrenatural que matou a mãe das crianças e agora as quer mortas também. Para mantê-los a salvo, as crianças são separadas. A menina (Sheere) fica com a avó materna e o menino (Ben) é entregue no orfanato St. Patrick’s. E, durante um tempo a ameaça arrefeceu. Até maio de 1932. Prestes a completarem dezesseis anos, Ben e Sheere se reencontram e o passado da família e o homem que os caça deverão ser enfrentados. Continuar lendo

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Simon vs. A Agenda Homo Sapiens (Becky Albertalli)

Simon vs. a agenda Homo Sapiens

Simon tem 16 anos e é gay, mas ninguém sabe. Bem, para falar a verdade, uma pessoa sabe. Blue, o garoto com que Simon (sob a alcunha de Jacques) troca e-mails. Um garoto com quem cada vez mais Simon se identifica. Mas, esse relacionamento permanece no mundo virtual, livre das inibições e receios que o encarar frente a frente poderia provocar. Ainda mais por ambos estudarem na mesma escola, e, não terem se assumido como gays ainda. Só que essa história é abalada quando Martin, um colega da turma de Simon, descobre sobre a troca de e-mails e começa a chantageá-lo. Uma ameaça que pode colocar em xeque esse relacionamento imberbe. Como Simon irá reagir a essa chantagem e o quanto de mudanças ela irá provocar na vida do garoto é o cerne dessa trama. Para ter uma chance real com Blue, Simon precisará convencer o misterioso garoto a se revelar; terá que manejar a chantagem de Martin; e, acima de tudo, aceitar as mudanças e arriscar-se fora de sua concha, assumindo seus verdadeiros desejos e sentimentos.

“Você não acha que todo mundo devia ter que sair do armário? Por que o comum é ser hétero? Todo mundo devia ter que declarar o que é; devia ser uma coisa bem constrangedora, não importa se você é hétero, gay, bi ou sei lá o quê. ” (Página 130)

“É mesmo muito irritante que hétero (e branco diga-se de passagem) seja o normal e que as pessoas que precisam pensar sobre sua identidade sejam só aquelas que não se encaixam nesse molde. ” (Página 131)

A história é narrada em primeira pessoa, por Simon, e os capítulos alternam-se entre a “narrativa principal” e os e-mails trocados por Jacques e Blue, que garantem diálogos humorados e algumas vezes até mesmo sarcásticos. E é assim, despretensiosamente, que Albertalli te prende à história. A leitura flui e você não quer parar até descobrir quem é Blue e se os dois garotos um dia irão se encontrar e ficar juntos. Continuar lendo

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Sagrado (Dennis Lehane)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos do terceiro livro da série dos detetives Kenzie & Gennaro e pode haver spoilers (evitados ao máximo) sobre fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final desta resenha.

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Dando continuidade aos meus planos de ler a série protagonizada pelos detetives Kenzie e Gennaro na ordem cronológica, chego ao terceiro volume. E, após as perdas recentes e a violência escancarada que adentrou às vidas de Patrick e Angie há poucos meses (Apelo às Trevas), neste volume, Lehane atinge novos patamares com seu humor sarcástico. Angie e Patrick estão mais afiados do que nunca, o que contribuiu para tornar a leitura de Sagrado ainda mais ágil. Ele também não poupou nas reviravoltas…

“Talvez a honra estivesse em seu ocaso. Talvez ela já estivesse em declínio havia muito tempo. Ou, pior: talvez ela nunca tivesse passado de uma ilusão.

Todo mundo é suspeito. Todo mundo é suspeito.

Aquilo estava virando o meu mantra. ” (Página 208)

Desde os eventos trágicos há poucos meses atrás, Angie e Patrick fecharam o escritório e decidiram deixar o trabalho de detetives em estase. Mas, alguns clientes como o milionário Trevor Stone não aceitam a porta fechada. Trevor quer saber o que aconteceu com sua bela e deprimida filha. E, quando o antigo mentor de Patrick que já fora contratado anteriormente para resolver esse mesmo caso, também se encontra desaparecido, os detetives se veem envolvidos em uma caçada que envolve uma empresa que oferece terapias para a dor, meandros religiosos e evidências bastante enganosas. Nada é o que parece, e se Lehane pode tornar um caso aparentemente simples em algo intricado, é claro que ele o irá fazer. Mas, sem quebrar o ritmo da narrativa e sem utilizar a estratégia em demasia. Continuar lendo

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Temporada de Acidentes (Moïra Fowley-Doyle)

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A Irlanda é conhecida por seu rico folclore e pela grande importância que a sorte (ou a falta dela) tem na vida das pessoas. Em seu livro de estreia, Moïra Fowley-Doyle utiliza de forma interessante todo esse arcabouço criando um romance imagético e leva as últimas consequências a importância da sorte. Afinal, por que trabalhar alguns eventos esporádicos de má sorte se você pode tornar azarado um mês inteiro? Por que não retroceder e instituir uma temporada inteira de azar que se repete ao longo dos anos?

