Ruy Castro é conhecido por sua produção de biografias (são deles as de Nelson Rodrigues e Carmem Miranda) e por seus livros de documentação histórica, como o ótimo Chega de Saudade no qual retraça os caminhos que levaram ao surgimento da Bossa Nova. Ele também teve passagem por importantes veículos da imprensa até a década de 90 quando passou a se dedicar aos livros. De volta aos jornais, desde 2007 Ruy publica crônicas na coluna que assina quatro vezes na semana no jornal Folha de São Paulo. Letra e Música, publicado pela extinta Cosac Naify, traz um compilado de algumas de suas crônicas e ensaios publicadas entre 2007 e 2013.
O livro é composto por dois volumes com 64 pequenos textos em cada. No primeiro, A Canção Eterna, estão os textos do Ruy apaixonado por música: Continuar lendo →
O americano Randall Patrick Munroe nasceu em 17 de outubro de 1984 e é mais conhecido por sua webcomic com figurinhas de palitinhos, a famosa xkcd. Munroe nasceu na Pensilvânia, mas cresceu na Virginia e se formou em física pela Universidade Christopher Newport. Antes mesmo de se formar, Munroe conseguiu um emprego na área de robótica na NASA. Seu apreço pelos desenhos, esquemas e fluxogramas, vem desde a época da escola e continuou durante toda a sua graduação. As margens de seus cadernos e livros sempre foram tomadas por essas figuras. Mais tarde, muitas dessas figuras foram escaneadas e colocadas em seu site pessoal, surgia assim, em setembro de 2005, o xkcd. Em 2006, a NASA não renovou seu contrato, então Munroe mudou-se para o Massachusetts e passou a se dedicar exclusivamente ao xkcd, que hoje conta com uma enorme base de fãs. Por meio de suas histórias, ele fala sobre a vida, o amor, matemática, programação, piadas científicas, o universo e tudo o mais, tudo com uma boa dose de humor e sarcasmo e muitas referências à cultura pop. Continuar lendo →
Depois de mais de um mês sem aparecer uma TAG por aqui, escolhi para responder uma TAG bem legal que envolve o Prêmio Nobel de Literatura. A TAG foi criada pela Ana Luísa do canal Analu Bussular livros e mais, mas eu a vi pela primeira vez no canal da Mari Dal Chico que respondeu juntamente com a Mell do Literature-se e a Isa do Lido Lendo.
Vamos às categorias?
1 – Um autor ganhador de Nobel que você já leu.
Seguindo o exemplo da Camila do Viaggiando, não vou me ater apenas a um nome, por ordem cronológica de premiação, já li Rudyard Kipling (O Homem Que Queria Ser Rei e Outras Histórias), Ernest Hemingway (O Velho e o Mar, que pretendo reler este ano), Albert Camus (A Morte Feliz), Pablo Neruda (Cem Sonetos de Amor), Gabriel García Márquez (Memórias de Minhas Putas Tristes e O Amor nos Tempos do Cólera), José Saramago (Ensaio Sobre a Lucidez) e Svetlana Aleksiévitch (Vozes de Tchernóbil). Continuar lendo →
O romance de Madeleine L’Engle foi publicado em 1962, mas foi só em 2012, lendo o livro Amanhã Você Vai Entender da Rebecca Stead, que tomei conhecimento desta obra infanto-juvenil, ganhadora da Medalha Newbery em 1963, e considerada icônica por abordar conceitos científicos e utilizar as viagens temporais para criar uma história de ficção científica, repleta de fantasia e agradável para todas as idades. Demorei a ter meu exemplar e quando o adquiri fiquei protelando a leitura, mas com a adaptação cinematográfica prestes a estrear, resolvi mergulhar de vez na trama de L’Engle.
Uma Dobra no Tempo, primeiro livro da série Viajantes no Tempo, traz a história da família Murry, ou mais especificamente, da jornada de Charles Wallace Murry, um garotinho prodígio de cinco anos, Meg Murry, sua geniosa irmã mais velha, e Calvin O’Kiefe, o novo amigo que não pensa duas vezes e embarca nessa aventura com eles para resgatar o pai de Charles e Meg. O pai, estava trabalhando em um projeto do governo quando deixou de se comunicar com a família. Um desaparecimento que para infinita tristeza e desgosto de Meg, tem gerado burburinhos entre os moradores da pequena cidade onde moram. Aliás, é com os moradores da cidade que L’Engle evidencia o quão maldosas as pessoas podem ser com os diferentes, com os que ousam se afastar um pouco que seja do considerado normal. Meg e Charles, os dois filhos estranhos dos Murry, nunca têm o mesmo tratamento reservado aos seus irmãos gêmeos, bastante populares. Não é estranho então, que caiba aos dois, relegados à obscuridade social, mas com suas próprias características especiais, irem nessa missão de resgate. Essencialmente, Uma dobra no tempo representa a jornada do herói, ou melhor, da heroína, ainda que com toda uma abordagem metafísica e tal, mas ainda assim, uma jornada de descoberta e de empoderamento e de celebração das diferenças. É com Meg e Charles que a autora evoca um discurso de tolerância ao diferente, de pensar fora da caixa e não ser apressado em rotular as pessoas conforme a sua própria experiência. Continuar lendo →
“Olhe para os Filhos da terra indo embora aos bandos, deixando sua terra com feridas que sangram em seus corpos e susto em seus rostos e sangue em seus corações e fome em seus estômagos e tristeza em seus passos. Deixando suas mães e pais e filhos para trás, deixando seus cordões umbilicais debaixo do solo, deixando os ossos de seus antepassados na terra, deixando tudo o que os torna quem e o que eles são, indo embora, pois não é mais possível ficar. Eles nunca mais serão os mesmos, porque você simplesmente não tem como ser o mesmo depois que deixa para trás quem ou o que você é, você simplesmente não tem como ser o mesmo. ” (Páginas 131 e 132)
NoViolet Bulawayo é uma filha da terra que também foi embora. Nascida e crescida no Zimbábue, ela se mudou aos 18 anos para os Estados Unidos onde concluiu seus estudos e mora até hoje. Apenas depois da publicação de Precisamos de Novos Nomes em 2013, ela retornou ao seu país natal para uma visita, praticamente como uma estrangeira em seu próprio país (vocês podem ler o relato da sua experiência aqui, em inglês).