“É a temporada de acidentes: acontece todos os anos na mesma época. Um período em que ossos quebrados, cortes e hematomas são frequentes. (…)

Resumindo: apertamos os cintos, pois sabemos que o pior está por vir. Nunca saímos de casa sem pelo menos três camadas de roupa. Temos medo da temporada de acidentes. Temos medo da facilidade com que os acidentes se transformam em tragédias. Já passamos por muitas. ”

(Página 15)

Desde que Cara se entende por gente, e antes disso, sua família se torna vulnerável a todo tipo de acidentes durante o mês de outubro. Este ano a temporada de acidentes segue cobrando dividendos dos Morris, mas desta vez será diferente. O passado será remexido, cicatrizes (e não somente as físicas) serão relembradas, haverá o prenúncio de uma grande tragédia, mas também sobrará espaço para a amizade e o amor. Continuar lendo

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Star Wars – Tarkin (James Luceno)

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Continuando com as leituras das obras que fazem parte do novo cânone da franquia Star Wars, desta vez voltamos um pouco no tempo. O período retratado se passa cinco anos após o golpe contra a república e a instauração do Império Galáctico. Nesta época, o império está construindo secretamente uma de suas mais terríveis armas: a estrela da morte (a primeira) e supervisionando essa grande obra está o oficial (moff) Wilhuff Tarkin.

“Nem todos morriam de amores por ele. Se para alguns ele era meticuloso, racional e destemido, para outros era calculista, cruel e fanático. No entanto, independentemente de qual postura seus pares adotassem, as histórias sobre Tarkin surgidas nos últimos dias do Departamento Judicial eram lendárias e só faziam aumentar conforme corriam adiante. ” (Página 102)

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Orange (Ichigo Takano)

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Orange, o mangá shoujo escrito e ilustrado pela Ichigo Takano, começou a ser publicado originalmente em 2012 na revista Benatsu Margaret da Shueisha, mas acabou sendo descontinuada devido a problemas pessoais enfrentados pela autora. Só em 2013 a obra foi retomada, dessa vez pela Monthly Action da Futabasha e depois acabou sendo lançada em volumes encadernados, cinco no total. Volumes estes que começaram a ser publicados no ano passado no Brasil pela Editora JBC. Agora, com a série finalizada, venho comentar um pouco sobre essa história que mescla romance, drama e ficção científica e que trabalha um tema bastante espinhoso (a depressão) sem tratá-la como um monstro que deve ser mantido trancado no armário, mas sim mostrando o quanto ela pode tornar a vida de quem sofre difícil e sem perspectivas, e como o apoio dos amigos pode ser muito importante durante esse período.

O que você faria se a você de dez anos no futuro lhe enviasse uma carta, narrando em detalhes os seus próximos dias na escola, e lhe pedisse para mudar algumas coisas e evitar que os arrependimentos no futuro sejam tão pesados? Continuar lendo

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O Estranho Caso do Cachorro Morto (Mark Haddon)

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A literatura sem dúvidas tem se tornado mais inclusiva (ainda que haja ainda um longo caminho pela frente), o que é muito bom, pois ao nos colocar (leitores) na vida do outro, contribui para nos tornar mais empáticos às situações enfrentadas por ele e colabora para romper preconceitos, ou ao menos, amenizá-los.

Desde que o autismo se tornou uma condição mais conhecida do público em geral — e não duvido que os livros, séries e filmes possam ter contribuído muito para isso — o interesse em compreender mais sobre esse distúrbio só tem aumentado. E a literatura tem ressoado esse interesse. Temos livros mais técnicos, obras escritas por autistas e livros com protagonistas autistas. E as temáticas abordadas são bem amplas. Temos romance (com protagonistas adultos), romances policiais e toda uma gama de obras voltadas ao público jovem que vão dos dramas escolares até os dramas familiares envolvendo grandes tragédias. O romance de Mark Haddon pode até ser apenas mais um, mas tem seus méritos. Quer seja pelo desenvolvimento de seu protagonista, quer seja pelo fato de ter sido publicado lá em 2004, quando o assunto nem estava tão em voga assim.