Precisamos de Novos Nomes é um romance de formação com alma de biografia. É impossível não perceber os ecos dos sentimentos e das experiências de Bulawayo. A diferença é que Bulawayo era mais velha quando deixou o Zimbábue. Darling (sua protagonista) teve suas raízes arrancadas mais cedo. Continuar lendo →
Mulheres sem nome surgiu da vontade de Martha Hall Kelly contar a história de Caroline Ferriday e seus feitos históricos. A história de uma filha da nata da sociedade nova-iorquina, ex-debutante, ex-atriz da Broadway e fortemente envolvida nas causas humanitárias, primeiramente com auxílios aos franceses e depois com as mulheres polonesas libertas do campo de Ravensbrück no pós-guerra além é claro de todo o trabalho político no qual acabou envolvida para garantir que as pessoas que cometeram atos terríveis durante a Segunda Guerra Mundial fossem punidas. Para contar essa história, ela concede a narrativa a três mulheres: Caroline e Herta, que realmente existiram, e Kasia, sua criação fictícia livremente baseada em algumas prisioneiras de Ravensbrück. Três mulheres, três narrativas, três caminhos díspares que os acontecimentos históricos fizeram coalescer. Hall Kelly retrata quase duas décadas (do pré ao pós-guerra) de histórias cotidianas, interesses amorosos, perdas e pequenas lutas diárias; e nos dá um baita exercício de empatia e uma ode às mulheres que estabeleceram uma rede de auxílio à outras mulheres nesses tempos tão sombrios. Continuar lendo →
A pessoa pouco adepta às metas de leituras rígidas e aos desafios, ficou viciada neles. Sim, é de mim que estou falando. Acompanhando alguns instagramers literários, descobri que estão rolando vários desafios literários pelas redes sociais (vários mesmo) e acabei me deparando com o perfil @mulheresnaliteratura – mantido pela Mika Andrade e que também conta com um blog – no qual está rolando pelo terceiro ano o Desafio Lendo Mais Mulheres, que pode ser acompanhado pela hashtag #lendomaismulheres2018. Veja abaixo a imagem com as categorias do desafio deste ano e os livros que escolhi para cada uma delas. Fiz o possível para contemplar os livros que já tenho na estante e para as categorias para as quais não tenho livros, coloquei mais de uma opção, para mais para frente comprar ou emprestar. Como uma das categorias é idêntica a uma proposta pelo Yuri no Desafio Livrada, acabei mudando a minha escolha inicial para o Livrada, para poder contemplar com um mesmo livro os dois desafios.
Há tempos venho ensaiando uma releitura de Harry Potter, a última vez que reli todos os livros foi pouco antes do lançamento do último livro da série (era assim que eu aguentava esperar pelos lançamentos) e já se passaram mais de dez anos desde então. Com o lançamento das novas edições belamente ilustradas pelo Jim Kay resolvi novamente me enveredar pelas páginas da história desse bruxinho que conheci lá na adolescência. Findada a leitura desse primeiro volume, mais do que um reencontro com velhos amigos e a redescoberta da magia inspiradora de Hogwarts que nos faz querer voltar às carteiras e assistir uma aula ou outra de Transfiguração, Defesa Contra Artes das Trevas e até mesmo Poções; é uma nova experiência perceber detalhes que as leituras algumas vezes afoitas deixaram passar, ou, que foram retomados nos livros derradeiros. Também é um alívio reler sabendo (e conseguir captar as nuances por causa disso) que um de seus personagens favoritos, apesar de chato, sempre foi fiel (momento nostalgia de quem participava da comunidade “Eu confio no Snape” no finado Orkut). É justamente por saber tudo o que Harry, Rony e Hermione ainda irão passar, todos os perigos que irão correr, os amigos que irão fazer, outros tantos que irão perder, que a experiência de reler tudo desde o início se torna ainda mais especial. Continuar lendo →