Em O Estranho Caso do Cachorro Morto conhecemos Christopher John Francis Boone, um garoto de quinze anos que têm Síndrome de Asperger, uma forma de autismo. Christopher sabe de cor todos os países e suas capitais, sabe também todos os números primos até 7.507. Gosta de animais, não entende nada de relações humanas, não suporta ser tocado, não consegue mentir e não entende metáforas ou piadas. Continuar lendo

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O Planeta dos Macacos (Pierre Boulle)

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Desde que o romance de Pierre Boulle foi publicado, em 1963, já contava com certa notoriedade no mundo literário. Uma notoriedade que só aumentou desde o lançamento da primeira adaptação do livro para o cinema em 1968. Depois disso, várias adaptações e continuações foram produzidas. Algumas mais próximas à trama original e outras bem distantes da trama criada por Boulle. Com o reboot da franquia e o lançamento de Planeta dos Macacos: A Origem em 2011, o interesse sobre a obra de Boulle reacendeu. E a editora Aleph, muito sabiamente em 2015, resgatou essa obra icônica da ficção científica, com uma edição que também conta com uma entrevista concedida por Boulle em 1972, um ensaio jornalístico sobre a vida do autor, além de um posfácio escrito pelo pesquisador de ficção científica Braulio Tavares.

A história de Boulle nos é entregue encapsulada. É um casal de cosmonautas em viagem turística pelo espaço que a encontra: uma garrafa contendo um manuscrito. Um documento contendo as memórias de Ulysse Mérou, um jornalista que um dia decidiu se aventurar em uma viagem espacial, na companhia de mais dois cosmonautas, em direção à estrela Betelgeuse na Constelação de Órion. Continuar lendo

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Sharpe em Trafalgar (Bernard Cornwell)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do quarto livro (ordem cronológica) da série As Aventuras de um Soldado nas Guerras Napoleônicas. Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo dos livros anteriores. Para saber o que eu e a Mari achamos de outros livros da série, confira os links no final desta resenha.

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“(…) Sharpe fitou a silhueta negra da torre e mais uma vez desejou que não estivesse partindo. Gostara da Índia, que se revelara um paraíso para guerreiros, príncipes, mercenários e aventureiros. Ali Sharpe encontrara riqueza, lutara em suas colinas e fortalezas antigas, e fora promovido. Na Índia deixava amigos e amantes, e alguns inimigos em suas sepulturas. E estava trocando este lugar pelo quê? Pela Grã-Bretanha, onde ninguém o esperava, e em cujas colinas não cavalgavam aventureiros, e onde tiranos não espreitavam por trás de ameias vermelhas. ” (Página 44)

Depois de exemplares descrições de batalhas em terra, Cornwell pede licença neste para se embrenhar pelos mares e trazer uma batalha naval para o foco da narrativa. Após flechas, arcos, bestas, espadas, escudos, mosquetes e canhões, é chegada a vez dos navios e todo o seu poderio bélico de suas bordadas de artilharia. Depois da batalha da Fortaleza de Gawilghur, o alferes Richard Sharpe foi efetivamente transferido para o batalhão de fuzileiros, o que também significa que ele deixará a Índia, uma viagem bem longa por mar até a Grã-Bretanha. Então, Cornwell que não é bobo, deu um jeitinho de colocar Sharpe em rota por Trafalgar na época da famosa batalha naval, e a sorte de Sharpe que sempre o coloca no lugar certo mesmo nas horas mais impróprias, lhe garante um lugar à bordo de um importante vaso de guerra de setenta e quatro canhões. Junta-se a isso alguns personagens de opiniões bastante contundentes, um comandante que não se apega a títulos e prefere admirar a bravura de um bom soldado à patentes, alguns traidores e a presença ilustre do almirante Horatio Nelson e temos todos os elementos que tornaram Sharpe em Trafalgar um leitura bastante interessante.

O comboio anual de navios britânicos está prestes a partir de Bombaim em direção à Grã-Bretanha. Mas, antes de Sharpe embarcar no Calliope, ele precisa resolver alguns negócios pendentes, afinal, ninguém tenta passar a perna em Richard Sharpe e permanece incólume. E, para sorte de Sharpe, mais do que um acerto de contas, tal ato faz com ele caia nas graças do comandante da Marinha Joel Chase. Cornwell garante assim o estabelecimento de uma amizade que permitirá a reviravolta na situação precária na qual o alferes se encontrará pouco tempo depois. Isso porque o Calliope trouxe tanta sorte quanto azar à Sharpe. No Calliope ele caiu de amores por Lady Grace, a esposa de um figurão político insuportável, e foi “vendido”, pelo capitão do navio, juntamente com toda a tripulação e o tesouro que carregam, para piratas franceses da nau Revenant. E agora, tudo o que Sharpe quer é evitar que suas perdas materiais sejam grandes, proteger Lady Grace e se vingar. E uma ajuda do comandante Joel Chase vem bem a calhar. Chase resgata o Calliope das mãos dos franceses, traz Sharpe para bordo do Pucelle e parte em perseguição ao Revenant. Uma perseguição que acaba indo parar em uma batalha náutica! O Revenant se junta às esquadras francesa e espanhola e o Pucelle se junta à britânica sob o comando da nau capitânia de Nelson. Continuar lendo

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